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Angola Xyami - Notícias de Angola, de África e do Mundo

Análise do voto em Setembro "Em 2002, saíamos de uma catástrofe nacional", por José Ribeiro Imprimir e-mail
Escrito por : Cfr. no fim da pág   
09-Jul-2008

Para termos eleições dentro de dois meses, o Governo fez um esforço que não pode ser ignorado. Se regressarmos ao estado da Nação em 2002, melhor percebemos a transformação operada: mais de um milhão de deslocados à deriva, uma elevada incidência de desnutrição sobre as crianças, um exército de desmobilizados para reintegrar na sociedade, estradas e ruas intransitáveis e o país pejado de minas. O país “bateu no fundo”, diziam os pessimistas. E achavam que era impossível retirar o povo angolano do poço de miséria em que foi colocado.

Em 2002, saíamos de uma catástrofe nacional. As forças patrióticas tinham de arregaçar as mangas e meter mãos ao trabalho. Angola era um imenso problema que tinha de ser resolvido.

Durante seis anos, o Governo fez os seus “deveres de casa”, reintegrando o necessário, reconstruindo o possível e dando oportunidade aos partidos políticos para se reorganizarem para a luta política.

E como se porta a oposição? Enredada nas suas próprias contradições, a oposição angolana é pessimista por natureza. Quando o país precisa de acreditar que é possível vencer e de determinação na acção, a oposição vacila, atrasa-se e não dá força ao progresso. Há dias, o jornalista José Rodrigues, da LAC, que para mim é o melhor entrevistador de rádio da actualidade, confrontava o economista Filomeno Vieira Lopes com a incómoda questão de saber por que razão o discurso dos partidos políticos da oposição é, por norma, feito de resposta ao MPLA, em vez de ser autónomo.

O dirigente da FpD defendeu que isso acontece porque o MPLA é o partido que “domina” a sociedade.

Um velho amigo português diz que os partidos políticos da oposição portam-se como o anão Rezingão da história da Branca de Neve. Talvez não seja mentira, até porque muitos dos seus líderes, quando jovens, aprenderam a fazer política com o MPLA, e mais tarde afastaram-se por causa de alguma zanga secundária. Mesmo a UNITA, que nasce de uma traição de Jonas Savimbi a Holden Roberto, quando era ministro dos Negócios Estrangeiros do GRAE, usou muita tecnologia abandonada pelo MPLA.

Então, se vamos todos dar ao mesmo, porquê tanta dispersão de energias? É difícil aceitar que a UNITA, só para contrariar o MPLA, se recuse a dar a oportunidade a todos os eleitores de votar, quando é evidente que podem surgir situações em que, excepcionalmente, se torne necessário estender a votação para um segundo dia, salvaguardada a fiscalização.

O momento que vivemos obriga todos a participarem no processo político. O esforço financeiro que o país faz para realizar eleições deve ser correspondido com uma ida em massa às urnas. De outra maneira só ganham os que, fazendo declarações de amor ao regime democrático, na verdade odeiam a democracia e acham que o poder está na ponta da espingarda. Esperamos que os políticos da oposição estejam à altura do desafio eleitoral e das suas responsabilidades.

 
Fonte: JA -
José Ribeiro / Director do Jornal de Angola

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