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Quando faltam menos de três meses para a realização das eleições legislativas em Angola, em que o garante da liberdade de imprensa se configura como um direito fundamental para a integridade do processo eleitoral, o ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais, declara censura contra a imprensa privada e estatal em Benguela. Reunido este fim-de-semana com responsáveis de meios de comunicação do Estado, em Benguela, e correspondestes de órgãos sediados, em Luanda, como a Rádio Ecclesia e jornal Angolense, Rabelais baixou orientação para que estes profissionais revissem a sua linha editorial, restringindo a participação de membros da oposição dentro destes espaços caso as suas mensagens não tiverem alguma simpatia com as obras do Governo em curso.
Após o encontro com o ministro da Comunicação Social, José Manuel, correspondente da Rádio Ecclesia disse à Voz da América que não irá ceder a esta pressão política exercida pelo executivo. Para o jornalista, o ministro acaba por estancar a liberdade de imprensa e fica nitidamente que o país ficará refém, até Setembro de ano, do monopólio do Estado, pondo em causa a transparência do processo eleitoral que se requer em Angola. « A conversa que é corrente hoje em Benguela, nos bastidores de redacções é que a orientação da delegação do ministro da Comunicação Social é de que, deve-se evitar no máximo qualquer noticia , qualquer comentário que visa criticar as obras neste momento em curso e que, inclusive, esta é que está a preocupar os profissionais, de que, as mensagens dos políticos só poderão passar caso estejam vinculadas alguma simpatia com as obras em curso que o governo está a desenvolver. Portanto, creio eu, estamos perante uma vez mais àquilo que podemos afirmar, está-se a estancar a liberdade de imprensa ao nível da província de Benguela, acredito eu, que seja por todos país. Por conseguinte, o país depois de Luanda vai ficar, uma vez mais refém do monopólio da comunicação social pública. Com este contacto que nós mantivemos cá Benguela, fica nitidamente a ideia de que, a imprensa pública estará doravante controlada e de que maneira até Setembro, o que não é bom para a transparência do processo eleitoral que se quer no nosso país.» Os partidos da oposição em Benguela não se mostraram surpresos com aquilo que chamam de posicionamento anti-democrático de Manuel Rabelais, uma vez que estes espaços públicos já lhes são negados a muitos anos. Segundo o secretário provincial da Frente para Democracia ( FpD ), Francisco Viena, a orientação expressa pela ministro da Comunicação Social revela exactamente a tentativa duma eventual fraude, fruto da insegurança do MPLA em relação aos resultados das próximas eleições. «Isto são sinais duma organização, digamos, duma fraude. O MPLA não está seguro com os resultados que pode adquirir em Setembro de 2008.» Já o secretario da UNITA, Vitorino Nhany, foi mais longe ao ligar a atitude deste governante com a situação de intolerância política em Benguela. Na sua óptica, as orientação de Rabelais vieram clarear que os actos de intolerância política que ocorrem na província é uma questão ideológica e têm sido orquestrados a partir de Luanda. « Isto vem exactamente clarear aquilo que, temos dito de como a intolerância política parte de Luanda. Um ministro da Comunicação Social a dar orientações claras sobre a linha editorial que, deve ser seguida naturalmente, a questão da intolerância política está completamente caucionada.» Depois desta visita ministerial, as rádios locais mudaram a sua grelha de programas. A Rádio Benguela do grupo Rádio Nacional de Angola anunciou publicamente a retirada do programa Roteiro da Manhã, um espaço em que os cidadãos opinavam sobre as diversas matérias locais e que, voltará ao ar depois de Setembro deste ano. Informações dão conta de que a Rádio Morena Comercial esta a reestruturar alguns dos seus programas de caris críticos. Fonte: VOA - AC
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