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A companhia petrolífera americana Chevron acredita no desenvolvimento de Angola nos próximos anos, a julgar pelos níveis de crescimento do país aliados a aposta dos seus habitantes. Com efeito, a petrolífera desenvolve vários projectos no país, tendentes a diversificar a economia do país. O director-geral da Cabinda Gulf Oil Company-Chevron e da Unidade Empresarial da África Austral (SASBU), Alan Kleier, descreveu ao Jornal de Angola a estratégia da sua companhia, não só na indústria petrolífera, mas também no sector social e agrícola.
| Jornal de Angola De que modo a Chevron pode ajudar a cativar o investimento estrangeiro neste mercado? Alan Kleier: Há a preocupação de captar investimento estrangeiro fora da esfera da indústria petrolífera. No ano passado, por exemplo, a Chevron foi um dos principais patrocinadores do “Dia de Angola”, uma conferência sobre desenvolvimento e reconstrução em Angola, acolhida pelo Programa para África do Centro Woodrow Wilson, em Washington. A Chevron assumiu-se de igual modo como um dos principais patrocinadores da Cimeira de Negócios entre a África e os Estados Unidos, realizada na Cidade do Cabo, África do Sul, e organizada pelo Corporate Council on África. No evento, a Chevron patrocinou igualmente um painel de discussão sobre oportunidades de negócios em Angola. | | JA: Quais os maiores desafios da companhia a nível da exploração nos próximos anos? AK: A indústria petrolífera enfrenta vários desafios na actualidade. Por exemplo, a tecnologia usada na avaliação sísmica e que permite interpretar os estudos atingiu um grau de desenvolvimento elevado, melhor do que nunca. Contudo, a nossa capacidade de pesquisa e produção em poços situados em águas profundas desafia e testa constantemente esses limites tecnológicos. Por outro lado, os custos associados a esta indústria estão a crescer a uma taxa sem precedentes. O maior desafio reside, no entanto, nas pessoas. Ao avaliarmos a indústria como um todo, tudo roda em torno das pessoas e da qualidade dos recursos humanos. O ambiente competitivo leva-nos a procurar, formar e manter os profissionais mais qualificados. Isso está a alargar a capacidade organizativa da indústria. | | JA: Quais os próximos grandes projectos da Chevron em Angola? AK: O nosso enfoque imediato é o progresso do Bloco 0 e do Bloco 14. No Bloco 0 queremos melhorar o desempenho de campos como Takula, Nemba e Malongo, enquanto desenvolvemos os depósitos de petróleo mais pequenos usando as infra-estruturas do Bloco 0. O Bloco 14 teve algumas descobertas notáveis nos últimos anos, as quais vão ser exploradas na próxima década. O patamar de produção do Bloco 14 vai crescer com estes novos projectos. Além destes dois blocos, estamos entusiasmados com a nossa participação e liderança no Angola LNG. Este projecto LNG (gás natural liquefeito, na sigla em Inglês) é o primeiro do género aprovado pela Chevron e abre portas a uma nova indústria em Angola. Por outro lado, na óptica do nosso enfoque no longo prazo, estamos interessados em poços de águas ultra-profundas, a ser licenciados pelo Governo angolano no futuro. | | JA: Que inovações traz um projecto como o Tômbwa-Lândana? AK: Utiliza uma torre de pilares articuláveis para apoio às actividades de sondagem e produção. Esta é a segunda torre do género existente em Angola. Possui tecnologia de ponta e uma central de tratamento e reciclagem de água. Esta estrutura permite ainda acabar com a queima rotineira de gás, à imagem do que já sucede em todos os projectos do Bloco 14.Os projectos como o LNG e o Tômbwa–Lândana assumem-se como um valor acrescentado ao impressionante crescimento da produção em Angola. O Tômbwa-Lândana acrescentará cem mil barris diários ao nível de produção a partir de 2009. Por seu lado, o Angola LNG vai comercializar as reservas de gás do país e inaugurar uma nova era para o uso do gás natural em 2012. | | JA: As actividades petrolíferas envolvem riscos. O que faz a Chevron para garantir o cumprimento dos regulamentos nacionais e para proteger as áreas onde opera? AK: O cumprimento da Lei e regulamentos é obrigatório. De modo a melhorar a sua performance, a Chevron está a remodelar muitas das suas infra-estruturas e construir outras de raiz, as quais vão utilizar a tecnologia mais