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O verbo acreditar está ao mesmo nível da crise do País. Acredito que a crise económica e todas as outras associadas resultam do peso, cada vez menor, que a ética passou a ter nas sociedades modernas.
“A esperança, ao contrário do que se crê, equivale à resignação. E viver não é resignarmo-nos”
Albert Camus
O actual sistema partidário está falido - e essa convicção generalizou-se muito à custa da incapacidade de resposta dos dois maiores partidos portugueses. Quem acredita na pedagogia não pode deixar de ser optimista. O verbo acreditar está ao mesmo nível da crise do País. Acredito que a crise económica e todas as outras associadas resultam do peso, cada vez menor, que a ética passou a ter nas sociedades modernas.
A consciência aristotélica, construída a partir de cada indivíduo na procura de uma vida boa, já só tem correspondência no plano do ‘salve-se quem puder’. A entreajuda é a lava da erupção que resta nos momentos trágicos. Para sermos justos temos de ser humanos. A verdade é que são os humanos a brincar com a justiça e a sua conceptualização. Kant, defensor da ética do dever, não colocava o pensamento a meio da ponte: “Faça-se justiça mesmo que todos os velhacos do Mundo pereçam.”
A falta de ética – a da virtude e a do dever – conduziu-nos a caminhos muito apertados. Entre a visão apocalíptica, a partir da qual o futuro se apresentará sempre bastante pior do que o presente e a visão potencialmente reformadora, a transportar com ela o halo do paraíso reconvertido, talvez ainda haja lugar para um sorriso. Para isso, é preciso não tolerar a farsa em que todos, socialmente, andamos envolvidos. Talvez se possa argumentar que foi sempre assim, pessoas a fazer de abelhas, partilhando as colmeias da conveniência. Abelhas que não gostam de abelhudos e ferram o seu espigão quando se sentem ameaçadas. Este País tudo consentiu, e acumulou muita porcaria debaixo do tapete e da alcatifa. Criou lóbis complicados e uma densa teia de interesses. É um Portugal pequeno, de primos e primas. Se a ‘familiaridade’ sem ética corresponde a um mecanismo engasgado, cresce a agitação e, com ela, a violência.
A proclamação da auto-reforma dos partidos nada resolve. A regeneração partidária não se decreta e, dentro deles, há cada vez menor tolerância. Entre o PS e o PSD não resta nada. Apenas uma profunda desilusão que outras ‘forças’ não conseguem amenizar. Cabe-nos encontrar a saída, combatendo a resignação.
Rui Santos, jornalista (
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F: Correio da Manha
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São esperiências de países que vivem a democracia ha mais tempo e podem ajudar Angola a crescer. Não existe uma democracia perfeita, cada país tem os seus problemas, mas alguns como Angola... têm maiores problemas frutos da própria história.
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