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Os angolanos estão mais interessados em investir em Portugal e construir parcerias do que em vir gerir as empresas onde investem, defende o presidente e accionista do Banco BIC.
"Os angolanos não estão nada preocupados em vir gerir as empresas em que investem em Portugal. Não é isso que querem, o que querem é investir", afirmou Fernando Teles em declarações hoje à agência Lusa.
Questionado sobre como veria a nomeação para cargos executivos, em órgãos de gestão de empresas portuguesas por empresas angolanos que nelas invistam, o gestor advogou que "não é isso que os angolanos querem".
Até porque, reconheceu, "há ainda falta de quadros superiores em Angola", com as empresas angolanas a irem recrutá-los ao exterior, embora haja já "novos quadros angolanos com muito boa formação, formados nas melhores escolas de Londres e dos Estados Unidos".
"Os angolanos querem é investir e estabelecer parcerias (...), preocupando-se obviamente que os seus investimentos sejam bem geridos, e não em gerar conflitos", reafirmou.
Outras empresas, como a Endiama, por exemplo, "é natural que queiram diversificar os seus investimentos e investir em Portugal", disse Fernando Teles, seguindo o que a Sonangol já está a fazer, nomeadamente com participações qualificadas na Galp Energia [via Amorim Energia] e BCP.
Fernando Teles referiu que "há 12 mil milhões de dólares de reservas" em Angola, considerando "natural" que os angolanos queiram internacionalizar os seus investimentos.
"Já estão a fazê-lo e até há já retorno [a Angola] desses investimentos", disse.
Um exemplo, adiantou, é na área da agro-pecuária, em que "um empresário angolano com investimentos no Brasil em terras e criação de gado começou agora a exportar parte desse gado para Angola".
No sentido inverso, "as pessoas e os empresários portugueses têm que acreditar que Angola vai ser uma grande potência mundial", sustenta o gestor, e por isso investir no país.
"Oferece grandes oportunidades em áreas diversas", sustenta, como as infra-estruturas, o turismo e a hotelaria, mas também a agro-pecuária e outras, além das mais conhecidas e já exploradas como o petróleo ou os diamantes.
O ferro de Cassinga, o ouro, o magnésio, o alumínio e o cobre de Angola estão ainda por explorar, recordou o presidente executivo do Banco BIC em Angola, que falava á margem da apresentação do BIC português, que hoje iniciou a sua actividade.
F: NL
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