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Rússia: Dmitri Medvedev envia recados para o mundo na Parada da Vitória sobre o nazismo Imprimir e-mail
Escrito por .oO( Cfr. no fim da página )Oo.   
09-Mai-2008

Milhares de soldados, centenas de tanques, mísseis e aviões desfilaram hoje em paradas militares realizadas em várias cidades da Rússia para assinalar o 63º aniversário da vitória do Exército Vermelho sobre o nazismo.

A parada "mais militarizada" teve lugar na Praça Vermelha da capital russa, ao fim de um interregno de 18 anos.

A 09 de Maio de 1945, as tropas soviéticas ocuparam Berlim, capital do III Reich alemão, e obrigaram os generais de Hitler a capitular.

Para os russos, a Segunda Guerra Mundial acabou um dia mais tarde do que para a Europa, que celebrou esse acontecimento quinta-feira.

Na Praça Vermelha, a imponente parada militar, uma cópia perfeita dos desfiles militares da era soviética, começou com uma revista às tropas por Anatoli Serdiukov, ministro da Defesa.

Antes das tropas começarem a marcha ao longo das paredes do Kremlin e do Mausoléu de Lénine, Dmitri Medvedev, presidente da Rússia, tomou a palavra para agradecer aos veteranos da Grande Guerra Pátria (nome porque é conhecida na Rússia a Segunda Guerra Mundial de 1939-1945) por "não terem deixado a Rússia ajoelhar-se", por terem "defendido a soberania e independência", "dado uma lição de fé na vitória da verdade e da vida".

Medvedev aproveitou a primeira oportunidade no cargo de Presidente para mandar recados ao mundo e aconselhar a que não sejam esquecidas as lições da Segunda Guerra Mundial.

"Os conflitos armados não começam por si sós, são atiçados por aqueles cujas ambições irresponsáveis imperam sobre os interesses dos países e continentes, sobre os interesses de milhões de pessoas", frisou o novo senhor do Kremlin.

Segundo ele, "não se pode desprezar as normas do Direito Internacional, sem os quais é impossível uma vida segura e uma ordem mundial justa".

"Devemos encarar de forma extremamente séria quaisquer tentativas de semear a inimizade rácica ou religiosa, atiçar a ideologia do terror e do extremismo, as intenções de ingerência nos assuntos internos de outros Estados. E muito mais seriamente as tentativas de rever fronteiras. Não se podem desprezar as normas do Direito Internacional", concluiu.

Na véspera, foi oficialmente anunciado que Dmitri Medvedev escolheu o Cazaquistão e China como destinos das suas primeiras visitas oficiais a países estrangeiros, o que é interpretado por alguns analistas como um sinal das prioridades da Rússia no campo da política externa.

Terminado o discurso, soldados, vestindo fardas da época da Segunda Guerra Mundial e transportando estandartes das dez frente de combate, deram início ao desfile.

Os restantes militares desfilaram com fardas novas, especialmente talhadas para o efeito por Valentim Iudachkin, conhecido costureiro russo de alta moda.

As novas fardas não são do agrado de todos, caso do escritor nacionalista Alexandre Prokhanov, que considerou que os novos fardamentos são "um tanto ou quanto efemininados, não têm a ver com o espírito combativo dos russos".

A direcção russa tentou, tal como na era soviética, impressionar o país e o mundo com os seus armamentos mais modernos: sistema de defesa anti-aérea Tungus, sistema Iskander M, que pode transportar mísseis balísticos, e os mísseis Topol M, também conhecidos como o "escudo nuclear da Rússia", capazes de atingir alvos situados a 10 mil quilómetros de distância.

O voo rasante de aviões e helicópteros foi um dos momentos mais emocionantes da parada militar, principalmente a operação de reabastecimento de aviões de combate em pleno voo, por cima da cabeça dos milhares de pessoas que se encontravam na Praça Vermelha.

Mais de oito mil soldados e 143 tanques, blindados, mísseis e aviões atravessaram a Praça Vermelha para demonstrar ao mundo que a Rússia restabeleceu o seu poderio militar.

"Não se trata de tinir armas, mas demonstrar as possibilidades da Rússia", declarou Vladimir Putin, novo primeiro-ministro do Governo russo, na véspera da parada.

O espectáculo bélico durou pouco mais de sete minutos, mas impressionou muita gente.

"Não esperava ver mais coisas destas. Julguei que tudo tinha terminado em 1991, mas Vladimir Putin conseguiu dar aos veteranos uma alegria", declarou à Lusa Anton Ivanovitch, combatente da Segunda Guerra Mundial.

O antigo Presidente da Rússia, Boris Ieltsin, decidiu suspender as paradas militares com o desfile de armamentos em 1991, devido a dificuldades económicas e com o objectivo de mostrar ao mundo que o seu país deixou de ser uma ameaça militar para o mundo.

Os festejos do 63º aniversário do fim da Segunda Guerra continuaram nas ruas e parques da capital russa, onde centenas de veteranos de guerra, com as suas fardas cobertas de ordens e medalhas, aproveitam a oportunidade para se encontrar com os camaradas de combate ainda vivos.

Paradas militares realizaram-se também pela primeira vez em São Petersburgo, Vladivostoque, Khabarovsk, Kemerovo, Tomsk, Volgogrado (antiga Estalinegrado), Rostov no Don, Ekareimburg e Tchilabinski.

JM

Lusa/Fim

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