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Jorge Valentim, dirigente histórico da UNITA, esteve ontem no Lobito com trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Benguela e do Porto Comercial do Lobito. Mais uma vez, o dirigente político apelou ao voto no MPLA. Esta decisão resulta de uma decisão reflectida, madura e patriótica porque visa “a manutenção da Paz e da estabilidade no país”. Jorge Valentim disse aos trabalhadores que “esta é a hora de demonstrarmos ao mundo que os angolanos querem união e a conjugação de esforços para o desenvolvimento do país, por isso vamos fazer uma escolha realista, olhando para o futuro”.
Jorge Valentim, no período da manhã, esteve no “Cine Imperium”, na cidade do Lobito, onde foi saudado por milhares de trabalhadores do CFB, tendo em seguida proferido um discurso no qual fez uma resenha cronológica de todos os acontecimentos políticos que culminaram com a ruptura, em 2007, com a actual direcção da UNITA, a quem acusou de não ter mudado os “seus propósitos de divisão e abuso dos angolanos”. Ao explicar as suas motivações, Jorge Valentim disse que nas eleições estão em causa valores elevados, pois permitem a salvaguarda de interesses estratégicos nacionais.
“Por esse motivo, apelamos a uma aliança estratégica, para atingirmos os objectivos estratégicos comuns”, disse o dirigente histórico da UNITA, que está em conflito com a actual direcção. Jorge Valentim fez alusão a uma fábula ensinada “pelos nossos mais velhos” e que desaconselha alguém a usar o fígado de uma formiga para fazer uma refeição. “Quando chegarem às vossas casas, procurem encontrar o fígado da formiga e depois digam-me qualquer coisa”, ironizou Jorge Valentim.
No período da tarde, Jorge Valentim foi recebido com entusiasmo no recinto desportivo da Casa do Pessoal do Porto do Lobito, agora acompanhado por Kundi Paihama e outros dirigentes da campanha do MPLA, tendo igualmente explicado aos presentes a sua posição política nestas eleições. Apelou mais uma vez ao voto no MPLA.
Valentim emocionou-se quando recordou os episódios de 1992, que levaram 2 800 trabalhadores portuários a abandonarem os seus postos de trabalho, após terem sido instigados pela UNITA, após a derrota nas eleições. “Depois das promessas, a UNITA abandonou pura e simplesmente esses trabalhadores”, denunciou .
“Nós agradecemos a magnanimidade do Governo de Angola ao olhar para esses angolanos, dando-lhes a possibilidade de refazerem as suas vidas de uma forma digna”, referiu Jorge Valentim, aludindo a uma decisão das autoridades em reenquadrar os trabalhadores no sistema de segurança social, para os que atingiram a idade de reforma e em novos postos de trabalho, para os mais novos.
“O meu apelo é claro, no sentido de darmos uma maioria substantiva ao MPLA, para a garantia das reformas e da estabilidade no país, porque não vamos aceitar mais divisões por parte daqueles que não mudaram as suas mentalidades”, exortou .
Jorge Valentim está há uma semana em casa de seus pais, no bairro da Canata, na cidade do Lobito e tem feito sucessivas declarações públicas nas quais tem explicado as causas da sua ruptura com a UNITA, liderada por Isaías Samakuva, e as razões do seu apelo ao voto no MPLA, nas eleições legislativas.
A direcção da campanha da UNITA acusou o político de se ter mudado para o MPLA, contudo o ambiente político na região do Lobito, onde a UNITA tradicionalmente tinha muitos apoiantes, apresenta agora sinais claros de que Jorge Valentim goza de simpatia entre as populações locais, facto que tem permitido a aceitação da sua mensagem.
O político, considerado um dos “históricos” da UNITA, foi o primeiro representante do movimento na cidade portuária do Lobito, em 1975. Ocupou altos cargos na hierarquia do partido até 1992, altura em que surgiram as primeiras clivagens na cúpula da UNITA, entre os que optaram pela retomada da guerra após a derrota nas eleições e os que aceitaram os resultados e permaneceram em Luanda. Valentim e outros dirigentes fundaram a UNITA-Renovada, facto que permitiu aos deputados eleitos pela UNITA ocuparem os seus assentos na Assembleia Nacional.
Fonte:Jornal de Angola
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