recente, de modo a garantir que as nossas operações tenham o menor impacto possível no ambiente e nos ecossistemas. Estamos determinados, junto com os nossos parceiros no Bloco 0, em eliminar a queima rotineira de gás até 2010, tendo para tal efectuado investimentos significativos nesse campo. | | JA: Como decorre a ligação da Chevron com as empresas locais? Tem havido benefícios para estas companhias decorrentes das operações da Chevron no país? AK: A Chevron está empenhada em aumentar a requisição e o uso das empresas angolanas sempre que tal for possível, garantindo que estruturas-chave de grandes projectos – como o BBLT e o Tômbwa Lândana sejam produzidas em Angola e por angolanos. Nesse sentido, as companhias nacionais têm beneficiado do nosso trabalho no território. No Tômbua Lândana, antecipámos o gasto de mais 250 milhões de dólares. Nesse sentido, a Sonamet está a construir dois colectores submarinos no Lobito e a testar o sistema integrado; todos os processos de revestimento de peso em betão e isolamento de tubos foram entregues ao novo estaleiro da Socotherm em Luanda; módulos de acabamento de linhas de fluxo (flow line termination skids) serão desenvolvidos pela Algoa em Luanda; os sistemas umbilicais submarinos serão fabricados no Lobito pela Angoflex; e a instalação de condutas, oleodutos e outros sistemas de controlo subaquático será realizada pela Seven Seas Angola. Estes exemplos dizem apenas respeito a um projecto e reflectem bem o impacto das nossas operações a nível do uso de conteúdo local. | | JA: Os agricultores têm sido dos mais beneficiados com a vossa intervenção… AK: Sim. Em Cabinda, por exemplo, a Chevron uniu-se às associadas do Bloco 0 e à Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e juntos implementaram um projecto de desenvolvimento agro-empresarial de cinco anos, destinado a dotar os agricultores locais com meios de produção, recolha, armazenagem, comercialização e distribuição de frescos e fruta, tendo como destino o Campo de Operações do Malongo. Desde o início da CADA — projecto Aliança para o Desenvolvimento Agro-Empresarial -, os produtores de Cabinda colheram e venderam às operações de serviços de alojamento e refeições da Chevron um total de 532 toneladas métricas de frescos e fruta tropical, no valor de mais de 729 mil dólares. O projecto envolveu 723 produtores (300 dos quais mulheres), organizados em 25 grupos, incluindo três associações de agricultores. Em 2007, a aliança produziu e vendeu 184 mil e 410 quilogramas de fruta e vegetais. | | JA: Quais os objectivos da iniciativa de parceria com Angola (API, na sigla em Inglês)? AK: A API foi lançada em 2002, disponibilizando 25 milhões de dólares para um programa de cinco anos destinado ao reforço da capacidade humana e desenvolvimento de pequenas e médias empresas. Estabeleceu-se de igual modo uma parceria com a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Para aumentar o impacto do programa, firmaram-se acordos com organizações não governamentais, como a World Vision, a CARE, a Africare, a Save the Children e a Organização Internacional para as Migrações. Gradualmente, os fundos da API atingiram os 90 milhões de dólares e permitiram que a API alargasse as suas acções a 13 províncias do país, como o Huambo, Bié, Benguela, Kwanza-Sul, Huíla, Moxico e Kuando Kubango. Entre os maiores êxitos desta iniciativa encontra-se a fundação do NovoBanco, vocacionado para o microcrédito. Em 2007, esta entidade tinha mais de 21 mil clientes, empréstimos avaliados em 9,5 milhões de dólares e depósitos estimados em 10 milhões de dólares. | | JA: De que forma o processo de angolanização e internacionalização têm beneficiado a força de trabalho angolana no seio da companhia? AK: A Chevron tem feito um esforço relevante de modo a alargar o leque de oportunidades de carreira para os seus empregados angolanos, promovendo a sua educação, formação e desenvolvimento profissional no local de trabalho. Uma força laboral treinada e com experiência a nível global incorpora inúmeras vantagens. Uma delas é que um empregado que trabalhe ou receba formação fora do seu país natal vive e trabalha com um grupo diverso de pessoas e projectos. A oportunidade de ver como os projectos são executados e os problemas resolvidos noutros locais revela-se uma mais-valia importante