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Página 1 de 4 Esta intervista foi feita aos 08-07-2005, mas publicamos para informaçao.
1) Sr. Amões, você é um dos empresários mais conhecidos em Angola. O Grupo Valentim Amões tem várias empresas em vários sectores. Poderia nos falar um pouco mais sobre o seu Grupo e suas actividades?
O nosso grupo é constituído por 10 empresas diversificadas em vários ramos e consolidamos as mesmas num nome só. As empresas estão ligadas à área de construção, à área de aviação, à área de hotelaria e em simultâneo à área de negócio de viagens, à área de transporte terrestre de carga seca e líquida e de passageiros, aqui à nível local de Huambo fizemos transportes colectivos, à área de Indústrias diversificadas: no Huambo tratamos da Coca Cola, da montagem de motorizadas Yamaha, estamos com perspectiva de reabilitar a outra fábrica de gasosa, está a chegar no fim de Julho a linha de montagem de uma outra marca de gasosa, estamos na indústria de panificação e massas alimentares a nível de Benguela através da nossa empresa Jamba, temos a fábrica de água, confeccionamos as merendas: rebuçados, amêndoas, caramelos. Temos uma gama de participações, também através das nossas empresas, em outros grupos. Estamos na área financeira através de dois bancos angolanos onde somos accionista através dessas empresas: o BCA, que agora é ligado a WAPSA, e o Banco do Queve. Estamos com a perspectiva de reparar aqui no Huambo uma estação do banco, é um dado que podemos passar, porque está tudo confirmado, o arranque ainda vai acontecer este ano, se Deus quiser. Tem outras ramificações que são consequências: na área de construção temos a área imobiliária, que compra, repara, aluga e vende imóveis; na área de viagens, a Tropicana, temos um rent a car. E é a mesma Tropicana que tem hotéis em Africa do Sul. A nível de Luanda temos a agência e alguma hospedagem, temos a propriedade de um hotel, só que não podemos meter o nosso reclame, porque alugamos a uma empresa francesa, a S?. Em frente ao Jardim Zoológico, na ilha de Luanda, tem uma unidade grande, que é a nossa propriedade. Nós queríamos explorar como hotel, mas tivemos um pedido de pessoas amigas e importantes, para alugar à S?, então dispensamos a unidade hoteleira que tem 49 quartos de luxo, e alugamos a essa companhia francesa que trabalha na área dos petróleos e temos os nossos dividentes salvaguardados. Tínhamos um reclame, mas tivemos de tirar, porque temos ali uma companhia que não alugou o hotel más alugou o imóvel, nós já não prestamos serviço. Temos a área humanitária, uma parte que eu considero muito importante, porque como vocês podem saber, nasci em Angola, fiz tropa aqui no país, participei, conheço a realidade dos meus camaradas, o quê que se passou, o quê que se passa, então honestamente, esta parte para mim, tenho ela como a minha fé, a minha crença em Deus. Quando entro nela, entro de muito coração, porque não estou a fazer um gesto, um trabalho em vão. Penso que enriquece mais um pouco a minha fé. Temos um centro ortopédico na província do Kuando Kubango. A nossa ONG controla, além dos deficientes físicos, 68 jovens. Desses, 52 são órfãos de pai e mãe, consequência daquilo que todos nós sabemos. Os outros são filhos de mutilados que lá trabalham. No centro temos uma escola, temos um centro ortopédico, estamos em cooperação com o ministério da saúde e uma ONG italiana que nós doa o material para fazermos as próteses, mas a responsabilidade alimentar, a gestão, a disciplina, o método de organização é totalmente da nossa ONG que chama-se Bembwa. É um nome em Umbundo, ombembwa é paz. Estou nisto há 10 anos. Consumo muitos valores e as vezes dá me muita preocupação, é um assunto do qual já não consigo me separar. Eu posso acabar com uma empresa, posso acabar com o meu grupo, não faz mal, mas com isso não posso, porque criei uma simbolização deste Bembwa na cabeça das pessoas e que contam comigo como um salvador para a vida dos seus filhos. Temos um padre católico, que connosco trabalha e que não faz mais outra coisa, pedi ao Arcebispo, o serviço de cada dia é tomar conta dessas pessoas. E eu tenho que abarcar com todas as despesas e as responsabilidades: temos que dar formação para que esses homens não vão ao mercado vazios, mas com uma noção de responsabilidade e uma educação própria, para serem pessoas úteis. Embora com as feridas na cabeça e no coração, mas podem ser úteis à sociedade. A nível de Huambo, temos o apoio que é controlada pela minha assistente para os assuntos humanitários. Apoio igualmente deficientes, não tenho outra hipótese do que fazer coisas, são pessoas que ficaram lesionadas, então pensamos que o nosso envolvimento tenha interesse. É um quadro daquilo que gosto fazer. A sociedade rejeita as pessoas, não valem mais, mas nos podemos ajudar.
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