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A passagem do ciclone Nargis pelo sul do Mianmar, causando mais de 23 mil mortes, segundo o balanço oficial, e cerca de cem mil (dados não oficiais) dominou durante a semana que hoje finda a actualidade internacional.
Este é o maior número de mortes num desastre natural na Ásia desde o tsunami de Dezembro de 2004 que matou 181 mil pessoas e devastou áreas costeiras na Indonésia, Tailândia e outras partes do sul e sudeste do continente.
A tempestade tropical atingiu a costa sudoeste do Mianmar (antiga Birmânia) no passado dia 03 à tarde, com ventos que atingiram 200 quilómetros por hora e prosseguiu na manhã do dia seguinte em direcção à leste do país.
Rangun, a maior cidade do país, foi uma das áreas mais afectadas pela intermpérie.
A população nas demais regiões atingidas continua a observar dificuldades de água e de electricidade e os preços dos artigos básicos dispararam devido a escassez e a especulação.
Mianmar é governado por militares desde 1962 e não realiza eleições democráticas desde 1990, quando o Partido oficial foi esmagado pela coligação opositora da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, um pleito que não teve o seu resultado reconhecido pela Junta Militar.
Os militares exercem um poder severo num dos paises mais pobres e isolado há cerca de 50 anos.
Mantêm relações muito tensas com os EUA, a UE e outros governos por causa das pressões que recebe para a realização de reformas democráticas. Aliás, para aceitarem o auxílio humanitário que essas nações ofereceram, foi preciso muita pressão, dada a gravidade da situação.
Segundo observadores, os militares temiam que os seus "adversários" aproveitassem da situação para infiltrar os seus agentes e o descarregamento de material bélico.
Por outro lado, a agência da ONU para a prevenção de catástrofes criticou a falta de um alerta antecipado, que teria evitado milhares de mortes, sobre a passagem do ciclone.
Esta situação fez aumentar ainda mais o descontentamento popular com a Junta Militar, acusada de não dar a assistência às vítimas. Calcula-se que que milhares de pessoas ficaram sem as suas casas e mais de 40 mil estão desaparecidas.
Sexta-feira, o Programa Alimentar Mundial (PAM) anunciou a suspensão dos seus voos à Mianmar para ajudar as vítimas, por causa das restrições impostas pelas autoridades que esta agência da ONU considera "inaceitáveis".
No mesmo dia a Junta fechou as portas às equipas de emergência e aos jornalistas estrangeiros. Os militares dizem-se indispostos a receberem equipas de busca e socorro, tampouco os meios de comunicação social de paises estrangeiros, mas apreciam "enormemente a generosidade da comunidade internacional.
Observadores são de opinião que os militares pretendem administrar sozinhos as ajudas materiais e financeiras de milhões de dólares prometidas pela comunidade internacional.
Além da fome e da sede, o país sofre também com forte risco de surtos de cólera e diarreia crônica, devido as águas contaminadas pelos milhares de corpos que estão expostos ao calor e à umidade tropical.
Apesar da catástrofe, os militares seguiram hoje com a organização de um referendo sobre uma nova constituição. A consulta foi adiada para 24 de Maio somente nas áreas mais afectadas pelo ciclone.
A ONU, vários paises ocidentais e o partido da oposição local, instaram o poder a adiar o referendo e dar prioridade à ajuda. A Junta sustenta que a nova constituição vai permitir eleições em 2010 e uma transferência progressiva do poder aos cívis, mas estes argumentam que o texto eterniza a influência do exército na vida política do país. Angop
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