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Angola Xyami - Notícias de Angola, de África e do Mundo

Usa/Eleições: Discurso de Barack Obama após vitória na Carolina do Norte Imprimir e-mail
Escrito por .oO( Cfr. no fim da página )Oo.   
08-Mai-2008

O Angolaxyami traz em esclusiva o discurso de agradecimento feito por Barack Obama na Carolina do Norte. Como bem sabeis, estamos acompanhando as eleições americanas 2008 em modo cerrado e esperamos na vossa colaboração naquilo que pensis útil neste momento.

Obrigado. Muito obrigado a todos.

Gostaria de agradecer a Kim Winns pela maravilhosa apresentação, aos notáveis membros da bancada da Carolina do Norte no Congresso que me apoiaram em todos os momentos, ao seu líder, o deputado David Price, e sua mulher, Lisa; ao deputado Mel Wart, ao deputado G. K. Butterfield: obrigado a todos vocês.

Obrigado a James Oblinger, chanceler da Universidade Estadual da Carolina do Norte, aos funcionários eleitos do Estado, dos condados e dos municípios e acima de tudo aos meus voluntários da Carolina do Norte, que tanto trabalharam...

Esta vitória pertence a vocês.

Vocês sabem que havia gente dizendo que a Carolina do Norte viraria o jogo, nesta eleição. Mas hoje a Carolina do Norte decidiu que o único jogo que precisa ser virado é aquele que está sendo travado em Washington.

Quero começar congratulando a senadora Clinton por sua aparente vitória no grande Estado de Indiana. Quero agradecer a todas as pessoas ­a todas as maravilhosas pessoas de Indiana que tanto trabalharam por nós.

O povo de Indiana não podia ser melhor. Trabalharam de maneira incansável, e sempre lhes serei grato.

E quero agradecer, evidentemente, o povo da Carolina do Norte.

Quero agradecer vocês por nos concederem a vitória em um grande Estado, em um Estado decisivo, em um Estado no qual competiremos para vencer caso eu seja escolhido como candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos.

Quando esta campanha começou, Washington não considerava que tivéssemos muita chance, vocês sabem. Mas porque vocês saíram às ruas apesar do frio intenso e bateram em portas, contactatam seus amigos e vizinhos em nome da causa; porque vocês enfrentaram os cínicos, os hesitantes e os pessimistas, quando estávamos por cima e quando estávamos por baixo; porque vocês ainda acreditam que este é nosso momento e nossa hora de mudar a América, hoje estamos a menos de 200 delegados de distância de garantir a indicação democrata à Presidência dos Estados Unidos.

O mais importante é que, por causa de vocês, vimos que é possível superar a política da divisão e a política do desvio, que é possível superar os mesmos velhos ataques negativos cujo objetivo único é prejudicar os adversários, sem resolver quaisquer de nossos problemas.

Vimos que o povo norte-americano não quer saber de manipulação. Eles desejam respostas honestas sobre os desafios que temos de enfrentar. É isso que vocês realizaram na campanha, e é assim que, juntos, pretendemos mudar o país.

Esta vem sendo uma das mais longas e mais renhidas disputas na história dos Estados Unidos. E isso se deve em parte ao fato de que, na senadora Hillary Clinton, temos uma notável adversária.

Hoje, muitos especialistas sugeriram que o este partido está insuperavelmente dividido, que os eleitores da senadora Clinton não me apoiarão e que meus eleitores não a apoiariam. Bem, estou aqui esta noite para lhes dizer que não acredito nisso.

Sim, sim, houve sentimentos magoados, de ambos os lados. Sim, os dois lados desejam desesperadamente que seu candidato vença. Mas, em última análise, esta disputa não gira em torno de Hillary Clinton, de Barack Obama ou de John McCain.

Esta eleição gira em torno de vocês, o povo dos Estados Unidos.

Ela determinará se teremos um presidente e um partido capazes de nos conduzir a um futuro mais brilhante.

A temporada de primárias talvez ainda não esteja encerrada, mas quando estiver teremos de nos lembrar quem somos como democratas. Somos o partido de Jefferson, de Jackson, de Roosevelt e Kennedy, e apresentamos nosso melhor desempenho quando lideramos com princípios, quando lideramos com convicção, quando convocamos todo o país a um propósito comum e a um propósito maior.

