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A ministra da Igualdade da Espanha, Bibiana Aído, 31, disse ao jornal "El País" deste domingo (18) que seria bom que o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, fosse ao psiquiatra, depois de suas piadas sobre a maioria feminina no governo espanhol.
Pouco depois das nomeações em abril do novo governo de José Luis Zapatero, que tem nove mulheres e oito homens, Berlusconi zombou dizendo que o gabinete era muito rosa e que não seria fácil de administrar. Diante da pergunta do "País" sobre se estaria disposta a pagar um psiquiatra para Berlusconi, a ministra Aído respondeu: "Seria bom, sim. Apesar de não saber se será muito efetivo. Seriam necessárias muitas sessões".
Esta não é a primeira vez que a Espanha do premier José Luis Rodriguez Zapatero se desentende com o chanceler italiano Silvio Berlusconi. Na sexta-feira (16), os dois governos mantiveram em Lima conversas de esclarecimento às críticas da Espanha à política de imigração italiana.
Imigração
Ao que tudo indica, o encontro entre Roma e Madri durante a 5ª Cúpula da América Latina, Caribe e União Européia serviu para acalmar a situação. De fato, a Espanha deu passo atrás sobre as críticas declaradas pela vice-presidente do governo espanhol, María Teresa Lopez de la Vega, diante das medidas que o governo de Berlusconi vem estudando aplicar à imigração, sobretudo proveniente do leste europeu.
"[O executivo espanhol] não concorda com a política de expulsões sem respeito à lei e aos direitos, e o mesmo acontece com a violência, o racismo e a xenofobia. (...) Rejeitamos a violência, o racismo e a xenofobia, e portanto não podemos compartilhar o que está acontecendo na Itália", disse a vice-presidente.
Na Europa, o subsecretário espanhol para os Assuntos Europeus, Diego López Garrido, chamou o embaixador italiano em Madri, Pasquale Terracciano, para lhe dizer que María de la Vega "não se referiu, de nenhum modo, à política de governo de Silvio Berlusconi" durante suas declarações, nesta sexta-feira, e sim à situação em Nápoles com os imigrantes ilegais.
Já a subsecretária italiana das Relações Exteriores, Stefania Craxi, foi mais dura e direta, dizendo que seria melhor se os espanhóis "se informassem melhor dos fatos".
"Se eles estivessem mais bem documentados sobre os fatos, compreenderiam que as medidas do executivo italiano estão dirigidas justamente a acalmar a explosão de sentimentos xenófobos alimentados pela política irresponsável do governo precedente [do centro-esquerdista Romano Prodi]", disse Craxi, que pertence ao partido Forza Italia (de Berlusconi).
Linhas xenófobas
O atual governo centro-direitista de Berlusconi possui, em suas fileiras políticas, forte presença da Liga Norte, partido de claras linhas xenófobas e separatistas e que viu sua força política crescer nas últimas votações gerais de abril, que elegeram Berlusconi.
Na última quinta-feira (15), uma grande operação policial na Itália (que gerou críticas dentro e fora do país) prendeu 383 pessoas, das quais 118 serão expulsas do país por se tratarem de imigrantes sem papéis.
A Itália pretende criminalizar a imigração sem papéis, dando à Justiça italiana a possibilidade de julgar e prender pessoas que estejam ilegalmente no país.
Fonte: da redação, com agências
O vermelho
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