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A eurodeputada portuguesa Ana Gomes, que integra a missão de observação eleitoral da União Européia, disse neste sábado à Agência Lusa que são “legítimas” as dúvidas que foram levantadas por partidos políticos e organizações da sociedade civil sobre a votação em Angola. Ana Gomes afirmou que foram registradas ocorrências durante a votação em Luanda que permitem “duvidar da desorganização” que o processo teve.
“Luanda destoa claramente do resto do país”, declarou a eurodeputada, que apontou as demais 17 províncias como palco de eleições bem organizadas e com uma “forte participação” dos eleitores, o que “indicia que os angolanos querem a democracia e o desenvolvimento de seu país”. A integrante do Parlamento Europeu sublinhou falar apenas em seu nome, baseada nas informações que recolheu, considerando “lícito que se exija saber o que se passou efetivamente em Luanda”. Como exemplos do que, no seu entender, “correu bastante mal”, Ana Gomes descreveu a impossibilidade de acompanhar o pleito a que foram sujeitos “mais de 300 observadores” da sociedade civil angolana, enquanto, na última hora, “foram credenciados 500 observadores por organizações que se sabe serem muito próximas do MPLA [partido no poder]”. “Parece que alguém não quis que as eleições fossem observadas por pessoas independentes”, acusou Ana Gomes, que trabalhou no enclave de Cabinda. 'Livres e credíveis' A missão de Observadores da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) declarou neste sábado, em Luanda, serem “livres, credíveis e pacíficas” as eleições legislativas de Angola. Aos jornalistas, o chefe da missão, John Kunene, disse que o parecer geral da SADC com relação ao processo de votação é que elas decorreram de forma “aberta, transparente e profissional”. Entretanto, a missão recomendou à comissão eleitoral angolana a “revisão” de sua capacidade de gestão para o registro de melhorias nos próximos processos eleitorais. “Os atrasos na divulgação das listas de votos para inscrição podem gerar falta de confiança no processo”, sublinhou John Kunene, aludindo a um dos problemas registrados na capital do país. Aos partidos políticos angolanos, a missão exortou que "respeitem a vontade popular" e que, em caso de preocupações, as resolvam com base nas leis de Angola. A missão da SADC, composta por 80 observadores, esteve presente em 15 das 18 províncias de Angola, tendo posicionado três equipes na capital Luanda. Lusa
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