No final deste ano, pretendemos marchar unidos como partido, unidos por uma visão comum quanto ao país, porque todos nós concordamos que, neste momento de definição para a nossa história, um momento em que enfrentamos duas guerras, problemas econômicos, um planeta em perigo e o fato de que, para muitos norte-americanos, o sonho parece estar se esvaindo, não podemos conceder a John McCain a chance de cumprir o terceiro mandato de George Bush.

Precisamos de mudança na América. E é por isso que estaremos unidos em novembro.

A mulher que conheci em Indiana e tinha acabado de perder seu emprego, sua aposentadoria e seu plano de saúde quando a fábrica em que trabalhou a vida inteira foi fechada -ela não pode arcar com mais quatro anos de isenções tributárias para empresas como aquela que transferiu o emprego dela ao exterior. Ela precisa que concedamos isenções tributárias a companhias que criem bons empregos bem aqui nos Estados Unidos.

Ela não pode arcar com mais quatro anos de isenções tributárias a presidentes de empresas como aquele que deixou sua companhia levando uma bonificação milionária. Ela precisa de alívio tributário que beneficie a classe média e a ajude a enfrentar a disparada nos preços dos alimentos, da gasolina e das mensalidades universitárias.

E é por isso que estou disputando a presidência dos Estados Unidos da América.

A universitária que conheci em Iowa e trabalha em turno noturno depois de um dia inteiro de aulas mas ainda assim não consegue pagar um plano de saúde para a irmã doente: ela não pode arcar com mais quatro anos de um plano de saúde que só cuida dos saudáveis e dos ricos, e permite que as seguradoras discriminem os norte-americanos que mais precisam de cuidados, negando-lhes cobertura.

Ela precisa que nós nos levantemos contra essas empresas e aprovemos um plano que reduza os prêmios pagos por todas as famílias e propicie aos norte-americanos sem planos de saúde cobertura semelhante à que os membros do Congresso conferem a eles mesmos. É por isso que estou disputando a presidência dos Estados Unidos da América.

A mãe do Wisconsin que me deu um bracelete no qual está inscrito o nome do filho que ela perdeu no Iraque, as famílias que oram pelo retorno de seus entes queridos, os heróis que estão em sua terceira, quarta ou quinta temporada de serviço de guerra ­elas não podem arcar com quatro anos mais de uma guerra que não deveria ter sido autorizada e não deveria ter sido travada.

Não podem arcar com mais quatro anos de quartéis inadequados e tratamento de saúde ineficiente para os nossos veteranos.

E não querem ver veteranos vivendo nas ruas. Não querem ver veteranos esperando anos pelos pagamentos de suas pensões, ou tendo de viajar longas horas a fim de receberem tratamento.

Elas precisam que ponhamos fim a uma guerra que não está aumentando nossa segurança. Precisam que as tratemos com o cuidado e respeito que merecem. É por isso que estou disputando a presidência.

O homem que conheci na Pensilvânia e perdeu seu emprego, mas não tem dinheiro para pagar pela gasolina que gastaria procurando por outro ­ele não pode arcar com mais quatro anos de uma política energética escrita por empresas petroleiras e para empresas petroleiras, uma política que não só mantém os preços da gasolina em nível recorde mas financia ambos os lados na guerra contra o terrorismo e destrói nosso planeta.

Ele não precisa de mais quatro anos de políticas em Washington que soam boas, mas não resolvem o problema. Precisa que abandonemos para sempre nosso vício em petróleo por meio da adoção de padrões de consumo mais severos pelas montadoras de automóveis, de taxas que as empresas terão de pagar pela poluição que causam e de medidas que forcem as empresas petroleiras a investir os lucros recorde que vêm obtendo em um futuro de energia limpa.

Esta é a mudança de que precisamos. E é por isso que estou disputando a presidência dos Estados Unidos da América.

As pessoas que conhecemos em pequenas e grandes cidades de todo o país compreendem que o governo não pode resolver todos os problema, e não esperamos que o faça. Acreditamos em trabalho árduo; acreditamos em responsabilidade pessoal e auto-suficiência.

