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O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, disse hoje, terça-feira, que o foco "unilateral" no Iraque desviava a atenção do governo norte-americano de outras ameaças. Obama prometeu colocar fim à guerra e usar os recursos gastos no Iraque para enfrentar a Al Qaeda e o Taliban no Afeganistão.
O democrata, que trava um acirrado debate com o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, a respeito do Iraque, disse que o envolvimento prolongado de forças de combate norte-americanas naquele país prejudicava a segurança dos EUA e o prestígio do governo americano no cenário internacional.
"Segundo qualquer parâmetro, nosso foco unilateral e por prazo indeterminado no Iraque não é uma estratégia sólida para garantir que os EUA sejam um local seguro", afirmou o democrata em um discurso no qual apresentou suas opiniões sobre a guerra antes de uma viagem, a ser realizada em breve, para o Afeganistão e o Iraque.
"Como presidente, vou dar à luta contra a Al Qaeda e o Taliban a prioridade máxima que deveria ter", disse Obama. "Essa é uma guerra que precisamos vencer."
O democrata criticou McCain (senador pelo Arizona) e o presidente norte-americano, George W. Bush, por fazerem do Iraque o palco central da batalha contra o terrorismo. E disse que ele adotaria uma nova estratégia de segurança nacional, por meio da qual recuperaria as alianças internacionais e reconquistaria a boa vontade do mundo em relação aos EUA, algo supostamente destruído pela guerra.
"Eu estou concorrendo ao cargo de presidente dos EUA a fim de dar a esse país em uma nova direção -- para materializar a promessa deste momento", afirmou Obama, que cumpre atualmente seu primeiro mandato como senador, pelo Estado de Illinois.
O democrata prometeu ainda retomar os esforços para tirar materiais atômicos de terroristas e de países "inamistosos". E afirmou estar disposto a usar "todos os elementos" do poderio norte-americano a fim de pressionar o Irã a respeito de seu programa nuclear.
McCain sugeriu que Obama vem tentando se desvencilhar de sua promessa de retirar as forças de combate norte-americanas do Iraque nos primeiros 16 meses de sua Presidência. O republicano citou a recente declaração de Obama sobre a possibilidade de "refinar" suas políticas para o país árabe com base em consultas feitas junto a comandantes militares.
O senador de Illinois, porém, ressaltou que, apesar de estar aberto a ajustes de ordem tática, o cronograma de 16 meses continuava a ser sua meta. Ele disse que o embate com McCain a respeito do Iraque refletia as diferenças existentes entre os dois quanto à postura frente questões diplomáticas e da segurança nacional.
"O senador McCain deseja falar sobre as táticas adotadas no Iraque. Eu quero centrar a discussão a respeito de uma nova estratégia para o Iraque e para o mundo em geral", afirmou.
O republicano criticou Obama por discursar sobre o Iraque antes de visitar esse país. O democrata esteve no território iraquiano uma vez, em 2006, e nunca pisou no Afeganistão. A viagem acontece depois de McCain tê-lo exortado a visitar a área e a falar com os comandantes das forças norte-americanas presentes ali.
"É importante notar que ele está discorrendo sobre seus planos para o Iraque e o Afeganistão antes mesmo de ter partido", disse McCain no Novo México.
"Segundo a minha experiência, missões de averiguação dos fatos funcionam melhor na mão contrária: primeiro deve-se tomar ciência dos fatos para então apresentar uma nova estratégia." Angop
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