| A visita presidencial francesa ocorre quando a 6 de Outubro estará de novo no tribunal de Paris o processo Angolagate referente a um gigantesco tráfico de armas para Angola entre 1993 e 2000, onde várias personalidades francesas e angolanas estariam envolvidas e o presidente José Eduardo dos Santos teria, supostamente, recebido cerca de 37 milhões de dólares de comissões.
Sem alusões directas ao Angolagate, que condicionou as relações diplomáticas entre Luanda e Paris, Nicolas Sarkozy, iniciou a sua primeira visita oficial de quatro horas a Angola sob os auspícios oficiais de «uma nova era nas relações bilaterais» após um decénio de tensão diplomática.
No entanto a «nova era das relações bilaterais» está directamente associada ao reforço dos interesses económicos franceses em Angola. O grupo francês Thales já assinou um contrato de 140 milhões de euros no fornecimento de equipamentos de telecomunicações civis e militares, o grupo Castel pretende reforçar em cerca de 300 milhões de euros o seu investimento, enquanto Christophe de Margerie, director geral da petrolífera Total, pretende duplicar a sua produção de bruto no país. Razões suficientes para transformar o Angolagate num «pormenor» que a politica externa Sarkozy pretende ultrapassar sem incidentes.
Após a imprensa angolana ter insinuado sobre um eventual implicação francesa no processo que levou à interdição da companhia aérea estatal angolana, TAAG, voar no espaço europeu, a delegação de Sarkozy, através de Jean-Cyril Spinetta, presidente da Air France, pretende agora colaborar estreitamente com a TAAG disponibilizando um Airbus 330 para garantir as ligações europeias na companhia angolana.
Em alusão à corrupção endémica do Estado angolano a presidência francesa preferiu apenas reconhecer que Angola ainda tem um longo caminho a percorrer. Segundo a organização «Transparency International» o regime angolano é um dos mais corruptos do planeta e encontra-se no 147/o lugar, entre 179 países, obtendo uma qualificação de 2,2 de uma escala de dez.
Nicolas Sarkozy convidou José Eduardo dos Santos, na qualidade de «visitante prestigioso e amigo», a visitar a França em 2009 nas vésperas das eleições angolanas.
(Foto: AFP/Feferberg) |