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Só mesmo a música e o desporto têm este poder de nos unir a todos num mesmo recinto, sem nos importarmos com a cor, crença ou o partido que trazemos no coração. E as duas artes, chamemo-lhes assim, ainda se complementam, como se uma não pudesse passar sem a outra, num casamento perfeito que faz doer a alma quando chega ao fim.
Foi o que se viu na sexta-feira, no show a propósito dos 20 anos da carreira de Paulo Flores, nos Coqueiros, o velhinho estádio, hoje renovado, onde crianças da minha geração, hoje quase toda na casa dos 40, vibrou com grandes clássicos, como os que opunha o 1º de Agosto de Napoleão Brandão, Ndunguidi, Ndongala, Garcia e Luvambo, para citar apenas estes, ao Progresso de Praia, Luís Cão, Salviano, Santo António e companhia.
Com a vivacidade destes desafios registada na sua história, o novo Coqueiros mostrou que a música é mesmo um factor de união e casa bem com o desporto. Vimos no histórico apuramento ao mundial de Futebol da Alemanha. O facto inspirou cantores, surgiram canções que galvanizaram os nossos Palancas. Voltamos a ver na sexta-feira com o Paulo. O estádio estava cheio. As bancadas apinhadas de gente, a relva não existia mais. No espaço, uma multidão que, durante as três horas de espectáculo, dançou, vibrou e cantou com o músico, como se cada canção fosse dedicada a cada angolano que lá esteve. Era o agradecimento do povo a um “menino”, cuja carreira se confunde com a coragem e o sacrifício de todos os angolanos.
Em 20 anos de carreira, Paulo Flores cantou o sofrimento, a alegria, a solidão, a esperança de um povo que, apesar das dificuldades impostas pela guerra, sempre se manteve unido. Não esqueceu o reconhecimento à mãe e o sofrimento das centenas de crianças angolanas que, sem ter o essencial para viver, buscam nas ruas o pouco para sobreviver. Falou, nas suas canções, da acácia rubra, da welwitchia, da praia Morena, do Mussulo, da Ilha de Luanda. Mostrou o Lobito, Benguela, Catumbela, Luanda, Namibe, enfim levou Angola ao mundo.
A festa não foi só de Paulo Flores. Foi também de Urbano de Castro, Sofia Rosa, Elias dya Kimuezo, Carlitos Vieira Dias, Bonga, Belita Palma e todos aqueles cantores e compositores que contribuíram com aquilo que sabiam de melhor para que Angola fosse o que é hoje: uma terra de esperança, que caminha para a prosperidade.
E o público aplaudiu Paulo Flores, um caso raro na sua profissão, que consegue agradar ao mesmo tempo kotas, jovens e crianças. Quem lá esteve viu abraços emocionantes entre velhos amigos (Paulo e Eduardo Paím), ouviu elogios sinceros de Yuri da Cunha, assistiu à demonstração de carinho profundo de Patrícia Faria e o reconhecimento da grande Sara Tavares. A noite fez recordar Man-ré e a Mocinha que tinha muito jeito, as saudades e o Carnaval de Eduardo Paím.
Até houve homenagem a Nelson Mandela e a Agostinho Neto, o poeta que inspirou gerações. As palmas que se ouviram no final do espectáculo era também o tributo do povo a um grupo de músicos, entre os quais Eduardo Paím e o próprio Paulo, que marcaram uma geração e continuam a iluminar os mais novos. E eles merecem. Fãs atribuem nota máxima O músico angolano Paulo Flores recebeu "nota máxima" dos cerca de 21 mil fãs que ocorreram ao estádio dos Coqueiros, em Luanda, para assistir ao seu espectáculo em saudação aos 20 anos de carreira.
Com o renovado municipal dos Coqueiros quase lotado, o artista correspondeu às expectativas de quem teve de esperar por cerca de uma hora e meia depois da hora marcada para ver e ouvir o músico.
Interpelados pela Angop depois do espectáculo, alguns fãs foram unânimes em considerar o espectáculo de Paulo Flores o melhor já realizado por um artista angolano nos últimos 20 anos.
"Isto mostra o quanto os angolanos gostam da música angolana", começou por dizer António Felizardo, de 56 anos de idade, que diz ter valido apenas o tempo perdido para ver Paulo Flores.
"O incrível nesta história é o facto de um músico angolano, pela primeira vez, ter arrastado muito público aos Coqueiros, um facto só alcançado pelo grupo antilhano Kassav em 1985. Isto é prova de que com dedicação e sabedoria os nossos artistas podem fazer coisas maravilhosas", reforçou António Felizardo.
Acompanhado pela esposa Joaquina de Almeida, também ela fã de Paulo Flores, o entrevistado frisou ainda ter realizado um sonho antigo: ver e ouvir de perto um dos nomes de maior referência da música nacional. JA - CÂNDIDO BESSA
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