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Líderes de entidades internacionais e chefes de governo criticaram as eleições no Zimbábwe e lamentaram a renúncia do líder da oposição, Morgan Tsvangirai, à disputa eleitoral no país. Tsvangirai renunciou neste domingo e atribuiu a renúncia à crescente onda de violência e intimidação contra seu partido, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC). Grupos de direitos humanos independentes dizem que 85 pessoas morreram vítimas da violência política pré-eleitoral.
O ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, qualificou de farsa a democracia no Zimbábue e lamentou a retirada de Tsvangirai do segundo turno. "Onde o povo teme por sua vida porque vota na oposição a democracia é uma farsa", disse, em uma nota divulgada pelo ministério. "A retirada forçada de Morgan Tsvangirai representa um grave revés para o Zimbábue e toda a região. As circunstâncias de sua decisão me enchem de profunda preocupação". Já o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, pediu sanções contra o regime do "governo brutal" de Robert Mugabe, no poder desde 1980. O premiê citou que desde 2002, a Austrália nega vistos aos altos funcionários do Zimbábwe e proíbe que seus filhos estudem em universidades australianas. "Nós encorajamos o resto dos países a que apliquem sanções similares", disse Rudd. Para ele, eleições justas no país africano são impossíveis devido à violência que o presidente usa contra a população. ONU e UE O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, considerou neste domingo que a retirada de Tsvangirai é um episódio deprimente e um "mau presságio" para o futuro do país. Já para o representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia, Javier Solana, é inaceitável a campanha de violência e intimidação perpetrada pelas autoridades do Zimbábue durante as eleições presidenciais no país. Solana afirmou que as eleições no país viraram uma "paródia de democracia", no mesmo dia em que Morgan Tsvangirai, principal adversário do presidente Robert Mugabe, abdicou de sua candidatura. "Nestas condições, estas eleições, certamente indignas da África de hoje em dia, se transformaram em uma paródia da democracia", afirmou o chefe da diplomacia européia no comunicado. Algumas horas antes, os Estados Unidos haviam anunciado que queriam levar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas a situação política no país africano, após o afastamento de Morgan Tsvangirai. Violência O líder da oposição do Zimbábwe deixou a disputa afirmando que um segundo turno não seria confiável. "Condições como as de hoje [deste domingo] não permitem que a eleição tenha credibilidade", disse Tsvangirai. "Por causa da totalidade dessas circunstâncias, nós acreditamos que é impossível uma eleição confiável. Não podemos pedir para que as pessoas votem no dia 27 de junho quando [sabemos que] aquele voto custará suas vidas. Não participaremos mais da eleição", afirmou o líder da oposição. Com a desistência, o atual chefe de Estado Robert Mugabe é automaticamente reeleito. Mugabe, que está no poder desde 1980, é o mais antigo presidente da África. "Não continuaremos participando desta farsa violenta e ilegítima deste processo eleitoral", assegurou. Segundo Tsvangirai, Mugabe "declarou guerra ao afirmar que as balas de fuzil prevalecem sobre as cédulas de votação". Mugabe e Tsvangirai disputariam na próxima sexta-feira o segundo turno das eleições presidenciais, quase dois meses depois do primeiro duelo e de várias semanas de violência política.
da Folha Online Ed. Angolaxyami
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