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Página 3 de 4 Como classificar a cidade de Luanda e de que forma deve ser preservada a sua parte velha? A cidade de Luanda está, em termos urbanísticos, a precisar de profundas correcções. Quem for para a baixa de Luanda irá observar que, na altura da construção da grande maioria dos edifícios, não se fazia muito a exigência de os edifícios terem estacionamento interno obrigatório. Hoje, fica difícil estacionar em Luanda. A visão dos estudiosos da cidade de Luanda é que temos de encontrar soluções para desafogar Luanda. Luanda é uma cidade que deve ser considerada como ponto de partida. Qualquer iniciativa tem de partir da reflexão sobre as soluções para a cidade existente. E acho que há sinais claros neste sentido. É o que o Governo está a fazer, neste momento. É preciso resolver o problema da drenagem pluvial. Vemos já as grandes obras de drenagem na cidade. As mesmas obras correspondem também a uma correcção para se criar alguma capacidade receptível do intenso trânsito urbano, completados com o trabalho de ampliação e alargamento de algumas artérias, como a estrada de Catete, da Samba e Cacuaco, etc., etc. Uma outra questão é criar várias oportunidades de acesso ao transporte colectivo urbano. Isto já está visto em termos de idealização. Luanda é das cidades de Angola mais estudadas. Hoje, já não se pode dizer que não sabemos o que devemos fazer para que Luanda mude de rosto. Luanda também tem concorrência com outras capitais do mundo e da região. Então, Luanda tem que se abrir também para entrar nesta competição do mercado globalizado. Daí é que, ao procurar requalificar o centro da cidade, se possa necessariamente pensar na criação daquilo que se chama novas centralidades. As novas centralidades podem surgir em áreas menos aproveitadas daqui do centro da cidade existente, para além da possível criação em várias direcções na sua periferia. A cidade de Luanda pode vir a estender-se até à foz do rio Kwanza? O Governo definiu o perímetro de reserva na zona Sul para garantir uma expansão urbana melhor qualificada. Nesse perímetro, os estudos, já em curso e que vão ser aprofundados, irão determinar até onde se encontra o equilíbrio entre a concentração da população em Luanda e a do resto do país. O dimensionamento da expansão a sul da cidade fica ainda mais dependente da interacção com as outras iniciativas para o surgimento de novas centralidades com funções concorrentes no marco territorial da área metropolitana de Luanda. Gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para procurar ajudar a esclarecer sobre os comentários referentes à criação de uma nova cidade capital. Diríamos que, quando se fala em nova capital, significa, essencialmente, a transferência, por assim dizer, do centro superior do poder político. Do que eu saiba, isto não está ainda na agenda do Governo. Mas existe um projecto de urbanização da cidade de Luanda... Claro, a cidade vai crescer, mas não é por isso que se vai chamar uma nova capital. Capital, como entidade, é Luanda. Haverá, sim, novas centralidades para melhor organizar a Luanda existente. Mas o importante é não esquecermos a cidade existente. E mais: considerar que Luanda não pode concentrar tudo em termos de previsão de investimento para o desenvolvimento do país. Temos que conciliar o seu desenvolvimento com as outras províncias. Está a querer dizer que as pessoas estão a fazer uma leitura errada ao projecto que existe para Luanda? Quer dizer, uma interpretação errada? Eu me lembro de ter lido um artigo, num semanário, em que se levantou esta problemática da criação de uma nova cidade capital. Até se fez referência a uma localização no interior do país. Observei que ninguém reagiu. E se ninguém reagiu na altura, quer dizer que não constituía prioridade da comunidade. Como Ministério do Urbanismo e Ambiente, a grande orientação que recebemos de Sua Excelência Senhor Presidente da República é a de tratarmos de aprofundar a interpretação de todos os grandes empreendimentos que estão a surgir em Luanda no sentido de integrar os seus efeitos positivos, rentabilizando as diversas sinergias latentes. No fim deste trabalho, que poderá terminar, se tudo correr bem, no primeiro trimestre do próximo ano, este grupo técnico interministerial, criado por despacho presidencial, vai elaborar os termos de referência para estudos muito mais aprofundados que determinarão o futuro urbanístico da área metropolitana de Luanda incluindo os planos-directores de Luanda, Catete e Caxito.
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