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A banda Kassav, um dos expoentes máximos do zouk, precisou de apenas meio minuto para conquistar e "manipular" quase mil e 500 almas que participaram intensamente, sábado à noite, no Cine Atlântico, num electrizante concerto, onde a rítmica de Guadalupe contrastou com a explosividade luandense.
| Foto Angop |
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| Banda Kassav aquece Cine Atlântico |
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Tido como a principal atracção do terceiro dia do Festival Internacional da Paz, o elenco de Jacob Desvarieux, Jocelyne Beroard, Jean-Philippe Marthely e Jean-Claude Naimro inscreveu com "letras douradas" a sua terceira deslocação a Angola, numa irrepreensível exibição que, em 1:46 minutos, só gerou sorrisos, suor e lágrimas.
Aproveitando-se do clima eufórico já deixado pelos angolanos Miloy Xavier, Ângelo Boss e Maya Cool, a banda escolheu um repertório "de ponta", acompanhado na totalidade pela plateia, que ajudou a "incendiar" por completo o Atlântico.
Diferente de outros shows registados em Luanda, incluindo os dois primeiros desse Festival, o concerto jamais enfraqueceu, desde a interpretação do tema de abertura até a música final, tendo estado perto de "sacudir", várias vezes, a estrutura da sala.
Lutar contra a força melódica dos Kassav era já desde o começo uma missão quase impossível para os espectadores, até os mais reservados, pois as palavras de ordem vindas do palco, para a plateia, pareciam ser, só e apenas, vibração e explosão total.
O grupo subiu ao palco às 22:42, vaidoso e sorridente, mas sem prever que do outro lado estariam mais de mil fãs (número ínfimo comparativamente aos observados nos concertos do grupo realizados nas Antilhas e em França,) dispostos a suar até ao extremo e cantar, sem complexo, com uma das duas mais referenciadas bandas de zouk.
Kassav, que há muito disputa o protagonismo e estatuto de número um desse género musical, com os Viking, até teve boa "retaguarda", protagonizada por Miloy Xavier, Ângelo Boss e Maya Cool, três artistas que souberam prestigiar e dignificar Angola.
O primeiro voltou a cantar os temas com que se exibiu no dia anterior (sexta-feira), no show dos Livity, tendo, desta vez, tido força para fazer vibrar a plateia com o tema "Beijoqueiro", o último por si apresentado, antes da subida de Boss.
Este cantou igual número de músicas, com destaque para "Fele Fele" e "Butenen Louco", com o qual chamou ao palco uma das vozes do momento no país: Maya.
Logo à entrada, o ex-cantor do projecto infantil pió-pió levou a plateia à euforia, fazendo-a cantar, em alto som, o sucesso "Pelo Pelo". Antes de dar lugar aos "professores de palco" das Caraíbas e de Guadalupe, o autor de "Anjo" teve ainda tempo e arte para agitar o Atlântico com a música "Ti Paciência".
Era chegado o momento da noite. Luzes apagadas, almas expectantes e agitação total.
Cada fã busca o melhor lugar para ver de perto os percursores do zouk moderno, mas um ligeiro problema nas ligações acústicas enerva os impacientes "músicos de bancada". A ansiedade e o desejo de ver a banda se multiplicam até às 22 h e 42 minutos.
Do palco, na pessoa de um dos engenheiros de som, vem um sinal positivo: problema superado. É hora de festa, de folia e recordação, para quem viveu de perto os anos 80.
Ao longe ou de perto, já se observa a entrada dos astros antilhanos. Primeiro os percussionistas. Depois os coristas e guitarristas. Por último, a ansiada subida dos históricos vocalistas Jacob, Marthely, Jocelyne e Naimro. Delírio total na sala.
A entrada não podia ser melhor, com show de percussão, até que Jean-Philippe Marthely e Jacob soltassem pela primeira vez as vozes, já com a sala toda em pé e ruidosa, volvidos menos de um minuto de actuação.
Jocelyne foi a terceira. Sorridente, começou por apresentar a banda, antes de mandar para o palco velhos sucessos como "Soleil", "Siwo" e "Kayemaman", proporcionando o primeiro grande momento de explosão na noite. "Muito obrigada", agradeceu a artista.
A alternância era constante, mas fosse Jacob, fosse Jocelyne, Marthely ou Naimro, a toada e empenho do público se mantinha. Assim foi com o sentimental "Kole Sere", na voz de Jocelyne e "Ou Le", com o qual se atingiu o segundo momento de explosão, na voz do chamado "feiticeiro do estúdio", o guitarrista Jacob.
Dona de um imenso repertório, com 14 discos editados, a banda não desanima e, a cada minuto, acelera o passo, intercalando música com agitada animação da plateia, para sentir de perto o peso, a força e influência do seu nome no musical angolano.
O show já ia a meio, quando Jean-Philippe interpreta "Rete", e logo a seguir Jacob e Jocelyne tiram da cartola outro grande sucesso da banda, "Wep".
Depois de medir a "temperatura" do público, já dominado e rendido às evidências, eis que o grupo faz ecoar sala adentro "Tim Tim Bwa Sek", durante o qual Jacob mostrou, em quase dois minutos de solo, o porquê do título "feiticeiro de estúdio".
A actuação aproximava-se do fim. Ciente disso, Jacob proporciona o terceiro momento de explosão, com os temas "Oh Madiana" e "Soulange", antes de electrizar o Atlântico com o sucesso "Mwen Malad-Aw". Depois disso, a banda simula o fim do show, para tristeza dos fãs, deixando apenas os percussionistas no comando do palco.
Em fracção de segundos, regressou, com energia máxima, e fez o assalto final. Com mais de mil pessoas em pé, emocionadas e entregues ao talento da banda, o guitarrista voltou a "incendiar" a sala com "Zouk La Se Sel Medikaman Non Ni", um dos mais emblemáticos da banda, fundada em 1979, por Jacob e Pierre Edouard Decimus.
Com esse tema, os astros de Guadalupe encerraram em alta uma noite de sonho que, mesmo não tendo a carga emocional da primeira actuação de Kassav em Luanda, em 1985 (30 mil pessoas na plateia), teve paz, palmas, gritos, lágrimas e explosão.
Por Elias Tumba
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