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No passado fim-de-semana, Uíje, minha terra natal, com a «maratona» organizada pelo partido dos “camaradas” (com objectivos precisos que muitos angolanos bem sabem), viveu momentos ímpares, nesta fase que sucedeu a uma era extremamente difícil, marcada por uma guerra fratricida, com muitas das suas consequências que transformaram pela negativa a mentalidade do povo daquela província, e destruíram muitas estruturas que serviam para o bem e para o desenvolvimento da região. Naquele período, Uíje parecia um autêntico inferno. Era o «espelho» do ambiente de terror que se vivia quase por toda Angola.
Hoje, felizmente, o cenário é muito diferente, fazendo até esquecer o drama do passado. Nesta toada, a terra do bago vermelho vai acompanhando o novo ambiente que se vai criando em torno de toda a sociedade angolana, quando os políticos começam a dar tudo por todo, estudando mecanismos e critérios para entrar e sair do pleito eleitoral com uma posição vantajosa. Pelo menos esta é a intenção principal de todos os que estão envolvidos na «corrida» que vai determinar os que vão governar o país nos próximos quatro anos. No Uíje, no seu «balão de ensaio», os “camaradas” deram conta de que era preciso animar um povo que, durante muitos anos, viveu numa situação aflitiva, e que hoje procura novos horizontes, para se lançar, seguramente, nos desafios actuais que têm a ver com a consolidação da paz e, consequentemente, da democracia.
Este regime (democracia), na verdade, deixou de ser, no país, um mito ou uma miragem, para ser aceite como um regime ideal para conferir a estabilidade aos povos que aceitam os princípios políticos que defendem valores como a liberdade, o pluralismo de ideias, a tolerância, a escolha livre e responsável dos governantes. Por isso, é muito justo considerar também esta fase da história de Angola como a «era da democracia». E sendo uma fase em que este sistema se vai vincando, é legítimo apreciar os discursos de todas as alas e tendências, os seus programas, os seus ideais e a sua estratégia para convencer os eleitores. Na terra do café, os camaradas perceberam que o terreno é «fértil» para «caçar» votos. A maratona do passado fim-de-semana foi suficiente para dar uma boa lição sobre a política aos milhares de uijenses, que tiveram a sagacidade e a amabilidade de alinhar, com entusiasmo e confiança, nas actividades agendadas nos últimos dias na província.
As multidões escutaram, aplaudiram, festejaram, e prometeram traçar o balanço do programa, reflectindo, seriamente, sobre a sua responsabilidade como cidadãos, no que toca à realização dos ideais democráticos, e sobre o futuro de uma nação que vai dando muitas lições a outros povos sobre a forma de gerir a democracia. Tudo isso é reflexo de uma realidade que deve ser salientada: trata-se da tomada da maturidade política de um povo que está disposto a dar o seu voto a uma ala certa, a um partido que deverá estar à altura de resolver os seus problemas.
Ainda na linha da maturidade política do povo uijense, ficou claro que os próximos tempos serão também para apreciar os «ensaios» de outros partidos políticos, que são de oposição, e que têm a missão espinhosa, mas honrosa, de confirmar a consistência do jogo democrático no Uíje em particular, e no pais em geral. De facto, na última ocasião, muitos uijenses não esconderam a sua inclinação para o partido no poder. Foi bom contemplar milhares de jovens e adultos a elogiar, livre, aberta e alegremente, a filosofia do seu partido, transmitindo mensagens políticas aos mais novos. São os mesmos compatriotas que reconhecem, ao mesmo tempo, o papel que outros partidos devem desempenhar na consolidação da democracia. Decididamente, na terra do café, o povo já tem consciência da tarefa que lhes espera… É verdade que ainda não chegou a hora própria para a campanha eleitoral. Mas é também verdade que Angola já vive momentos especiais que surgem, claramente, como uma etapa que vai lançar todos os partidos para a grande competição da democracia, que é a campanha eleitoral. E, certamente, depois desta «saída em grande» dos camaradas, os habitantes da cidade do Uíje vão aguardando pelos «testes» de outras cores, nos próximos dias, e sempre dentro do espírito que confirma a sua maturidade política. JA - MUANAMOSI MATUMONA
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