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"Uma reflexão séria e serena" foi o que pediu hoje o Presidente da República aos cerca de trinta jovens que aceitaram o convite de Cavaco Silva para um encontro sobre “juventude e Política” que decorreu no Palácio de Belém e que já foi criticado pelo Bloco de Esquerda, partido que não foi convidado pela presidência.
António Cotrim, LUSA Cavaco Silva recebeu os jovens para discutir o alheamento destes da política nacional Cavaco Silva pediu uma "reflexão séria e serena" ao grupo de trinta jovens que convidou para um encontro sobre "Juventude e Política" que decorreu no Palácio de Belém com a presença de jovens de todos os partidos políticos com acento no Parlamento com excepção do Bloco de Esquerda. Os jovens do Bloco de Esquerda não foram convidados, formalmente, para este encontro, por este partido não ter uma organização de juventude partidária, segundo explicou a Presidência da República. No entanto, o partido de Francisco Louçã já respondeu dizendo que não tem uma "jota", como acontece com os restantes partidos, mas sim uma estrutura de jovens integrada no Bloco de Esquerda, ao que a Presidência respondeu apresentando um outro critério para os convites e que se relaciona com o facto de terem sido endereçados a jovens que pertençam a uma organização representada no Conselho Nacional da Juventude (CNJ). Polémicas à parte, o objectivo do Chefe de Estado é conhecer a opinião dos líderes juvenis sobre a "realidade do afastamento dos jovens em relação à vida politica" e sobre o que “pode ser feito para inverter a situação”. O Presidente da República confidenciou que os sinais que “foi recolhendo” ao longo dos anos “não são muito animadores” sobre a participação e interesse da juventude nos assuntos políticos já que “contactou com milhares de jovens”, enquanto primeiro-ministro, Presidente da República e como professor universitário e considera o interesse da juventude nos assuntos políticos e cívicos de “muita relevância” para o futuro do país. No encontro que manteve com os jovens, Cavaco Silva teve ainda oportunidade de referir que este “alheamento da juventude é mais grave que o das gerações mais velhas” e pediu uma “reflexão séria e serena" do problema. Após a intervenção inicial de Cavaco Silva, o autor do estudo “Jovens e Política”, Pedro Magalhães, da Universidade Católica Portuguesa, procedeu à apresentação do mesmo com resultados que apontam para um elevado desinteresse dos jovens face às questões políticas. Pedro Magalhães revelou que o seu estudo demonstra que quase todas as faixas etárias possuem a mesma percepção negativa face à política, com 65 por cento dos interrogados a confessarem que a política “lhes interessa pouco”. Jovens querem ajudar Em relação aos jovens convidados, o secretário-geral da Juventude Socialista, Pedro Nuno Santos, referiu que "é preciso desdramatizar o discurso" de Cavaco Silva no 25 de Abril e mostrar que há uma "geração dinâmica e empreendedora" em Portugal. Já o líder da Juventude social-democrata, Pedro Rodrigues, referiu ser este "encontro muito interessante" e que o afastamento dos jovens da política "deve-se também ao afastamento dos políticos dos jovens", aproveitando para criticar o Governo já que considera importante que este "se volte a preocupar com os jovens, que apresente medidas na educação e no crédito à habitação jovem". O líder da Juventude Popular, Pedro Moutinho, confirmou que "é fundamental que os jovens se reaproximem da política" e que, no seu entender, o afastamento da política "está relacionada com a falta de credibilidade de quem está na política e nos partidos". Já a Juventude Comunista Portuguesa foi clara a afirmar que não apresentará medidas concretas já que a participação no encontro foi para "ouvir e discutir ideias". Hoje, ao fim do dia, o Palácio de Belém será palco do anúncio das juventudes organizadas sobre a melhor forma de interessar a esmagadora maioria dos jovens na vida política. RTP
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