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Angola/Eleições: Manifestações da campanha eleitoral em Angola crescem a 10 dias do pleito |
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Escrito por : Cfr. no fim da pág
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26-Ago-2008 |
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As ações de campanha eleitoral em Angola estão crescendo e os bairros populares de Luanda enchem-se, finalmente, de colorido partidário, mas o debate político continua ausente da corrida para as segundas legislativas do país marcadas para setembro.
O "medo da exposição ao ridículo" dos partidos menos organizados e uma "opção estratégica" do maior partido da oposição são razões apontadas à Agência Lusa pelo sociólogo Paulo Carvalho para a ausência de "discussão direta" nesta campanha.
O sociólogo admite ainda que os partidos decidiram esperar pelas presidenciais, previstas para 2009 e que vão "definir, de fato, o poder" em Angola, para serem "mais exigentes" quanto ao debate direto.
As eleições legislativas acontecem em 5 de setembro e a campanha eleitoral, que começou em 5 de agosto, tem sido marcada por uma letargia que surpreendeu os analistas políticos angolanos.
Mas no último final de semana marcou uma nova fase de campanha, com o surgimento de ações partidárias nos bairros de Luanda, com destaque para pequenas festas com música, comida e bebidas.
O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder) está claramente à frente no número destas pequenas festas, cuja característica comum é a colocação de aparelhagens de som e a circunscrição dos espaços com bandeiras e material de propaganda.
A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) tem concentrado as suas atenções no interior do país. Nos meios de comunicação social públicos, o espaço ocupado por ações do MPLA e do seu governo sobrepõe-se claramente aos restantes partidos da oposição.
As posições assumidas pelos concorrentes não são, por norma, complementadas com o contraditório de forma a dar corpo á troca de idéias. Na imprensa privada, incluindo rádios, apenas entrevistas a figuras ligadas à sociedade civil e a dirigentes partidários têm permitido esparsa discussão política, embora sempre sem debate direto.
A razão para a ausência de debate, segundo Paulo Carvalho, passa pela "falta de preparação dos partidos e o medo de expor fragilidades, de se exporem ao ridículo, e porque a disputa política fulcral vão ser as presidenciais, não as legislativas".
"Com a atual Constituição, é o Presidente da República que nomeia e dirige o executivo e, como tal, os partidos aguardam pelas presidenciais para aumentar a tensão e o teor das críticas", disse o sociólogo.
Paulo Carvalho entende ainda que em Angola apenas o MPLA e a UNITA detêm experiência governativa e quadros que permitem algum "à-vontade" para o debate "mais profundo de idéias".
Mas a "verdade" é que, neste momento, "quem tem que desafiar é a UNITA e quem tem que aguardar pelo desafio é o MPLA", apontou. "E se esse desafio não surge é porque a UNITA percebeu que tem mais a ganhar em dar uma imagem diferente do passado, onde era mais desafiadora e acutilante", defendeu.
Paulo Carvalho contraria a idéia de que não existe uma tradição de debate político em Angola: "Existe essa tradição desde 1992, mas foi-se perdendo à medida que o tempo foi passando".
As legislativas de 5 de setembro acontecem 16 anos depois das gerais de 1992, em que o MPLA ganhou o executivo e o segundo turno das presidenciais ocorreu devido ao reinício da guerra civil.
Fonte:Agência Lusa
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