e que mais tarde esse empregado trará para o seu país natal ou levará para a sua próxima missão dentro da empresa. Alguns dos momentos educativos mais marcantes decorrem da partilha e aprendizagem com outros empregados. Levar os nossos empregados a ser confrontados por uma variedade de desafios, culturas e formas de abordar questões permite-lhes elevar as suas aptidões e partilhar o seu conhecimento quanto às melhores formas de agir usadas em todo o mundo. | | JA: Beneficiando o empregado… AK: Sim, esta crescente capacidade e conhecimento beneficia o empregado, tornando-o um activo mais valorizado no mercado, beneficiando tanto o empregado como o empregador. A Chevron tem mais de dois mil e 800 empregados angolanos em Angola. Muitos deles já viveram experiências no estrangeiro, a nível de missões laborais ou de formação técnica. Acredito que a esmagadora maioria deles trouxe acréscimos para o seu trabalho e a sua carreira, decorrentes destas experiências adquiridas nas várias unidades empresariais localizadas em todo o mundo. Esta internacionalização e contactos com o exterior preparam os nossos empregados para enfrentar o desafio mais difícil quando competem com outros empregados a nível mundial. | | JA: Os trabalhadores angolanos podem atingir cargos e funções de relevo na hierarquia da Chevron, não somente em Angola, mas de igual modo noutros países onde a companhia funciona? AK: Eles podem e devem. Estamos muito orgulhosos da qualidade dos nossos empregados e da sua dedicação ao trabalho e aos colegas. Aqui, em Angola, entre os cargos ocupados por empregados angolanos encontram-se a posição mais elevada a nível da administração dos Departamentos Médico; Legal; Relações Governamentais e Públicas; Joint Ventures; Saúde, Ambiente e Segurança Industrial; bem como directores a nível de áreas como Tecnologias da Informação; Exploração: Segurança; e várias posições de liderança em equipas técnicas de operações. 75% dos nossos supervisores são angolanos e todos os nossos operadores no offshore são empregados angolanos. | | JA: Mas tem havido um incremento do número de angolanos a trabalhar no exterior? AK: Isso é um facto. Fora do nosso território temos uma vasta força laboral angolana, a trabalhar em Houston e centrada em projectos angolanos. Três trabalhadores nacionais desempenham funções importantes a nível mundial: o Director de Operações em Águas Profundas no Golfo do México; o Director Geral para os Serviços de Recursos Humanos, em San Ramon, Califórnia; e o Director Nacional da Chevron no Brasil. Estes são apenas alguns exemplos. Existem outros angolanos a ocupar lugares-chave na estrutura da Chevron e a ter um impacto positivo na actividade da empresa a nível mundial. Manifestamos ainda um particular orgulho em todos os indivíduos que trabalham no Ministério dos Petróleos, na Sonangol e noutros operadores, os quais foram no passado trabalhadores da Chevron. A experiência que viveram na nossa empresa ajudou-os a se prepararem para os desafios que enfrentam na actualidade. A Chevron possui um programa educacional e de bolsas de estudo em vigor para os seus empregados e familiares. Além disso, a empresa dá treino e formação aos seus trabalhadores, de modo a desenvolver as suas capacidades e conhecimentos e assim possam melhorar a sua performance no trabalho. Promovemos ainda sessões de formação a nível de saúde, segurança e comportamentos ambientais, providenciando aulas de línguas e sessões de formação sobre as directivas e procedimentos no seio da Chevron. Os empregados podem também frequentar cursos de desenvolvimento pessoal, visando incrementar a sua capacidade de comunicação e de interacção com outros trabalhadores. | JA: A companhia assume uma política forte a nível da responsabilidade corporativa e social. De que forma os vossos projectos sociais ajudam as comunidades onde operam? AK: O êxito da Chevron no seu ramo de actividade relaciona-se directamente com o nosso papel enquanto “bom cidadão”. A companhia defende o crescimento sustentável e o progresso social através da promoção de parcerias com as comunidades, o Governo e organizações não governamentais, actuando em áreas como a saúde, educação, agricultura, desenvolvimento económico, reforço das capacidades e o meio ambiente. JA
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