Mas também acreditamos que tenhamos uma responsabilidade maior uns para com os outros, como americanos, e que a América seja o lugar ­que ela seja o lugar em que você tem chance de sucesso desde que se disponha a tentar, o lugar em que, não importa quanto dinheiro você tenha, ou de onde você venha, ou quem sejam seus país, existe oportunidade para quem quer que esteja disposto a aproveitá-la e trabalhar por ela.

É a idéia de que, embora a vida tenha poucas garantias a oferecer, todo mundo deveria poder contar com um emprego que pague suas contas, tratamento de saúde em caso de doença, aposentadoria para a velhice, e uma educação para os filhos que lhes permita realizar o potencial que Deus lhes concedeu. É essa a América em que acreditamos. É essa a América que conhecemos.

É este o país no qual meu avô teve a oportunidade de ir à universidade com financiamento do governo, depois de servir o exército na Segunda Guerra Mundial; o país que deu a ele e à minha avó a oportunidade de comprar sua primeira casa com um empréstimo da Administração Federal da Habitação.

É este o país que tornou possível que minha mãe, mãe solteira que em determinado momento teve de sobreviver com ajuda do seguro social, matriculasse minha irmã e eu em algumas das melhores universidades do país, com a ajuda de bolsas.

Este é o país que permitiu ao meu sogro, um operário em uma usina de filtragem de água em Chicago, sustentar sua mulher e seus dois filhos apenas com o seu salário.

Estou falando de um homem que, aos 30 anos, teve diagnosticada uma esclerose múltipla, que dependia de um andador para chegar ao trabalho e que ainda assim jamais faltava, e trabalhava com o máximo esforço para que pudesse enviar minha mulher e seu irmão às melhores universidades do país.

E quando ele falava sobre seu emprego, ele expressava que era importante não só por lhe propiciar um salário, mas porque definia sua dignidade, seu respeito próprio, sua auto-estima. Era uma América que não recompensava apenas a riqueza, mas sim o trabalho e os trabalhadores que a criavam.

É esta a América que eu amo. É esta a América que vocês amam. É esta a América pela qual estamos lutando nesta eleição.

Em algum ponto do caminho, em meio a todas as contendas, ao tráfico de influência e à manipulação que caracterizaram as últimas décadas, Washington e Wall Street perderam o contato com esses valores essenciais, com esses valores americanos.

E embora eu respeite o serviço que John McCain prestou ao país, as idéias que ele oferece quanto à América estão fora de contato com esses valores essenciais. Os planos dele para o futuro -continuar com uma guerra que não reforçou nossa segurança, continuar as políticas econômicas de George Bush que, segundo ele, propiciaram grande progresso- representam nada mais que a repetição de políticas que fracassaram no passado.

Os planos de vitória de McCain em novembro parecem vir do mesmo arsenal que seu partido vem empregando em eleição após eleição.

Sim, nós sabemos o que está por vir. Nós já vimos antes, os mesmos nomes e rótulos que eles costumam aplicar a quem quer que discorde de todas as suas idéias, os mesmos esforços de nos desviar das questões que afetam nossas vidas, aproveitando cada lapso, cada associação, cada falsa controvérsia, na esperança de que a mídia os ecoe.

As tentativas de manipular nossos medos e explorar nossas diferenças, nos voltar uns contra os outros para fins políticos, retalhar o país em Estados conservadores e Estados liberais, operários e executivos, negros, marrons e brancos, velhos e jovens, ricos e pobres... é isso que esperamos deles, não importa que o indicado seja a senadora Clinton ou que a tarefa me caiba. A questão, portanto, não é descobrir que campanha eles travarão, mas sim definir que campanha nós travaremos.

É isso que tornará este ano diferente. Vocês vêem, não entrei na disputa imaginando que me seria possível evitar esse tipo de política, mas chegou a hora de pôr fim a isso.

Nós o faremos ­e o faremos desta vez não porque eu seja perfeito. Creio que todos sabemos, a essa altura da campanha, que não sou.

Mas poremos fim a isso ao não reproduzir as táticas e as estratégias do lado oposto, porque elas nos conduzirão ao mesmo percurso de polarização e impasse.

