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O ministro das Relações Exteriores angolano, João Bernardo Miranda, considerou estratégica a cooperação com o Brasil, estabelecendo como prioridade a reabilitação de infra-estruturas em Angola.
Em declarações à Agência Lusa após um encontro com o seu homólogo brasileiro, Celso Amorim, na quinta-feira, no Rio de Janeiro, o chefe da diplomacia angolana, que hoje termina uma visita de dois dias ao Brasil, afirmou que "a prioridade imediata são as infra-estruturas nas cidades angolanas como o tratamento de água e energia". Miranda destacou que a cooperação entre o Brasil e Angola baseia-se na "boa vontade política que existe entre os dois governos e também na aproximação humana entre os povos". "Nós viemos de uma guerra que durou 30 anos e acabou há quase seis. Portanto, nós projectamos que esta cooperação com o Brasil será estratégica atingindo todos os sectores da vida nacional como o ensino, as ciências, a cultura e a economia", realçou. A I Reunião de Consultas Políticas Brasil-Angola foi criada por ocasião da visita do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva a Angola, em Outubro de 2007, e serviu como marco inicial para dinamizar as iniciativas de cooperação bilateral e preparar a visita ao Brasil do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, prevista para o próximo ano. Ainda segundo Miranda, é preciso haver maior aproximação e estreitar os laços de comunicação entre os dois países. "Há um défice muito grande de informação sobre a África, assim como nós também temos um défice significativo por parte de Angola sobre o Brasil", disse. Por seu lado, Celso Amorim considerou que Angola tem-se destacado na economia internacional após a sua independência e "é natural que seja feita uma parceria mais densa voltada para uma relação de igualdade de cooperação". "Temos que sair de uma relação que era paternalista para uma relação de igualdade com uma parceria verdadeiramente estratégica que o Brasil pode ter com Angola. Esse é o desejo dos dois países. O Brasil tem mais experiência, mas há muita coisa que podemos fazer em conjunto", avançou o ministro das Relações Exteriores brasileiro. Actualmente, há em Angola mais de 30 empresas brasileiras e a tendência é a de que este número aumente, face às elevadas taxas de crescimento registadas pelo país africano. "Nós hoje temos um crédito rotativo com Angola que funciona bem. Até Junho deste ano o comércio já praticamente igualou o do ano passado, um comércio verdadeiramente exponencial", realçou Amorim. No ano passado, o comércio entre o Brasil e Angola somou 2.164 milhões de dólares (1.357 milhões de euros) e, só no primeiro semestre deste ano, as trocas comerciais entre os dois países já chegaram a 1.957 milhões de dólares (1.227 milhões de euros). Segundo o Governo brasileiro, de 2003 a 2007, esse montante aumentou quase nove vezes. E neste mesmo período, as exportações brasileiras passaram de 235 milhões de dólares (147 milhões de euros) para 1,21 mil milhões (761 milhões de euros). FO. Lusa
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