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A implacável lei do mercado ou a inevitável recessão: o combate à inflação é a única arma disponível |
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Escrito por : Cfr. no fim da pág
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07-Jul-2008 |
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O combate à inflação é a única arma disponível contra uma crise ainda mais profunda que a já inevitável na zona euro. Nem pessimistas, nem optimistas, temos de ser realistas. Não existe a escolha entre recessão ou inflação. O que se pode escolher é entre uma recessão mais grave com inflação ainda mais alta ou uma recessão moderada com inflação mais baixa. O combate à inflação é a única arma disponível contra uma crise ainda mais profunda que a já inevitável na zona euro. Nem pessimistas, nem optimistas, temos de ser realistas. Não existe a escolha entre recessão ou inflação. O que se pode escolher é entre uma recessão mais grave com inflação ainda mais alta ou uma recessão moderada com inflação mais baixa.
Os dois anteriores choques petrolíferos, em 1973 e 1979, foram seguidos por recessões. O futuro pode não ser exactamente igual ao passado mas, na actual conjuntura, é muito provável que o seja. Na versão optimista, poderemos até considerar como um caso de 'sorte' se a crise não for mais grave.
Os choques que todo o mundo enfrenta neste momento, e a Europa em particular, assumem uma dimensão histórica no horizonte do pós-guerra mundial.
O preço da energia fóssil está desde o início de Janeiro acima dos anteriores choques petrolíferos, os preços de produtos alimentares básicos como o trigo atingem valores historicamente elevados e o sistema financeiro vive tempos de insegurança.
Tudo muito parecido com os anteriores choques petrolíferos. Com uma pequena grande excepção: a massiva destruição de "dinheiro", determinada pela implosão do mercado de crédito à habitação de alto risco. Um problema iniciado há um ano e ainda longe de estar ultrapassado, como se verifica pelas notícias frequentes de problemas neste ou naquele banco. Mesmo antes dos bancos centrais terem começado a subir a taxa de juro para combater a inflação, já os "compradores e vendedores de dinheiro" tinham começado a aumentar o seu preço.
Os efeitos deste contínuo terramoto com quase um ano podem ser parcialmente imprevisíveis. Certo é o abrandamento da actividade económica, já visível, e inevitável a recessão, entendida como uma quebra na produção.
É uma ilusão acreditar que algum governo consegue impedir a crise instalada. É como tentar parar o vento com a mão. Ele passa, quer se queira, quer não. E é um erro defender que as taxas de juro, reduzidas ou não agravadas, moderam o impacto. É como tentar parar um 'tsunami' com a mão. Ele leva-nos consigo.
A decisão de ontem do BCE, de aumentar a taxa de juro, é um importante, se não mesmo o único possível, contributo para impedir uma recessão mais grave. Quanto mais resistirmos em aceitar reduzir o nosso nível de vida, ajustando-nos ao corte de rendimento induzido pela subida dos preços do petróleo e das matérias primas mais se agrava a recessão. E é isso que o BCE está a fazer, a forçar-nos a apertar o cinto, para que não fiquemos quase sem calças.
A subida dos preços da energia e das matérias primas agrícolas significa subida de custos para as empresas. As que puderem aumentam os seus preços de venda, as outras fecham as portas. E assim começa o ciclo de subida de preços e redução da produção, com o inevitável desemprego. Se de seguida chegarem os aumentos salariais para não apertar o cinto, os custos voltam a subir, os preços aumentam de novo nas empresas que o conseguem fazer, enquanto outras fecham as portas e a produção volta a reduzir-se. É a conhecida espiral inflacionista e o infernal círculo de crise. A subida das taxas de juro é o único remédio que se conhece para romper o círculo com menos falências e desemprego.
A crise é certa. Apenas pode ser moderada.
Por: Helena Garrido - Jornal de Negócios
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