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Angola Xyami - Notícias de Angola, de África e do Mundo

Os negros na imprensa brasileira: criados, subalternos, escravos, ate quando? Imprimir e-mail
Escrito por : Cfr. no fim da pág   
28-Jun-2008

Em função dos que nos tem sido dado a ver nos noticiários das televisões brasileiras (Globo e Record) que emitem também para Angola, deixamos Luanda já com uma idéia mais ou menos formada em relação à sua inclusão nos principais órgãos da comunicação social do «país irmão»: há um número insignificante de negros no sector, pois é raro ver-se, por exemplo, um deles como pivot dos telejornais, sem falar das telenovelas, em que, na maior parte dos casos, os «mbumbos» desempenham apenas papéis subalternos, sendo que as poucas excepções acabam por confirmar a regra.

 

O Brasil é um país multirracial, mas os negros (incluindo já os mestiços) não têm as mesmas oportunidades que os brancos, o que não decorrerá somente das assimetrias económico-sociais. Isto é insofismável. E a idéia ganhou mais consistência à medida que fomos passando por algumas redacções de jornais e televisões, uns de grande circulação ou audiência, como foi o caso do jornal «O Globo» - não estive no «Estadão», mas a situação não terá sido diferente -, no quadro das visitas a órgãos da imprensa brasileira que nos foram proporcionadas pela promotora da nossa viagem ao Brasil, a Organização Odebrecht, sendo estas, de resto, a sua tónica, se calhar para estimular alguma espécie de intercâmbio ou troca de idéias entre jornalistas dos dois países.

 

Na redacção do «O Globo», na qual trabalham mais de 300 jornalistas, durante a nossa estada por lá, descortinamos apenas três ou quatro negros, numa altura de grande movimentação, que foi inevitável uma pergunta a propósito editora internacional do jornal, Sandra Cohen, a quem fora dada a responsabilidade de nos guiar. «Quase não há negros por aqui. É verdade que vocês, basicamente, não os empregam?», atirou de chofre o António Freitas, do «Novo Jornal», quando já íamos a sair. Apanhada de surpresa, Sandra Cohen ainda titubeou, mas acabou por negar decididamente que houvesse alguma espécie de discriminação racial a determinar o recrutamento de pessoal para o seu jornal, em desfavor dos negros, sem, no entanto, dar uma explicação suficientemente consistente sobre o fenómeno. Dias depois, igual pergunta foi feita a Marcelo Ambrósio, editor internacional do «Jornal do Brasil», outra publicação de grande circulação, durante um «almoço-conversa», entre jornalistas angolanos e brasileiros, no qual também se fez presente o editor do «O Globo» on-line.

 

Na resposta, Marcelo Ambrósio deu uma explicação mais consistente, referindo que as causas desse fenómeno tinham de ser buscadas já a partir das universidades, uma vez que é desde lá onde as diferenças começam, sendo que, por razões essencialmente económicas, pouquíssimos negros acabam por conseguir qualificações suficientes para lutarem em igualdade de circunstâncias no mercado do emprego com os muitos brancos que também se formam a cada ano. Daí as diferenças registadas nas redacções.

 

No Brasil, é de lei que só pode exercer jornalismo quem for licenciado em comunicação social, embora haja um ou outro órgão de imprensa que faça tábua rasa aos ditames legais nestes particulares.

F: S. Angolense

Popularidade: 260
Comentários (2)Add Comment
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escrito por Educador, Junho 27, 2008
E bem verdade q o racismo ainda e muito visivel em empresas, e outros sectores d um pais. Eu acredito q para erradicar o racismo e necessario q um governo comece a criar medidas para combater este mal. So pra dar um exemplo no mundo do futebol a percentagem d racismo pode ser d 5 ou 10% pq a fifa croiu medidas de punicao severas e ninguem qer ver o seu club prejudicado. Sou angolano e o racismo em anhola vem por parte do mulatos q acham q sao brancos e mais inteligentes q os pretos. E simplesmente o governo angolano n faz nada e isto um dia pode criar revolta.
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escrito por Guilherme Freitas, Junho 27, 2008
Sou jornalista brasileiro e descendente de negros. Na minha certidão de nascimento consta a minha raça como pardo. Porém, ignoro esse termo e me considero negro. Conclui a faculdade de jornalismo no ano passado e durante os quatro anos do curso, tive como colegas uns 100 alunos (no 4º semestre mudei do período da manhã para a noite), desdes acho que haviam 5 negros, e olhe lá. A falta de negros que vocês ai em Angola assistem pela TV é o reflexo de todos os veículos de imprensa brasileiros. Na TV, onde a aparência conta muito, sempre haverá poucos negros. O fato de poucos negros alcançarem as Universidades colabora para que esse número seja pequeno, porém muitas vezes é a aparência que vence, como na publicidade, onde há poucas propagandas e anúncio com negros. Mas isso não ocorre só no jornalismo. É raro ver negros nos ocupando cargos de chefia em uma grande empresa, em um hospital ou em na política. A população negra no Brasil superará até o final do ano a população branca, mas apenas em números. Hoje os negros e pardos são a grande maioria em favelas. O Brasil insiste em dizer que não há racismo na sociedade, mas há. Já cansei de indagar colegas sobre quando o Brasil elegerá um presidente negro. Muitos criticam os Estados Unidos, mas Obama está para comprovar que a América sabe conviver com o racismo e está pronta para eleger um presidente negro. Mas isso tudo é reflexo de como funciona o Brasil, que há séculos não conseguiu dar igualdade ao seus filhos.
Parabéns pelo excelente site. Gostei. Um abraço
Guilherme Freitas
www.blogdacomunicacao.com.br
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