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A ideia de que por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher foi muito referida a propósito de Tony e Cherie Blair.
E adiantou-se, como no casal Bill e Hillary Clinton, que também na Grã-Bretanha ela era melhor do que ele. A realidade sugere hoje o contrário. Dificilmente Hillary conquistará a presidência dos EUA e depois do livro autobiográfico, ‘Speaking For Myself’ (‘Falando por Mim’), publicado esta semana em inglês, não se vislumbra para Cherie hipótese de carreira política. Duvida-se até do futuro profissional como advogada, devido à forma desbocada como fala de tudo e de todos, da rainha Isabel II ao primeiro-ministro Brown.
Quando a 27 de Junho do ano passado, ao abandonar o número 10 de Downing Street, Cherie Blair disse aos jornalistas "eu não penso que sintam a nossa falta" estava a escrever o preâmbulo do livro. O sorriso de Tony já não chegava para ganhar na política e Cherie pensou que o melhor seria começar a cobrar. Logo em Setembro de 2007 assinou um contrato de um milhão de libras (1,23 milhões de euros) pela autobiografia agora publicada. Em ‘Falando por Mim’, Cherie Blair desvenda sem pudor aspectos da sua vida privada. Afirma, por exemplo, que foi no 2º piso de um autocarro encarnado da carreira 74 de Londres que conheceu Tony Blair. Os dois estavam, em finais de 1975, a estudar para advogados. Cherie repartia-se entre dois namoros – John Higham, em Londres, e David Attwood, em Liverpool – mas trocou-os. No Verão seguinte passaram férias em Itália e Blair pediu-a em casamento quando estava de joelhos a limpar o lavatório. Quando o casal Blair teve o quarto filho, Leo, em Maio de 2000, falou-se na sua juventude. Pela primeira vez, em mais de 150 anos, um primeiro-ministro britânico foi pai. Sabe-se agora que o bebé não foi concebido no 10 de Downing Street’. Cherie ficou grávida por não levar o aparelho de contracepção para o Castelo de Balmorol, na Escócia. Ela ficara intimidada no anterior pela forma como o criado desfez a mala e pôs tudo à vista. Sobre Gordon Brown, afirma que não tem qualquer problema. Simplesmente, diz Cherie, o primeiro-ministro não percebe as coisas. Teve dificuldade em aceitar antes da chegada ao poder dos Trabalhistas que Blair era mais indicado para a chefia do governo e agora que acedeu à função não se revela capaz de a manter e até recebe conselhos de Blair. George W. Bush, Isabel II, os Clinton, o assessor de imprensa Alastair Campbell, todos têm a privacidade posta a nu. Cherie acerta contas, sem freio na língua. Fala de segredos, conversas privadas e intimidades. E sobretudo insinua. Puro veneno. A FIGURA: CHERIE BOOTH Cherie Booth, antes de ser Blair, nasceu a 23 de Setembro de 1954 em Bury, na região de Manchester. O pai, Peter Booth, actor, saiu de casa quando ela tinha oito anos e deu-lhe seis meias-irmãs, filhas de outras relações. Foi porém da avó paterna, Vera, que recebeu a formação católica, reforçada em colégios religiosos. Boa estudante, foi a melhor aluna do seu ano de licenciatura na London School of Economics e fez depois um curso de advocacia.
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