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Uma Lunda-Norte a brilhar mais do que os diamantes é o que o novo governador, Ernesto Muangala, prevê para aquela província, nos próximos cinco anos. Há um mês como governador da província, Ernesto Muangala concedeu, ontem, uma entrevista exclusiva ao Jornal de Angola, durante a qual apontou os sectores da Agricultura, da Energia e Águas e da Comunicação Social como as grandes prioridades da sua governação.
Alguns problemas estão já identificados e podem ser solucionados, através de um plano de curto prazo, apreciado pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, num encontro que teve, quarta-feira última com o governador. Siga a entrevista, decorrida na representação da Lunda-Norte em Luanda.
P-Senhor governador, como caracteriza a actual situação sócio-económica da província da Lunda-Norte?
R-A situação na Lunda-Norte é estável. A Lunda-Norte completa hoje, dia 4, trinta anos desde que passou à condição de província. Nestes 30 anos, 24 foram de momentos muito difíceis, devido à guerra. Durante a guerra, quase nada se podia fazer. Com a paz, o governo da província obteve resultados satisfatórios, começando pela construção da Escola Superior Pedagógica, que formou, até agora 395 bacharéis, não só da nossa província, mas também da Lunda-Sul, do Bengo e do Kwanza-Norte. Nesse período, também foram construídos, na sede da província, bairros com uma média de 30 residências cada e registaram-se melhorias nos sectores da Saúde e da Educação, bem como da Energia e Águas. Há muitas outras obras em curso, como a do novo hospital provincial, com capacidade para mais de 300 camas. Estão em curso, igualmente, obras para os futuros institutos médios politécnicos do Nzaji, no município de Cambulo, e do Lucapa, a serem inaugurados no próximo mês de Agosto. No Dundo, Lucapa, Cuango e Cambulo, estão em curso acções de formação profissional de jovens. Portanto, podemos caracterizar como satisfatórios os resultados obtidos ao longo desses 30 anos.
P-Sabemos que o senhor teve quarta-feira um encontro com o Presidente da República, que contou com as presenças dos ministros das Finanças, da Agricultura e da Comunicação Social. Que resultados produziu este encontro?
R-Antes desta reunião, que foi realizada 30 dias depois da minha nomeação para o cargo de governador da província da Lunda-Norte, submetemos à consideração do Presidente da República um diagnóstico e um programa de curto prazo, no sentido de se ultrapassarem algumas dificuldades que a província vive. No plano de actividades deste programa, identificámos os problemas e apresentámos também as propostas para a sua solução. Da parte do Presidente da República, recebemos todo o apoio necessário. Este foi um encontro prático, onde os ministros participantes garantiram não só o seu apoio, mas também a sua imediata intervenção. A título de exemplo, na próxima segunda-feira, a Lunda-Norte será visitada pelos ministros que participaram no encontro com o Presidente da República. A ideia é começar, já, a execução deste plano de curto prazo, que compreende o período entre Julho e Setembro deste ano.
P-Quais são os principais problemas que afectam a Lunda-Norte e de que forma serão resolvidos, no âmbito deste plano de curto prazo?
R-Começámos pelo abas tecimento de água potável às populações, até à energia eléctrica, saneamento, saúde, educação, comunicação social, transportes e agricultura. Queremos que, com o fim da guerra, a Lunda-Norte não viva só dos diamantes. Há projectos a serem implementados, há algumas cooperativas de camponeses e pode-se perfeitamente dinamizar a actividade agrícola. Por isso, elaboramos um programa de emergência agrícola, razão pela qual trabalhamos, também, com o ministro da Agricultura. Pensamos que, com a agricultura, combateremos o desemprego, principalmente no seio da juventude, pois são muitos os jovens que se dedicam ao garimpo por falta de apoio para desenvolver outras actividades. A Lunda-Norte tem todas as condições para a prática da agro-pecuária. Este programa será antecedido de acções formativas, dirigidas aos interessados.
P-O que é que está previsto a nível da Comunicação Social?R-Na área da Comunicação Social preocupa-nos o facto de o sinal da Rádio Nacional de Angola não chegar a todos os pontos, assim como a falta de exemplares do Jornal de Angola. Por esta razão, muitas pessoas ficam sem informação sobre o país e não só. Assim, serão realizadas várias acções, para que em todos os municípios cheguem os sinais da TPA e da RNA, para que os cidadãos possam acompanhar os esforços que o Governo tem feito para a melhoria das suas condições de vida. Na Saúde, toda a atenção será prestada ao Hospital Provincial da Lunda-Norte, à construção de postos de saúde e ao abastecimento regular de medicamentos às instituições hospitalares. A Educação também constitui prioridade. Temos cerca de 173.250 alunos, dos quais 60 por cento estão no ensino primário e 40 no secundário. No entanto, necessitamos de construir mais escolas do ensino primário e residências para professores, nas sedes dos municípios e comunas. Neste particular, recebemos uma resposta satisfatória da Endiama e de outras empresas mineiras. Vão apoiar-nos.
