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O governo da Geórgia apresentou uma denúncia contra a Rússia perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ) por atos de limpeza étnica realizados em território georgiano entre 1993 e 2008, informou o Executivo de Tbilisi em comunicado distribuído em Bruxelas nesta terça-feira.
A crise entre os dois países começou na quinta-feira (7), quando a Geórgia, aliado próximo de Washington, enviou tropas para retomar a Ossétia do Sul, que declarou sua independência da Geórgia em 1992. Moscou, que apóia a secessão do pequeno território e mantêm forças de paz na região, respondeu enviando tropas ao país vizinho. | Arte/Folha Online |  | | | A Rússia diz que 1.600 civis da Ossétia do Sul morreram, enquanto a Geórgia afirmou que quase 200 foram mortos e centenas estão feridos. Nenhum dos números foi verificado por fontes independentes. A ONU afirmou nesta terça que quase cem mil pessoas tiveram de sair de suas casas. Segundo a Geórgia, desde o início da década de 1990 e até a recente invasão do país, a Rússia tem apoiado a limpeza étnica de cidadãos georgianos por parte das forças separatistas nas regiões da Abkházia e Ossétia do Sul, mediante o fornecimento de armas, o recrutamento de mercenários e a intervenção direta de tropas. O Executivo georgiano afirma que desde o cessar-fogo em ambas as zonas, as forças russas encarregadas de manter a paz negaram o direito de retorno a 300 mil pessoas que tinham sido deslocadas. O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, repetiu hoje as acusações de seu país de que a operação militar da Geórgia nas áreas separatistas são um "genocídio". Na queixa perante a CIJ --principal órgão judicial da ONU, com sede em Haia--, a Geórgia pede aos juízes que declarem que Moscou atuou contra a legislação internacional e que deve se abster de seguir apoiando as forças separatistas, incluindo a retirada de todas as suas tropas da Geórgia. Tbilisi também pede uma indenização. Em paralelo, o promotor-chefe da Corte Internacional Criminal (CIC), Luis Moreno-Ocampo, afirmou ter sido contactado sobre o confronto na Ossétia do Sul e pode iniciar uma investigação preliminar. A CIJ atua em casos de país contra país, enquanto o CIC foi criado para julgar indivíduos por crimes sérios como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Ambas as cortes têm sede em Haia, na Holanda. Proposta de acordo Medvedev, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, definiram hoje um plano de seis pontos para resolver o conflito na Ossétia do Sul. O acordo, anunciado em entrevista coletiva conjunta pelos dois líderes, estipula a renúncia ao uso da força, o fim de todas as ações militares, o livre acesso à ajuda humanitária e o retorno das forças armadas da Geórgia a seu posto antes dos conflitos. Além disso, as tropas russas serão retiradas à linha que existia antes da explosão do conflito, e será iniciado um debate internacional para decidir o futuro das separatistas Abkházia e Ossétia do Sul. | Efe |  | | Nicolas Sarkozy e Dmitri Medvedev durante conversa em Moscou nesta terça-feira | Durante a entrevista coletiva, Sarkozy disse que o líder russo tinha garantido que seu país "não tem o propósito" de permanecer em território da Geórgia. "Definimos respeitar a soberania da Geórgia. É um país independente", disse o líder francês. Sarkozy viajou logo depois a Tbilisi para apresentar o acordo de seis pontos ao líder georgiano. Diante dos repórteres, o presidente russo ressaltou que, apesar dos sinais de trégua, "os pacificadores russos cumprirão e continuarão cumprindo suas funções no Cáucaso". "São um fator-chave da segurança no Cáucaso. Assim foi e assim será", disse. Ainda sob clima de tensão, Medvedev voltou a insistir na idéia de levar aos tribunais o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili. "É estranha a situação quando um personagem que cometeu milhares de assassinatos é considerado terrorista e outro, que fez o mesmo, é considerado presidente de um Estado soberano eleito legitimamente. O direito internacional não pode ter dois pesos e duas medidas", disse. Horas antes do encontro entre os dois líderes, o ministro das Relações Exteriores da Rússia afirmou que Saakashvili deveria deixar a cadeira e seu Exército, sair da Ossétia do Sul para o "bem da região". Segundo Sergei Lavrov, a Rússia não negociaria com Saakashvili e "seria melhor que ele se fosse". Boa notícia Antes da coletiva, Sarkozy afirmou que é uma "boa notícia" o anúncio do presidente russo do fim da operação militar para "impor a paz" na Geórgia. "A declaração do fim das hostilidades por parte da Rússia é uma notícia que esperávamos. É uma boa notícia", disse Sarkozy, durante a reunião com Medvedev no Kremlin, citado pela agência Interfax. Sarkozy acrescentou que "agora é preciso tornar efetivo o cessar-fogo". "Vim como presidente da União Européia (UE), que considera a Rússia uma grande potência", disse. Em um tom cauteloso, o líder francês disse que "é completamente normal que a Rússia queira defender os interesses de seus compatriotas em seu país e os dos russos fora de suas fronteiras". Contudo, acrescentou, "é igualmente normal que a comunidade internacional queira garantir a integridade, a soberania e a independência da Geórgia". Sarkozy disse ainda que gostaria que a Rússia compreendesse que "o que França e UE querem é a paz". "Há duas vias de solução do problema: olhar para trás, onde não a encontraremos, ou voltar o olhar para o futuro e tentar encontrar uma solução", disse. "Precisamente por causa disso, vim a Moscou", acrescentou Sarkozy, que lembrou o trabalho conjunto com a Rússia para a solução da crise nuclear iraniana. Com Efe, France Presse e Reuters/ da Folha Online
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