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Angola Xyami - Notícias de Angola, de África e do Mundo

A "Bartolada" do Ernesto Bartolomeu teve efeito de pedra no charco, por Celso Malavoloneke Imprimir e-mail
Escrito por : Cfr. no fim da pág   
14-Jun-2008

Luanda - Ao contrário do que acontece quando casos do género se dão com as outras classes, verifica-se um estranho mutismo da parte dos jornalistas em geral em relação às recentes declarações do Ernesto Bartolomeu, que lhe valeram uma «suspensão». As aspas justificam-se precisamente porque nem sequer é claro se o Ernesto está mesmo suspenso ou não.

O que é claro é que o Ernesto disse que há na TPA (e por arrasto eventualmente na media pública) pressões extra-jornalismo que acabavam por pesar na hierarquização das notícias. Presume-se que estas pressões venham do MPLA ou arredores, o que, a ser verdade, é um assunto que deveria merecer uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Mas para quê (Par) lamentar se já sabemos o quanto a casa gasta? Infelizmente, e ao contrário dos juristas, economistas, engenheiros ou professores, ainda somos poucos os que tiveram o privilégio de possuir formação superior em Comunicação Social.

Isso por conta do relativamente pouco tempo em que temos Universidades a leccionar este ramo do saber. Os poucos que somos têm por isso a responsabilidade acrescida de, nestes casos, promover um debate académico, ou pelo menos com algum rigor científico quando coisas dessas acontecem. É o que tentarei fazer agora neste texto. Nesta era chamada «da Informação» os jornalistas – os tais que (inter) mediam as informações – exercem um papel cada vez mais poderoso. Aos pontos que, depois de 1950, começaram a surgir estudos sobre a forma como estes exercem este Poder.

 A questão de base era mesmo que legitimidade tinha essa tal Poder, que alguns já consideraram o quarto, depois do executivo, legislativo e judicial. Questões ou não questões, os operadores da media, particularmente os jornalistas, possuem mesmo Poder, gostem os políticos ou não, e exercem-no, bem ou mal. Que Poder têm os jornalistas então? Segundo o comunicólogo David White, depois secundado por Westley e McLean, eles têm em primeiro lugar o poder de «filtrar» as notícias. São os jornalistas, quais porteiros, que decidem quais os acontecimentos que merecem ou não merecem ser levados a público.

Para essa selecção usam vários critérios, como a proximidade, o momento do acontecimento, o impacto, a consonância, a intensidade, etc. No final, são eles que decidem quais os assuntos que serão noticiados ou não. Por força disso, dizem os mesmos estudiosos, eles acabam por ser quem define a agenda da Sociedade. Como as pessoas só falam do que ouvem, as notícias seleccionadas pelos jornalistas acabam sendo o assunto do momento. E o inverso também é verdade: os assuntos que os jornalistas preteriu nem sequer são falados, por mais importantes que possam ser. É o tal fenómeno do «gatekeeping» – guarda do portão por onde passam as notícias – do «newsmaking» – a selecção das notícias – e do «agenda setting», o estabelecimento da «ordem do dia», teoria da comunicação aperfeiçoada por Galtung e Ruge em 1965.

O exercício da mediação da Informação pelos jornalistas foi desde esta altura sujeito a rigoroso controlo ético, para evitar os excessos, alguns deles de consequências verdadeiramente nefastas, acontecidos durante a Segunda Guerra Mundial. O jornalista deve apenas fidelidade aos critérios puramente ligados ao interesse público e sempre objectivando informar com verdade e isenção. Por isso na maior parte dos Países a actividade jornalística é protegida por Lei, por um lado, e regulada por códigos formais de ética e deontologia. No nosso País, o Ismael Mateus bem que tentou, na sua vigência enquanto SG do Sindicato dos Jornalistas, mas «desconseguiu» por razões meramente subjectivas. Voltando ao caso do Ernesto Bartolomeu – cuja coragem deve ser saudada – o que ele disse situa-se no foro ético. Um jornalista senioríssimo como o EB não pode, de facto, pactuar com coisas dessas. Se alguém pressiona os editores para que dêem mais ênfase a A em detrimento de B isso fere gravemente a isenção que um jornalista deve observar no sentido de nunca manipular as informações que selecciona. Qualquer jornalista tem a obrigação de não só recusar-se a entrar nesses jogos, como até a denuncia-los como práticas anti-constitucionais. Por outro lado, e por tratar-se de assunto de foro ético, a direcção da TPA não tem legitimidade para instaurar um processo disciplinar ao jornalista, nem de considerar que ele terá passado informações sigilosas em foro impróprio.

 Ao fazer isso, admite implicitamente a existência de tais práticas – e todo o mundo sabe que à boca pequena diz-se existirem - e candidata-se a uma sindicância do Parlamento. Por outras palavras, torna-se questionável até a tal «suspensão» que se diz ter sido aplicada pela comissão do «amigo» Isidro Sanhanga. Esta é a minha modesta contribuição para o debate que já começa a fazer falta. Espero que não me xinguem por achar que a «bartolada» do Ernesto constitui hoje por hoje uma verdadeira pedra no charco no nosso espectro comunicacional.

 

Fonte: SA

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Comentários (3)Add Comment
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escrito por DEDALDINO FRANCISCO DOMINGOS, Julho 31, 2008
no meu caso senhor dos santos não quer ver o bem do povo
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escrito por Filipe Capingana Funete, Julho 10, 2008
O Ernesto Bartolomeu é um jornalista realista ele não poderia ser suspenso porque já está cansado de muita verdade, quiz dispertar o seu povo mas o Ditador Dos Santos privou um bom homem da verdade Dos santos quer que o seu povo continua na obseção, por mais mais que privam vários jornais,matam jornalista, suspendem, as Rádios nós não iremos votar ao MPLA porquejá estamos cansado de muita verdade queremos ver outro partido no poder.
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escrito por Luis Alves Manuel, Junho 16, 2008
Realmente se nao tivermos homens livres cheo de coragem como Ernesto Bartolomeu, Dr. david Mendes Isaias Samacuva e otros jamais seremos um povo feliz. a felicidade será sempre do clan dos santos.
Eu posso vender tudo, menos a minha consciencia e minha liberdade.
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