P-Várias pessoas queixam-se da falta de investimentos, por parte das empresas diamantíferas que operam na Lunda-Norte. O senhor governador subscreve este ponto de vista?
R-Não, porque as empresas diamantíferas que operam na nossa província têm prestado o seu apoio. Neste momento, estão a ser desenvolvidas várias acções conjuntas com a Endiama. Estamos no bom caminho.
P-Para além do sector de Educação, em que sectores são marcantes os ganhos que a paz proporcionou à província da Lunda-Norte?
R-Para além da criação da Escola Superior Pedagógica e dos centros e postos de saúde, nos municípios, a paz também facilitou a construção e reabilitação de estradas e pontes e contribuiu para que fossem registados alguns avanços, embora tímidos, no sector da Agricultura. Com a paz, hoje, também temos muitos quadros, que têm contribuído significativamente para o desenvolvimento da Lunda-Norte.
P-A Lunda-Norte também se ressente da falta de quadros para trabalharem nos municípios e comunas mais distantes da sede provincial?
R-Sim. Mas devo lembrar que o Governo aprovou, recentemente, o novo paradigma dos governos provinciais e administrações municipais e comunais. Neste paradigma, os municípios estão divididos por letra. Na Lunda-Norte temos aqueles municípios identificados com a letra B e outros com a C. Os funcionários que aceitarem trabalhar nos municípios com a letra B, terão um incremento salarial à volta de 50 por cento, pelo facto de os mesmos estarem isolados da sede provincial. Já nos municípios com a letra C, como são os casos do Cuilo, Kaungula, Lubalo, Xá-Muteba e Capenda Camulemba, o incremento salarial é de 100 por cento. Ou seja, quem ganha, por exemplo, 40 mil kwanzas passará a receber 80 mil kwanzas. Está é uma forma que o Governo encontrou para motivar os quadros. Com esta medida, acho que teremos parte deste problema resolvido, pois, para além do incremento salarial, estes quadros beneficiam de residências próprias e de facilidades de acesso ao crédito bancário.
P-Com o advento da paz, que Lunda-Norte teremos dentro dos próximos cinco anos?
RTeremos uma Lunda-Norte a brilhar mais do que os diamantes. Considero que a nossa grande riqueza são os recursos hídricos. Com o seu aproveitamento, será possível o abastecimento de água potável às populações e poder-se-á potenciar a capacidade da Barragem do Luachimo, o que melhorará a distribuição de energia eléctrica e desenvolver o sector agrícola. A população compreendeu a nossa mensagem de que não devemos, nem podemos retardar o processo de reconstrução nacional. O país todo está em marcha e a Lunda-Norte não pode retardar esta marcha. Da parte da população, a principal beneficiária das acções, espera-se apoio aos esforços do Governo. A ser assim, acredito que melhores dias virão para a Lunda-Norte.
P-O senhor foi recentemente eleito primeiro secretário do MPLA na Lunda-Norte. Qual é, neste momento, o nível de organização e mobilização do seu partido na província?
R-O MPLA está forte! Visitámos os municípios e o que constatámos não é o que ouvíamos. O MPLA pode continuar a contar com o voto da Lunda-Norte. Desde o período da luta de libertação nacional, a Lunda-Norte foi bastião do MPLA. As várias actividades levadas a cabo nos nove municípios da província têm contado com uma grande participação de militantes, amigos e simpatizantes do nosso partido. A nossa equipa está preparada e resta apenas aguardar pelo resultado do jogo (entenda-se eleições) de 5 de Setembro.
P-Disse que a Lunda-Norte constitui bastião do MPLA, mas o Partido de Renovação Social (PRS) também diz o mesmo. Quer comentar?
R-Vamos nos ater apenas aos resultados das eleições de 1992. Dos cinco lugares a deputado pelo círculo provincial da Lunda-Norte, o MPLA ocupou quatro e o PRS apenas um. Quem venceu? Não há dúvida de que foi o MPLA.
P-Mas, ao longo desse tempo, o cenário não se alterou?
R-Não! O cenário não mudou. O sector social, com destaque para a saúde e a educação, é o mais vulnerável, não só em Angola, como, também, em muitos outros países. Na Lunda-Norte, a situação agudiza-se ainda mais no sector da exploração de minérios, o que tem provocado um certo descontentamento. Então, algumas forças políticas aproveitam-se disso. Por isso é que incluímos a comunicação social no nosso plano. O sinal da RNA não se estende para além dos 20 quilómetros da sede provincial. Com efeito, precisamos de repetidores nos demais municípios. Por falta de informação, nos municípios, há pessoas que nem sequer sabem que existe uma instituição de ensino superior na província. A população tem que estar informada, para saber o que está a ser feito e o que se está a passar no país. Não acontecendo isto, muitos partidos aproveitam-se da situação, para passar falsas informações. Mas o tempo dirá qual é o partido que tem maior representatividade na Lunda-Norte.
Fonte:JA
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