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Maricela Daniel, oficial de proteção para a Europa do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), contou nesta terça-feira à Folha Online, por telefone, que está "caótica" a situação dos civis atingidos pelo conflito entre Rússia e Geórgia que começou há cinco dias, na região separatista da Ossétia do Sul.
"Muitos deles saíram correndo de suas casas só com a roupa do corpo e poucos pertences. Outros se perderam de seus parentes, incluindo crianças, e estão perdidos. Alguns estão em estado de choque." Sediada no escritório do Acnur em Genebra, na Suíça, ela integra a equipe de profissionais responsável pelo envio da ajuda humanitária. "Estamos tentando providenciar abrigos para eles dormirem, alimentos e medicamentos, o primeiro tipo de assistência de emergência para vítimas de situações de conflito", acrescentou. O primeiro avião enviado pela ONU para ajudar os civis chegou à Geórgia nesta terça com 34 toneladas de itens de ajuda humanitária, incluindo tendas e cobertores. Segundo a agência das Nações Unidas, um segundo avião desembarca em Tbilisi amanhã. Juntos, os dois vôos fornecerão mais de 70 toneladas de ajuda humanitária para até 30 mil pessoas e irão aumentar o estoque de alguns de itens já distribuídos pelo Acnur na Geórgia. Vítimas O conflito entre a Rússia e a Geórgia na região da Ossétia do Sul já deixou quase 100 mil deslocados, informou nesta terça-feira o Acnur com base em números fornecidos pelos governos dos dois países envolvidos. Autoridades russas na Ossétia do Norte afirmam que cerca de 30 mil pessoas da Ossétia do Sul continuam na Rússia e os georgianos dizem que milhares saíram da Ossétia do Sul para o sul da própria Geórgia. O Acnur estima que até 12 mil pessoas tenham se deslocado dentro da própria região separatista e registra também ampla movimentação dentro da própria Geórgia, incluindo a cidade de Gori --uma das maiores ao sul da Ossétia do Sul. Uma equipe do Acnur que chegou a Gori no domingo (10) ouviu de autoridades locais que até 80% da população havia fugido, temendo novos ataques --o que equivaleria a cerca de 56 mil pessoas se deslocando. As autoridades dizem que a maioria foi na direção de Tbilisi e que voltaria para casa assim que a ameaça diminuir. CAROLINA MONTENEGRO colaboração para a Folha Online
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