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Basta você ligar a TV ou passar em frente a uma banca de jornal para ver muitos corpos bonitos, beirando a perfeição, que humilham a esmagadora maioria dos pobres mortais, pessoas normais que estão longe da perfeição anunciada insistentemente pela mídia.
A paixão e a sensualidade se tornaram os valores máximos de nossa sociedade; são produtos vendidos em cada música, em todas as novelas, nas propagandas de cerveja, de carro, de cosméticos, de tudo quanto é jeito. Vivemos uma espécie de doutrinação sensual da qual é muito difícil escapar. Divulga-se que, para ser feliz, você deve ter uma ótima aparência; caso contrário, estará fora do cobiçado mercado da sedução. Até a década de 1960, imaginávamos que, se o sexo fosse liberado totalmente, seríamos muito felizes. Mais de quarenta anos se passaram e, com toda a liberação sexual, nunca vivemos tanta violência, depressão e angústia. Será que é verdade que o sexo feito sem limites para a imaginação nos leva à felicidade? O desejo sempre será um pote sem fundo. Quanto mais o liberamos, mais desejaremos. Você tem uma fantasia sexual, um dia ou outro você a realiza, e depois de algumas repetições não tem mais tanta graça. Então você quer mais. Cria uma outra fantasia: triângulos amorosos, sexo grupal, pansexualismo. Não se contenta em beijar só uma pessoa por noite; você quer mais. Neste caminho você precisa de cada vez mais estímulos. Mas, se parar para pensar, verá que a felicidade está mais relacionada com as coisas simples da vida. É mais fácil encontrar alguém feliz quando tem uma rica vida afetiva ou quando cultiva sua espiritualidade. Bebidas, drogas e muito sexo só servem para amortizar a dor emocional de quem não conseguese relacionar com profundidade. Imagine uma pessoa que se casou aos 26 anos e que agora tem 31, isto é, cinco anos de casada. Sabemos que, depois de algum tempo, a paixão passa e o relacionamento só irá adiante se o casal tiver a capacidade de viver outros sentimentos. Mas, com todo o bombardeio da mídia, com toda a doutrinação a favor da paixão, ela sente que está perdendo tempo, que deveria se apaixonar de novo. Questiona o casamento, arruma um amante ou se separa. Isso é o que mais acontece, tanto com os homens como com as mulheres. Precisamos rever tudo isso, reaprender o relacionamento de uma outra forma. Que não seja nos moldes antigos, que não nos satisfazem mais, tampouco deste jeito superficial. Talvez a questão que precisamos resolver agora seja como amar, sem perder a forma, sem perder o contato consigo mesmo. Entender que para viver o amor precisamos de muito mais que um corpo sarado ou siliconado. Precisamos sim de coragem para andar na contramão desses dogmas atuais. Universo Feminino
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