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Angola Xyami - Notícias de Angola, de África e do Mundo

Portugal: Acção chinesa em África, em especial em Angola beneficia Portugal, diz economista Imprimir e-mail
Escrito por : Cfr. no fim da pág   
11-Jun-2008
A presença crescente da China na África lusófona, em especial em Angola, trará benefícios indiretos para Portugal, com o aumento da capacidade de consumo e investimento dos países africanos.

A opinião é de Luís Brites Pereira, diretor do Centro para a Globalização e Governação da Universidade Nova de Lisboa, que falou à Agência Lusa. O economista foi o orador principal no debate sobre o papel da China no financiamento do desenvolvimento da África, realizado durante a Conferência Anual do Banco Mundial sobre Desenvolvimento Econômico, que ocorre na Cidade do Cabo, África do Sul.
"O benefício [para Portugal] é mais indireto do que direto. Se os países de língua portuguesa estão bem, vão querer comprar coisas, investir, e isso também é bom para Portugal. […] Penso que os chineses não precisam de facilitadores. Eles têm o dinheiro, têm as necessidades e a capacidade de ir à procura e montar os negócios. Nesse aspecto, não têm precisado de Portugal e podem lidar diretamente com os países que lhes interessam", considerou Luís Brites Pereira.

O pesquisador, que está orientando o primeiro estudo sobre os resultados práticos da utilização de Macau como plataforma para os investimentos chineses na África lusófona, destacou: "Não me surpreenderia se esse estudo viesse a revelar que [os chineses] ultrapassam ou não dão o devido papel a esse fórum de Macau".

Na opinião do economista português, a falta de conclusões sobre os reflexos da crescente presença da China na África é extensível aos países lusófonos do continente.

Luís Brites Pereira deu como exemplo o caso angolano, onde a presença chinesa tem maior expressão. Por um lado, a China é evidentemente beneficiada com a parceria, reservando para seu mercado 25% da produção petrolífera angolana. No entanto, "é muito cedo para dizer" quais serão os resultados para Angola, se as contrapartidas "estão ou não sendo bem aproveitadas" e se trarão benefícios no médio e longo prazo.

O economista disse que os resultados dependerão da forma como os países africanos vão administrar a oportunidade de ter financiamento a baixo custo e taxas de juros favoráveis. "Se, por exemplo, o dinheiro vai para educação, para melhorar a qualificação das pessoas, a prazo revela-se um bom investimento", comentou.

A incógnita sobre Angola é, na opinião de Luís Brites Pereira, idêntica à de todo o continente. "Há poucos estudos feitos sobre a [presença da] China na África. Neste momento, existe pouco conhecimento sobre essa relação, apenas alguns dados de comércio, algumas tendências de investimento e de ajuda. Mas como esses três elementos estão entrando na economia exatamente, e que tipo de impacto estão tendo, isso não é conhecido".

O pesquisador português, autor de um estudo sobre as motivações do investimento chinês na África que será apresentado na quinta-feira, identificou o "padrão" da estratégia de Pequim.

"A China prefere economias mais fechadas ao comércio para aproveitar oportunidades de negócio e nichos de mercado que não têm sido aproveitados, e prefere economias com recursos naturais, especialmente o petróleo. [...] No aspecto da ajuda, ela está sempre relacionada com o aspecto das exportações, há uma ligação entre a ajuda e o apoio às empresas exportadoras. Há uma preferência por estabilidade macroeconômica. Depois, existe o aspecto de não prezar muito as instituições e a boa gestão", enumerou.

O debate na conferência do Banco Mundial suscitou mais interrogações do que certezas.

O perigo de o dinheiro não ser usado para fomentar atividades produtivas e conduzir os países africanos ao superendividamento; a emergência de monopólios chineses em alguns países e os entraves que colocam ao surgimento de indústrias locais; as questões da transparência, da corrupção e da marginalização da mão-de-obra local em detrimento de trabalhadores trazidos da China são alguns dos riscos apontados.

Para Stephen Muyakwa, representante de uma organização civil da Zâmbia, a receita para a África se proteger é aprender a negociar em conjunto, criando posição comum no continente e uma relação mais ampla com Pequim.


Fonte:Lusa
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