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Eleições/Angola: Missão da UE apontará eventuais imperfeições nas eleições angolanas |
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Escrito por : Cfr. no fim da pág
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08-Ago-2008 |
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A chefe dos observadores da União Européia (UE) nas eleições de Angola, a italiana Luísa Morgantini, afirmou nesta quinta-feira, em Luanda, que a missão apontará eventuais falhas no processo eleitoral por ser um "órgão independente".
"Se considerarmos estas eleições imperfeitas vamos dizê-lo, porque somos um órgão independente", frisou Luísa Morgantini, que é vice-presidente do Parlamento Europeu.
Luísa Morgantini admitiu que os cerca de cem observadores que a União Européia vai colocar em Angola para acompanhar as eleições legislativas de 5 de setembro não são suficientes para cobrir todo o território.
No entanto, a parlamentar destacou que a missão da UE vai ter pelo menos duas pessoas em cada uma das 18 províncias angolanas e vai trabalhar em coordenação com outras missões de observação para ter uma idéia global e correta do processo eleitoral.
Luísa Morgantini lembrou que não é possível colocar uma pessoa em cada um dos 12.400 locais de votação, mas garantiu que as mais de 70 eleições que a União Européia acompanhou, em mais de 40 países, deram experiência ao bloco para escolher "uma amostra correta" das eleições em Angola, desde o início da campanha até a divulgação dos resultados.
Como prioridades da missão de observação, a União Européia coloca a atuação dos meios de comunicação, a liberdade dos partidos políticos concorrentes, o financiamento dos partidos, a neutralidade e transparência da Comissão Nacional Eleitoral, o acesso da população à informação e à formação cívica e o acesso das forças políticas à cidadania.
A chefe da missão enviada por Bruxelas frisou que a missão não é política, limitando sua ação à observação dos procedimentos eleitorais.
Na conversa com os jornalistas, Morgantini, que falou sem rodeios, mesmo quando expressava sua opinião pessoal, disse que acompanhou com "muito interesse" o processo angolano de luta contra o colonialismo e demonstrou igual empenho na observação da recuperação do país desse "atraso".
Para a eurodeputada, "o maior desafio" desta votação é ultrapassar o "trauma" das eleições de 1992 - as primeiras em Angola, que reacenderam a guerra civil após a recusa dos resultados pela Unita, sob a alegação de fraude.
A política italiana gostou dos recentes discursos do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que falou à nação antes do início da campanha, e dirigiu iguais elogios aos discursos do líder da oposição, Isaías Samakuva, presidente da Unita.
A chefe dos observadores da UE lembrou que a missão é independente de posicionamentos posteriores dos Estados que formam o bloco europeu e disse esperar que a estrutura que lidera possa contribuir para a credibilidade das eleições e a confiança de todos os intervenientes no ato eleitoral.
A missão européia será a maior em atuação em Angola, para a qual Bruxelas, através da Iniciativa Européia para a Democracia e os Direitos Humanos, desembolsou 2,8 milhões de euros, segundo Morgantini.
A política se mostrou surpreendida pelo elevado custo de vida em Angola, especialmente em Luanda, mas disse que todos farão esforços de contenção de gastos.
Dos cem observadores da missão, 50 estarão em Angola a partir de sábado, acompanhados por oito peritos de cinco países da UE, incluindo Portugal.
Fonte:Lusa [
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