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O meu primo João, filho de padeiro, defende que as boas notícias são como o pão, devem ser lidas ao mata-bicho. Além de parentes, somos grandes amigos e estou de acordo com a sua opinião. Para um antigo colega de carteira, o Rui, descendente de camponeses, as notícias são como o tomate, um produto deteriorável e, por isso, devem ser consumidas frescas. O meu amigo Rui acha que é mau ter conhecimento de uma notícia importante, capaz de mudar a nossa vida, muito depois dela ter ocorrido. Já o meu grande kamba Luís, católico praticante, acha que a leitura dos jornais deve ser a nossa oração matinal. Recebemos, logo pela manhã, um baptismo de informação, ficamos actualizados e prontos a lidar com a agitação do dia-a-dia.
É costume dizer-se que a má notícia corre veloz, como a chita, quando dispara sobre a xana. Já a boa, nem por isso. “No news, good news”, dizem os ingleses. Por isso, é importante prevenirmo-nos do vazio de informação, verdadeiras armadilhas que os promotores da desinformação aproveitam. Estou de acordo com o João, o Rui e o Luís quanto à leitura das notícias de manhã cedo, ao mata-bicho, de preferência depois de um matutino, antes de irmos para o emprego. A precaução sobre os infortúnios da vida, obriga-nos a ter o nosso anti-vírus pessoal, activo e funcional, de modo a mantermos reforçado o sistema imunitário. Os jornais podem ajudar-nos nesse desiderato, como um sistema de alerta que nos protege das notícias lançadas de má-fé. Como o nosso comportamento assenta, hoje, mais do que nunca, na informação, muita coisa pode perder-se, porque desconhecemos, ou não temos a notícia a tempo e horas, no momento certo, o que nos deixa sujeitos à manipulação. Os judeus lançados às câmaras de gás de Hitler, durante a II Guerra Mundial, acreditavam no que diziam os nazis, quando os enviavam para os corredores da morte. Pensavam que iam refrescar-se com um bom banho e tomar em seguida uma refeição, porque viam o símbolo da Cruz Vermelha à entrada das câmaras de gás. Estavam enganados. De todos os que conheci, este acaba por ser o melhor exemplo da manipulação. É ingenuidade julgar-se que as notícias que se propagam pelo mundo estão desprovidas de intencionalidade. Os angolanos têm, na sua lembrança, muitos factos relacionados com a falsificação da História. A informação falsa leva-nos a ajuizar mal as situações, a incorrer numa avaliação torta dos fenómenos e a agir de forma desavisada. É evidente que, enquanto leitores da “realidade”, temos de ser nós a procurá-la. Temos de ser nós a adquirir os melhores jornais, os que, mesmo não tendo somente boas notícias, garantem a informação de que precisamos para nos conduzirmos com civismo, sem sermos levados a errar. Como diz um grande professor angolano, errar é humano, o que não se deve é fazer as coisas mal. Um dia destes, estava o nosso amigo Luís distraído ao volante, aguardando que o sinal vermelho do semáforo se mudasse. De repente, sabe-se lá porquê, o Corolla vermelho de frente arrancou, e ele fez o mesmo, seguindo-o, sem dar-se conta de que havia atravessado o sinal vermelho. O polícia de serviço reparou na transgressão e mandou parar o Corolla vermelho e o amigo Rui. Apuradas as circunstâncias, o agente de trânsito perdoou ao amigo Rui a transgressão. Pela seguinte e simples razão: - “O senhor foi induzido em erro!”As boas notícias nem sempre são agradáveis. Mas os vazios de informação, podem ser fatais. Quem tem o dever de informar não pode escolher o silêncio. José Ribeiro
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