Nós poremos fim a isso dizendo a verdade.

Poremos fim a isso dizendo a verdade de maneira vigorosa, repetida e confiante, e confiando em que o povo dos Estados Unidos acatará a necessidade de mudança, mesmo que a idéia lhe seja proposta por um mensageiro imperfeito, porque é assim que nós ­que nós sempre mudamos este país: não de cima para baixo, mas de baixo para cima, quando vocês, o povo dos Estados Unidos, decidem que há muito em jogo e que os desafios são sérios demais.

O outro lado pode rotular e insultar quanto quiser, mas confio em que o povo norte-americano reconheça que não é rendição pôr fim à guerra no Iraque para que possamos reconstruir nossas forças armadas e sair em perseguição aos líderes da Al Qaeda.

Confio em que o povo dos Estados Unidos compreenderá que não se trata de fraqueza, mas sim de sabedoria, conversar não apenas com os nossos amigos mas também com os inimigos, como fizeram Roosevelt, Kennedy e Truman.

Confio em que o povo norte-americano compreenda que, embora não precisemos de um governo grande, precisamos de um governo que defenda as famílias que estão perdendo suas casas devido às trapaças dos predadores de Wall Street, um governo que defenda a classe média concedendo-lhe isenções tributárias, um governo que garanta que norte-americano algum perderá suas economias de toda uma vida simplesmente porque um filho adoece.

Segurança e oportunidade, compaixão e prosperidade, não são valores liberais. Não são valores conservadores. São valores americanos, e é por eles que estamos lutando nesta eleição.

Acima de tudo, confio em que o povo dos Estados Unidos não mais deseje ser definido por suas diferenças, porque não importa onde eu tenha ido no país, dos milharais de Iowa às indústrias têxteis das Carolina, das ruas de San Antonio às colinas da Geórgia, percebi que, embora possamos ter histórias diferentes, temos esperanças comuns.

Podemos não ter aparências semelhantes, ou a mesma origem, mas desejamos nos mover na mesma direção ­a de um futuro melhor para nossos filhos e netos. É por isso que estou disputando a presidência.

Amo demais este país para que suporte vê-lo dividido e desorientado neste momento crítico de nossa história.

Acredito em nossa capacidade de aperfeiçoar este país, porque esta é a única razão para que eu possa estar aqui, hoje. Conheço a promessa da América, porque a vivi; Michelle a viveu; vocês a viveram.

É a luz da oportunidade que convenceu meu pai a atravessar um oceano; são os ideais fundadores que a bandeira que envolveu o caixão de meu pai representam: vida, liberdade e a busca da felicidade.

É uma verdade simples que aprendi anos atrás quando trabalhava à sombra das siderúrgicas fechadas no South Side de Chicago: neste país, é possível obter justiça contra as mais fortes expectativas, e a esperança pode renascer depois dos momentos mais escuros.

E quando nos dizem que não é possível promover a mudança que procuramos, respondemos em uníssono: "Sim, nós podemos".

Assim, Carolina do Norte e América, jamais esqueçam que esta eleição não gira em torno de mim ou de qualquer candidato. Não esqueçam nunca de que esta campanha gira em torno de vocês. Em torno de suas esperanças, de seus sonhos, de seus esforços, de suas aspirações; em torno de garantir sua parte no sonho americano.

Jamais esqueçam que temos escolha, neste país, que podemos escolher não estarmos divididos, que podemos escolher não ter medo, que podemos ainda escolher este momento como, enfim, o momento da união, para resolver os problemas de que temos falado por tantos anos e em tantas outras eleições.

Desta vez, as coisas podem ser diferentes do passado. Desta vez, podemos derrotar aqueles que dizem que a estrada é longa demais, a escalada muito íngreme, que não mais podemos obter a mudança que desejamos.

Esta é nossa hora de responder ao chamado que tantas gerações de norte-americanos responderam no passado, insistindo em que, por meio do trabalho e do sacrifício, o sonho americano possa perdurar.

Obrigado a todos. Obrigado, Carolina do Norte.

Que Deus os abençoe e abençoe os Estados Unidos da América. Obrigado. Obrigado a todos.

Tradução de Paulo Migliacci
da Folha de S. Paulo

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