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Madrid - O governador do Novo México, Bill Richardson, único governador hispânico dos EUA actualmente, afirmou estar seguro de que uma ampla maioria dos eleitores hispânicos votarão no provável candidato democrata Barack Obama nas eleições gerais. Em discurso diante da Tribuna Ibero-americana organizada pela agência internacional de notícias Efe e a casa América de Madrid, Richardson lembrou que, nas primárias, os hispânicos votaram em massa pela ex-pré-candidata Hillary Clinton "pela trajectória positiva dos Clintons na comunidade hispânica", mas ressaltou estar seguro de que estes votos migrarão para Obama, agora que ele ganhou a nomeação.
O governador afirmou ainda que, geralmente, o eleitorado hispânico apoia o candidato presidencial democrata, com cerca de 65 por cento dos votos contra apenas 35% que vão para os republicanos. No caso de Obama, este número "irá para quase 70 por cento".
Os hispânicos, que representam 15 por cento da população que vive nos EUA, representam um importante eleitorado. Nas eleições de 2004, 7,6 milhões de votos vieram deste segmento.
Contudo, Richardson ressaltou que o provável candidato republicano John McCain tem um forte argumento para conquistar os hispânicos já que trabalhou junto com o senador democrata Ted Kennedy para aprovar um plano que regulariza a situação de 12 milhões de latinos que vivem ilegalmente nos EUA.
De qualquer forma, afirmou, para as eleições de 4 de Novembro deve pesar mais a atitude "muito negativa" dos republicanos frente à comunidade hispânica. Para Richardson, um dos 797 superdelegados democratas, não importa nem mesmo a escolha de McCain para vice-presidente já que as eleições gerais já "estão ganhas".
Mesmo assim, o governador aposta na escolha de Charles Christ, governador da Flórida, para a chapa republicana, uma escolha que vê como uma tentativa de atrair o importante eleitorado hispânico nas urnas do Estado.
Já em relação à chapa democrata, Richardson preferiu não arriscar palpite já que a escolha "é uma decisão exclusiva do senador Obama". Contudo, defendeu que a pessoa escolhida para dividir a chapa democrata deve ter um grande apelo em Estados cruciais como Colorado, Nevada, Flórida e Novo México.
"São Estados que podem votar tanto nos democratas quanto nos republicanos numa batalha muito acirrada", disse Richardson, acrescentando que há alta percentagem de eleitores de origem hispânica e que podem definir a votação de 4 de Novembro.
"Por exemplo, o presidente seria hoje mesmo John Kerry [democrata derrotado pelo presidente George W. Bush em 2004] se ele tivesse ganho em Nevada, Novo México e Colorado, três Estados nos quais perdeu por menos de 2 por cento", lembrou.
Ele ressaltou ainda que o vice-presidente democrata deve ter a capacidade de trazer votos para Obama e que deve ser uma escolha consciente já que ele "pode ser presidente dos EUA caso ocorra uma tragédia".
No seu discurso, Richardson comparou Obama ao popular ex-presidente John Kennedy (1961-1963). "O senador Obama é uma pessoa especial que pode unir os Estados Unidos, um homem que praticou a reconciliação, num homem que pode marcar uma nova imagem dos Estados Unidos no mundo", elogiou o governador.
Richardson também foi pré-candidato democrata à nomeação, mas saiu da corrida em Janeiro, antes mesmo das primárias. Embora tenha trabalhado como embaixador do governo de Bill Clinton, ele preferiu declarar apoio a Obama, em vez de Hillary.
"[Bill Clinton] está um pouco enfadado. Bom, não tão pouco, eu creio que está muito enfadado", disse Richardson.
"Quero muito bem ao presidente Clinton, mas minha lealdade é com os Estados Unidos e o Partido Democrata", completou.
O nome do governador figura entre as possíveis escolhas de Obama para vice-presidente, mas Richardson não quis comentar o assunto e apenas afirmou que o partido deve estar unido até a Convenção democrata Nacional, em 25 de Agosto, em Denver, quando a nomeação de Obama será oficializada. Angop
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