"A Rússia respeitou durante mais de 15 anos a integridade territorial da Geórgia", declarou o presidente do Conselho da Federação, Sergueï Mironov, na abertura da sessão.
"Hoje, após a agressão da Geórgia contra a Ossétia do Sul, as relações não serão nunca mais as mesmas", acrescentou, chamando de "genocídio" a ofensiva das forças georgianas nesta república separatista em 7 de agosto.
"Nem a Abkházia, nem a Ossétia do Sul viverão no mesmo Estado que a Geórgia", disse o presidente abkházio Sergueï Bagapch.
O presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoïti, declarou que Tskhinvali, a capital da província, se tornou o "Stalingrado do Cáucaso" numa alusão à batalha de Stalingrado de 1943.
Seis meses após a proclamação da independência de Kosovo, reconhecida pelo ocidente, mas muito criticada por Moscou, que advertiu na ocasião contra um "efeito dominó", o precedente da província sérvia esteve bem vivo na memória nesta segunda-feira.
"A Abkházia e a Ossétia do Sul têm mais razão do que Kosovo para ter sua independência", afirmou o presidente da comissão dos Assuntos Exteriores da Duma, Konstantin Kossatchev.
Sergueï Markov, cientista político e deputado pró-Kremilim, deu a entender que o reconhecimento destas duas regiões separatistas "não é a única solução para Moscou garantir a segurança da população das duas repúblicas".
"Se os instrumentos existentes forem suficientes, então continuaremos o processo de negociações e, se não o forem, então teremos que criar outros instrumentos, como o reconhecimento da independência, que permitiria às forças russas ficarem numa base legal nestes territórios", explicou.
O presidente georgiano, Mikhail Saakachvili, numa entrevista ao jornal francês Libération, denunciou o eventual reconhecimento dos dois territórios como uma "tentativa de mudar as fronteiras da Europa pela força, o que terá resultados desastrosos".
Os Estados Unidos consideraram "inaceitável" a decisão do parlamento russo de "não respeitar a integridade territorial e a soberania da Geórgia".
A Casa Branca anunciou que o destino das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia "não dependia da decisão de um só" país.
Segundo o porta-voz Tony Fratto, os Estados Unidos vão "rever por completo" sua relação com a Rússia, depois de acusar Moscou de não cumprir o acordo de cessar-fogo com a Geórgia.
O vice-presidente americano Dick Cheney deve viajar na próxima semana à Geórgia, assim como à Ucrânia e ao Azerbaijão, três aliados de Washington.
Berlim e Roma pediram ao governo russo que tenha prudência.
No terreno, Tbilisi acusou os separatistas da Ossétia do Sul de terem reforçado sua presença em Akhalgori, um centro georgiano tomado pelos ossetas e os russos em 17 de agosto.
"Os rebeldes ossetas enviaram 16 veículos blindados a Akhalgori e estão aterrorizando a população etnicamente georgiana", afirmou o porta-voz do ministério georgiano do Interior, Chota Outiachvili.
No restabte do país, "nada mudou", acrescentou, numa alusão às posições avançadas das forças russas, principalmente em torno da cidade portuária de Poti.
Enquanto os russos insistem em suas posições, os europeus pedem a adoção de um dispositivo internacional na Geórgia sob controle da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação da Europa).
A Cúpula européia extraordinária convocada pela França para 1º de setembro deve "estudar a retirada russa", declarou nesta segunda-feira o chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, destacando que será necessário acertas politicamente as coisas.
Segundo ele, é preciso enviar observadores por intermédio da OSCE e também observadores da União Européia para analisar os movimentos das tropas russas.
A Rússia por sua vez multiplicou os gestos antiocidentais.
O presidente Medvedev declarou que a Rússia estava pronta até a uma "ruptura relações" com a Otan se a Aliança Atlântica não quiser cooperar.
O premier Vladimir Putin anunciou que seu país considerava a possibilidade de sair de alguns acordos negociados como parte do projeto de adesão da Rússia à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ao final da noite, o cruzador Moskva, da frota russa do mar Negro, comprometido no conflito com a Geórgia, deixou Sebastopol, no sul da Ucrânia, para onde havia zarpado sábado.
Afp















