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Conversações cruciais em Genebra, destinadas a assegurar um acordo para a liberalização do comércio mundial, fracassaram.
Depois de nove dias de negociações intensas, as conversações ficaram bloqueadas na questão de estabelecer até que ponto as nações em desenvolvimento deviam ser autorizadas a proteger os seus mercados locais das importações dos países mais ricos. O chefe da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, disse que os países membros não conseguiram resolver as suas diferenças. "Penso que não vale a pena continuarmas a insistir. Esta reunião fracassou. Os membros simplesmente não foram capazes de resolver as suas diferenças". . Disputas e tensão . Mas cabe perguntar agora o que é que este fracasso das conversações de Genebra significa na prática para os negócios que querem operar internacionalmente? Conduzirá isto a mais disputas comerciais e tensão política entre os países em desenvolvimento e as nações mais ricas? A batalha para chegar a um acordo de comércio global devia ter-se tornado mais fácil devido à globalização. De facto, tornou-se mais difícil, uma vez que os países por esse mundo fora adoptam medidas fortes para proteger os interesses das suas companhias, comerciantes e agricultores. . Apostas elevadas . Mas as apostas são elevadas. O Banco Mundial calcula que um acordo de Comércio Mundial bem sucedido podia acrescentar 200 mil milhões de dólares por ano à economia global, uma ajuda enorme num tempo de desaceleração económica. Esta ronda de conversações começou sem grandes promessas de sucesso. A França e o Japão, por exemplo, disseram que não estavam interessados em mais compromissos sobre a questão chave da redução de subsídios aos agricultores, um sistema que eles insistem em que ajuda a manter a agricultura tradicional nas comunidades rurais. Sem avanços nesta matéria, os países em desenvolvimento recusaram-se a aceitar um acordo que, segundo eles, colocaria os seus agricultores em desvantagem quando em competição com mercadoris subsidiadas, mais baratas de que eles dizem ser inundados pelos países mais ricos. . Ponto de confronto . Efectivamente, a agricultura representa menos de oito por cento do comércio mundial. Nestas conversações, disputas sobre qual o acesso que a América e a Europa deverão ter ao sector de serviços em rápido crescimento em mercados como a China e a India criou outro ponto sério de confronto. Na ausência de um acordo de comércio global, muitas nações fizeram acordos especiais numa base regional. A União Euroepia é o exemplo mais evidente de uma grande área de comércio livre e, actualmente, há mais de duzentos acordos de comércio internacionais e bilaterais, e espera-se que eles aumentem para quatrocentos até ao fim desta década. . Vizinhos e amigos . Muitos estados poderão não estar preocupados com o colapso das conversaçõe de Genebra, porque eles estão convencidos que podem aumentar as trocas comercias com vizinhos e amigos. No entanto, isto poderá também tornar mais vulneráveis algumas das pessoas mais pobres do mundo. Os negócios nos países em desenvolvimento raramente têm sucesso sem o contacto com o mundo exterior. E se há disputas entre nações ricas e pobres, é provável que sejam os países em desenvolvimento a perder se não houver um conjunto claro de regras sobre como o mundo deve negociar. BBC África
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