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Angola Xyami - Notícias de Angola, de África e do Mundo

Intervista a Valentim Amões, Presidente Grupo Valentim Amões Imprimir e-mail
Escrito por : Cfr. no fim da pág   
22-Jan-2008
Índice de artigos
Intervista a Valentim Amões, Presidente Grupo Valentim Amões
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PESSOAL


4) Você tem uma trajectória profissional muito destacada em multiplos âmbitos, e chegou a ser um dos empresários mais dinâmicos em Angola. Qual foi vossa trajectória e o quê que destacaria mais a nível pessoal?


Não só o único. Sabe, quando há dificuldades num país, ou numa família, automaticamente essas pessoas ficam galvanizadas, ficam profissionais, porque sabem o que querem e sabem de onde vêm. Portanto, significa que quando estamos numa casa duas semanas sem comida, temos todos a consciência que não temos comida e estamos fechados, não soubemos qual será o dia de amanhã, o quê que podemos fazer para não desaparecer? Este é um princípio natural de sobrevivência, não se ensina nas escolas. Este é uma ocorrência porque o país ficou agarrado a uma situação complicada e nós tínhamos que sobreviver. Queríamos melhorar as nossas vidas, então tínhamos que nos aplicar noite e dia e afinarmos o conhecimento que tinhamos e procurar o conhecimento necessário para atingirmos além. Aquilo que se diz no comércio, que são ciências não educadas por nenhuma universidade, é a prática do dia dia.
Eu na escola não estudei negócios, a minha profissão não era comercial. Eu andei na escola industrial. Eu fiz o ensino médio. Quando fui para o superior, a situação não permitia. Eu estive na faculdade um ano, não tinha hipótese de pagar as propinas. O meu pai também não tinha, depois por asar morre. Então a coisa tornou-se complicada. É andar com uma mão na escola, outra mão fora, então vi o quê que tinha de fazer. Duas coisas não podia levar, tinha que opinar para uma. Para essa uma, também não tinha o profissionalismo necessário, mas tinha que andar ali, porque para a outra não tinha hipótese. Então optei por abrir uma empresa. Na altura era uma empresa comercial só. Era compra em Luanda e Benguela, vendia cá, depois daqui do Huambo, arranjei um outro mercado na província do Kuando Kubango. Do Kuando Kubango fui para Lobito, depois voltei para Luanda, vi que Luanda era melhor. Fixei me em Luanda, montou-se o estado-maior a partir de Luanda e começamos a actuar em todas as províncias com comando a partir do Luanda.   

 

5) Você também é representante de South African Airlines?


Eu não sou apenas representante. Fui eu que facilitei a negociação, a aproximação entre dois governos zangados. África do Sul invadiu Angola em ’75 e ficou cá até nos anos 89 até a ordem dado pelos Americanos para que os Sul-africanos e o Cubanos podessem sair do país. Estamos a falar da geopolítica internacional. Quando os Americanos deram conta que o bloco de leste podia cair, deram ordem aos Cubanos e os Sul-Africanos para saírem de Angola.
Portanto esta zanga entre países irmãos da África, ultrapassado o conflito que existia, apareceu a paz, apareceu o Bices, não deu o resultado que se esperava, mas deu uma luz, então houve acontecimentos em ’92, não se chegou ao consenso. Em ’94 para ’95 eu começo a negociação entre o meu governo de Angola e os Sul-africanos, mas não na área política, só na área comercial. Comecei a promover que os Sul-africanos voassem para Angola e a TAAG para África de Sul. Falei com o governo, porque não estava nada escrito, eram os governos que não se falavam. Então conduzi as negociações que deu num acordo para que África do Sul começasse a vir para Angola e a TAAG para África do Sul, isso em ’96. Quando comecei a falar com as pessoas, trataram me de maluco, porque pensavam que eu ia trazer guerra, eu dizia que ia trazer só benefício. Quer dizer, uma guerra comercial, boa, saudável, benéfica, mas guerra de tiro nunca.

 

Estamos em Angola para promover o pais e para que os investidores americanos sejam informados sobre o potencial do mercado angolano. Como grande empresário angolano, qual seria a mensagem final para os investidores que queiram apostar no mercado angolano?


Não posso falar das potencialidades que o país tem, porque o mundo sabe o quê que o país tem. Só quero dizer o seguinte, é o momento exacto, efectivamente oportuno, para que as pessoas que querem fazer negócio, apareçam. A minha mensagem tem que ser clara. O que o país tem, os que não conhecem, basta procurar saber, hoje há vários meios de ter conhecimento do que cada país tem. O país tem boas coisas e o momento é oportuno. Não quero pôr dúvidas, há países que já se propõem, como o governo chinês, deu nós dois bilhões, quer no próximo ano dar seis bilhões. Se a China já deu dois bilhões, ainda não foi lhe pago, porquê que quer dar seis bilhões. Portanto o país está bom, o país tem condições, o país tem oportunidades, o país tem capacidade, o país tem aquilo que o mundo procura e existe em outros países. Eu conheço o Brasil, conheço o que o Brasil tem, e aqui Angola também tem, só que Brasil tem menos, aqui temos mais. Portanto, geograficamente podemos considerar que Angola está no meio. O custo é mais competitivo. E este país é um grande produtor, maior produtor de cana-de-açúcar, maior que Brasil é Angola. Maior produtor de arroz, dito pelos próprios Chineses e Vietnamitas, é Angola. O café, já foi um dos maiores produtores do mundo. Então o país está aqui, o país não morreu, o país está aqui, está vivo, os que querem fazer coisas podem fazer. Há esta abertura total do nosso governo, abertura total do nosso lado como empresas. O país, na dimensão que tem, com calculadamente 12 milhões de habitantes, é uma mosca em cima do elefante. Falta ainda muito peso. Para vós, só credes que a vossa revista e os nossos queridos leitores, tenham oportunidade e apareçam e nós estaremos cá disponíveis para recebe-los. Vamos trazer tecnologia, vamos trazer meios para podermos trabalhar, para podermos desenvolver o país, que é o desejo dos Angolanos, o desejo do Governo e o desejo do estado. Os que têm dinheiro, que venham buscar dinheiro, mas têm que ter dinheiro. 

 

Fonte: Winne.com

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