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A China é como um elefante a andar de bicicleta: se cai, esmagará muita gente; se continuar a crescer à mesma velocidade, atropelará muitos países ocidentais pelo caminho. Olhemos, então, para a manchete de hoje do Diário Económico.
O que ela nos diz não tem o impacto de uma pedrada de um camionista, mas é infinitamente mais relevante para a economia. Stanley Ho, o magnata do jogo macaense, é um dos muitos chineses a fortalecer o seu peso e intervenção na África subsariana.
O primeiro passo desta estratégia foi dado há seis meses na Guiné-Bissau, através da compra do Banco da África Ocidental ao Montepio Geral. O segundo passo tornou-se visível ontem, com o lançamento do Moza Banco, em Maputo. Em breve, será conhecido o terceiro episódio desta saga chinesa nas antigas colónias portuguesas: já estão a decorrer negociações entre Stanley Ho e a Sonangol para que se formalize a entrada do magnata do jogo no capital do Banco Privado Atlântico, em Angola. Resumindo: três países, três bancos, um objectivo: fortalecer a ligação chinesa a África, encontrar intermediários financeiros capazes de gerir esta relação cada vez mais próxima. Bancos de capital chinês para acolher dólares chineses. Não é permitida a entrada a sócios estranhos.
A pergunta é evidente, a resposta é óbvia: a China aposta em África porque África tem petróleo, ouro, madeira, ferro, diamantes, zinco, alumínio, cobre, níquel, até água – 40% da capacidade hidroeléctrica estará neste continente. Não chega? Sejamos, então, mais claros: a China que cresce 10% ao ano e que revela um apetite sem fim não tem os recursos naturais para alimentar tamanho salto em frente. Não é possível construir 70 aeroportos em menos de uma década sem matérias-primas para aguentar este crescimento. Ora, África tem tudo o que os chineses precisam. E os africanos também precisam de quase tudo o que chineses têm: em especial dinheiro, ‘know-how’ e uma ampla tolerância no capítulo dos direitos humanos.
O casamento é perfeito: em dez anos, o investimento chinês no continente africano multiplicou-se por três. É hoje de 70 mil milhões de dólares por ano e promete aumentar. Levam a madeira de Moçambique – os chineses são hoje os maiores consumidores mundiais – , em troca dão estradas, escolas e o que for necessário. Querem petróleo angolano, instalam esgotos, centrais eléctricas, estradas. Pelo caminho, os chineses abrem lojas e supermercados. Ocupam espaço no topo da pirâmide – bancos, empresas –, mas também na base, nos negócios do dia-a-dia.
O dinheiro entra, roda e volta a sair. Há 800 empresas públicas do antigo Império do Meio a fazer negócios por aqueles lados. Não é por acaso que 20% da maior instituição financeira africana, o Standard Bank, também já está no bolso chinês. Mais virá, não duvidem. É contra este dinamismo que os países ocidentais deviam correr. Correr sem atropelar, claro. Ainda assim correr, correr para não adormecer com os cantos de sereia de Bob Geldof. DE
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