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Foi cremado, no fim da manhã desta segunda-feira (19), o corpo da escritora paulistana Zélia Gattai (1916-2008). Funcionários do crematório do cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas, em Salvador, informaram que o procedimento começou por volta das 11h.
As cinzas serão entregues à família na próxima quarta-feira (21), quando deverão ser depositadas debaixo da mangueira do jardim da casa onde a escritora viveu ao lado de Jorge Amado (1912-2001) por quase 40 anos, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, onde estão também as cinzas do escritor. Zélia Gattai morreu no último sábado (17), às 16h30, de parada cardiorrespiratória, no hospital da Bahia, onde estava internada. Ela completaria 92 anos no próximo dia 2 de julho. Apesar de paulistana, fazia aniversário no dia da Independência da Bahia, terra que adotou e pela qual foi adotada. Caçula dos cinco filhos dos imigrantes italianos Angelina e Ernesto Gattai, Zélia lançou o primeiro livro aos 63 anos, incentivada pelo marido a contar as memórias da infância passada em São Paulo, no começo do século 20. O livro "Anarquistas, Graças a Deus", lançado em 1979, fez sucesso e virou minissérie na TV Globo em 1984, com direção de Walter Avancini. Em seus livros, contou sua vida ao lado do marido, em viagens pelo mundo. Além de memorialista, Zélia escreveu dois livros infantis: "Pipistrelo das Mil Cores" (1989) e "O Segredo da Rua 18" (1991). No terreno do romance, estreou em 1995, com "Crônica de uma Namorada". Além de escritora, Zélia também era fotógrafa e registrou importantes momentos da vida do marido. Em 1987, lançou "Reportagem Incompleta", um livro com suas fotografias. Memorial Ontem, durante o velório, o filho João Jorge Amado manifestou o interesse em transformar a Casa do Rio Vermelho, atualmente abandonada, em um memorial. O prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), disse que vai criar uma comissão para estudar a obra. O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse que, "se for a vontade da família", o governo pode tombar a casa. Com informações da Folha de S.Paulo e Agência Folha. MIGUEL ARCANJO PRADO da Folha Online
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