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A indústria angolana de petróleo e gás vai receber investimentos de 100 mil milhões de dólares (63 mil milhões de euros) nos próximos cinco a sete anos, aumentando a sua capacidade produtiva para manter o título de principal produtor africano. Discursando em Madrid no XIX Congresso Mundial de Petróleo, Manuel Vicente, o presidente da petrolífera estatal angolana, Sonangol, adiantou que os investimentos em actividades de produção e exploração têm em vista "assegurar durante cinco anos [até 2014] o nível de produção", que actualmente se aproxima dos 2 milhões de barris diários, acima do habitual maior produtor africano, a Nigéria.
"De acordo com o nosso perfil de produção e as nossas reservas, podemos manter este ritmo de produção durante quatro ou cinco anos", referiu Manuel Vicente, citado pela agência francesa AFP. O investimento na exploração, adiantou, prevê a abertura de 100 poços petrolíferos por ano, nos próximos dez anos. O presidente da Sonangol salientou ainda que o esforço angolano permite "participar na estabilização do preço do petróleo", actualmente em níveis recorde nos mercados internacionais. As reservas petrolíferas provadas em Angola ascendem actualmente a 12,5 mil milhões de barris, segundo estimativas da Sonangol. Desidério Costa, ministro dos Petróleos angolano, afirmou em Madrid que a produção angolana deverá aumentar dos actuais 1,9 milhões para dois milhões de barris por dia "até final do ano", depois do administrador da Sonangol Syanga Abílio ter dito segunda-feira à agência de notícias angolana que a meta será alcançada já em Agosto. Em entrevista à agência Bloomberg em Madrid, Syanga Abílio afirmou hoje que a média de produção ao longo do ano respeitará a quota atribuída pela Organização de Países Exportadores de Petróleo (1,9 milhões de barris diários). "Não temos quaisquer problemas com a OPEP", afirmou o administrador da petrolífera estatal angolana, frisando o objectivo de produzir uma média de dois milhões de barris diários a partir de 2009, e manter o ritmo até 2014. A produção de petróleo de Angola manteve-se em Maio, pelo segundo mês consecutivo, como a maior de África sub-saariana, acima da nigeriana, que tem sido afectada por greves e atentados contra instalações petrolíferas, segundo dados da OPEP. Em Maio, Angola produziu 1,902 milhões de barris por dia, ultrapassando de novo a Nigéria cuja produção foi de 1,889 milhões de barris. Em Abril, a produção de Angola foi de 1,882 milhões de barris por dia, tendo a Nigéria produzido 1,824 milhões. Nos próximos meses, os programas de exportação conhecidos - de petrolíferas como a BP, Total, Chevron ou Exxon Mobil - apontam para valores superiores em Angola. A produção angolana aumentou no ano passado 18 por cento, para uma média diária de 1,61 milhões de barris por dia, segundo dados da Agência Internacional de Energia. O país lusófono é actualmente origem de cinco por cento das importações petrolíferas norte-americanas (496 mil barris diários) e no primeiro trimestre do ano foi o principal fornecedor de petróleo da China, ultrapassando a Arábia Saudita, graças a um aumento de 55 por cento nas suas exportações para o país asiático. A indústria, de longe a maior fonte de receitas do país, deverá receber nos próximos anos investimentos vultuosos na produção de gás natural liquefeito (GNL) em duas novas refinarias (ambas no Lobito) e na expansão da existente em Luanda, que lhe permitirão ser auto-suficiente na produção de combustíveis. PDF Lusa
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