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Angola Xyami - Notícias de Angola, de África e do Mundo

A juventude africana, o dinheiro e o futuro de África, Sousa Jamba Imprimir e-mail
Escrito por .oO( Cfr. no fim da página )Oo.   
30-Abr-2008

Pertenço a uma geração de africanos que cresceu dando importância a filosofias que prezavam um certo comunitarismo. Na Zâmbia, onde vivi dos 8 aos 19 anos, havia o humanismo do Presidente Kaunda.

Mesmo no Quénia ou na Costa do Marfim, onde os velhos Kenyatta e Boigny diziam que o mercado livre era a melhor via para o continente, dava-se enorme ênfase à cultura africana e ao sentimento de família. Hoje, a ortodoxia mudou: do Cabo ao Cairo, todo o mundo fala incessantemente de como fazer dinheiro.

Nas universidades africanas, os cursos mais preferidos têm todos a ver com o comércio: Contabilidade, Gestão, Gestão de Recursos Humanos etc. São poucos os alunos que querem estudar Sociologia. Ao invés de estudarem Karl Marx, muitos jovens africanos andam mais interessados no Warren Buffet, o homem mais rico do mundo.

Recentemente, a BBC publicou uma notícia segundo a qual a revista americana A Forbes incluiu o sul-africano Patrice Motsepe e o nigeriano Aliko Dangonte, dois empresários negros, na sua lista anual dos bilionários do mundo. Agora, muitos jovens africanos querem saber o segredo que está por detrás do sucesso dos novos bilionários.

Uma outra razão que faz com que muitos jovens estejam tão interessados em assuntos empresariais tem a ver com a diáspora africana que, em geral, opta por profissões que lidam com o dinheiro, como a Contabilidade. Não é sem razão que vemos a multiplicação de pequenos empresários um pouco por toda a África.

Infelizmente, os empresários africanos, mesmo os jovens, estão a transportar os maus hábitos da administração governamental para o sector privado - e isto entristece-me muito.

Uma empresa existe para gerar lucros: os gerentes traçam uma estratégia de como, utilizando os meios materiais, intelectuais, humanos etc. etc. este objectivo final pode ser alcançado.

As empresas que mais facilmente atingem esses objectivos são aquelas geridas com visão, capacidade de trabalho, e que inspiram confiança. Em várias partes do continente africano noto nas empresas uma falta de motivação.

Em muitos casos, a recepcionista dá a entender a todo mundo que visita a empresa que ela prefere passar o tempo à conversa ao seu telefone do que a lidar com as pessoas. Nada me irrita mais do que ir a um escritório e encontrar uma recepcionista que me faz entender que interrompi uma conversa muito importante que estava a manter no seu telefone celular.

Este tipo de comportamento numa instituição governamental pode ser entendido. Porém, numa empresa privada isto não pode ser aceite. Em inglês existe os «Gate Keepers», o indivíduo que abre as portas de acesso ao chefe.

Em muitas instituições governamentais, onde o acesso ao chefe significa poder e dinheiro, a existência dos «Gate Keepers» é, de certa forma, compreensível. Não raras vezes, os Gate Keepers (porteiros) das instituições governamentais querem saber minuciosamente o que o visitante pretende transmitir ao chefe.

Não poucas vezes, a visitantes menos afortunados os porteiros pedem que exponham por escrito as suas preocupações e aguardem em casa o feed back do chefe. Fico muito surpreendido quando, em muitas empresas africanas, noto a presença de porteiros a impedir o acesso ao chefe - neste caso aos gerentes da organização.

No mundo em que vivemos, muitos negócios são feitos através de sinergias. Os bons gerentes são aqueles que conseguem identificar as capacidades de vários operadores nos seus ramos.

Isto significa que eles precisam de ter uma rede boa de contactos. Os bons gerentes são, também, aqueles que conseguem antecipar a competição - ou mesmo o surgimento de novas situações onde, por exemplo, a procura dos seus produtos sofre uma queda súbita. Se o chefe se faz rodear de porteiros, nunca poderá estar consciente dessas mudanças. Em várias partes do mundo, fala-se da responsabilidade social (social responsibility) que os empresários devem ter para com a sociedade.

Infelizmente, muitos jovens empresários africanos parecem não dar muito valor a esta dimensão. Bill Gates, um dos homens mais rico do mundo, utiliza a sua fortuna para lutar contra doenças no continente africano.

Richard Branson, o dono da Virgin Airways, também vai se envolvendo na luta contra a pobreza em África. A Virgin Airways opera, em linhas domésticas, na Nigéria e no Quénia.

Muitas pessoas adoram esta linha aérea porque o seu chefe identifica-se com as massas. Oligarcas russos como o Abramovich, dono do Chelsea FC, já não gozam do mesmo prestígio no mundo porque tudo o que eles fazem reduz-se à compra de iates e casas em Londres e Nova Iorque.

Em países como os Estados Unidos e o Reino Unido, muitos admiram o sector privado por ser muito organizado e por produzir quadros que são altamente competentes.

Em muitos casos, o sector governamental segue as pegadas do sector privado. Os jovens empresários africanos, aqueles que vão estudando gestão, deveriam implementar, nos seus empreendimentos, uma cultura de eficiência que, seguramente, poderia beneficiar muitos governos africanos.

Fonte: Angolense

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