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Crise no Partido de Renovação Social (PRS) promete novos desenvolvimentos, António Machicungo |
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Escrito por : Cfr. no fim da pág
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29-Jun-2008 |
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O Partido de Renovação Social indicou ontem António Machicungo para assumir a liderança da formação política até as próximas eleições legislativas, numa decisão que pode colocar fim ou abrir novos capítulos na crise política interna.
A decisão de António Muachicungo dirigir o PRS foi tomada ontem na conferência dos renovadores sociais, marcada pela ausência de Eduardo Kuangana, que lidera a outra ala.
O novo presidente do PRS já fez saber que a próxima semana será decisiva para o partido, com a apresentação ao Tribunal Constitucional das conclusões do encontro de sexta-feira última.
“O Partido de Renovação Social fechou o ciclo de desentendimento com a conferência que indicou uma direcção que vai levar o PRS às próximas eleições que se avizinham. Amanhã teremos mais uma reunião de trabalho e a próxima semana será a semana decisiva. Portanto tão logo o Tribunal Constitucional diga que o encontro de hoje produziu os seus efeitos jurídicos e políticos, e que a nossa direcção é sobejamente reconhecida (pelo Tribunal Constitucional), nós iremos entregar os estatutos e as candidaturas às eleições parlamentares”, disse António Muachicungo.
Machicungo conta com o apoio de Lindo Bernardo Tito e, em jeito de recado a Eduardo Kuangana e outros membros da direcção cessante e ausentes da reunião, afirmou que “a nova liderança é resultado da vontade dos militantes”.
As tentativas de unificação do Partido de Renovação Social, em conflito há mais de nove anos, não têm tido êxitos e ontem foi mais uma em que, devido à ausência da ala liderada por Eduardo Kwangana, as coisas permaneceram no mesmo pé.
Em declarações à Angop, o secretário para a informação do partido (ala António João Machicungo), Lindo Bernardo Tito (na foto), disse que o mais importante já foi feito, que é a criação da comissão de reunificação para pôr fim aos antagonismos existentes há nove anos.
Segundo o secretário, houve contactos com as autoridades religiosas e tradicionais, mas mesmo assim o conselho político afastou-se.
“Trouxemos a parte que está disponível para unificar o partido porque não temos mais tempo a perder, e com este acto acredito que o Tribunal Constitucional irá reconhecer e legitimar para que concorramos às eleições, tendo como presidente do partido António João Machicungo”, sublinhou.
A crise instalou-se em 1999, na sequência da expulsão do seu Congresso de António João Muachicungo (concorrente à liderança, frente a Eduardo Kwangana), Domingos Tunga e Jaime António Chinguimbo, por alegado desvio aos estatutos.
António Muachicungo proclamou-se então presidente do partido, com o argumento de ter sido o único candidato legalmente inscrito na Comissão Nacional (CN) preparatória do evento, para o cargo.
Despoletou a impugnação da eleição de Eduardo Kwangana, por alegada desobediência às normas deliberadas pela CN do PRS e a sua linha política, ao mesmo tempo que considerou ilegítimo o conclave (no qual participaram cerca de 200 delegados).
Desde essa data, o terceiro partido mais votado no pleito de 1992, com seis assentos, atrás do MPLA (129) e da UNITA (70), enfrenta uma crise interna, cada vez mais a aprofundar-se.
Fonte:JA/Angop
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