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Ernesto Bartolomeu, vedeta do telejornal na TPA, está suspenso desde 5 de Maio último por alegada quebra do «sigilo profissional».
«Foi-lhe instaurado um processo administrativo interno», segundo a chefe do gabinete jurídico da TPA, Antónia Pacavira, negando a versa da «suspensão» referida na média privada no último fim-de-semana. A mesma responsável indicou no entanto que não aceitava entrar mais em pormenores «num processo que está a correr os seus trâmites». De facto, o jornalista em causa há mais de uma semana não aparece no écran a apresentar, o noticiário televisivo, com o seu singular estilo empolgante, voz metálica, vestido a rigor elegante com gravata cada dia variada a gosto dos jovens telespectadores. Também, desligou o seu telemóvel, por verosímil cautela para com sua delicada condição conjuntural. Palestra no Cefojor Colegas do mesmo sustentam que ele está, realmente, a braço com um processo disciplinar, mandado instaurar após a sua intervenção na palestra ocorrida no passado 30 de Abril. A intervenção ocorreu numa sessão de formação promovida no Cefojor, enquadrada na celebração anual de 3 de Maio, dia mundial da liberdade de imprensa. O ministério da comunicação social abençoou o encontro com a sua abertura pelo vice-ministro da comunicação social, Manuel Miguel Wadijimbi. O palestrante de destaque foi o jornalista da Voz da América, Luís Costa Ribas, convidado de Washington para elucidar a postura da imprensa no próximo pleito, tendo em conta a experiência de 1992, vivida pelo convidado. Ernesto Bartolomeu, na altura da intervenção dos palestrados, expôs a censura reinante na TPA e pediu o subsídio do palestrante para a enfrentar e poder viabilizar a deontologia ensinada. Bartolomeu augurou, inclusive, a possível má interpretação da sua franqueza sobre as frequentes pressões favoráveis ao partido do poder que imperavam em casa na verdade. Indignação O processo instaurado contra si deveu-se a esta saída, tendo já provocado a indignação do secretário para a organização do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), Mário Maiato. «A direcção da TPA evocou a insubordinação do jornalista com base no artigo 46, alínea d da Lei Geral do Trabalho, acusando-o de ter violado “o sigilo profissional”. Já com esta acusação, a direcção da TPA admite a existência a existência da censura», lamentou o sindicalista. Reforçou, focando «o decreto-lei 16 A/95 das disposições administrativas, que desobriga o trabalhador a obedecer a uma instrução que infringe a lei como a censura, claramente condenada pela lei constitucional e a lei de imprensa.» Para si, o ministério deve usar desta vez a autoridade de tutela legal para por cobro a este «escândalo». O SJA, indicou por seu torno a sua secretária geral, Luisa Rogério, estava a exigir uma explicação à direcção da TPA. Também, Misa-Angola prepara uma tomada de posição sobre a ocorrência assim como ‘Reporters Sans Frontières (RSF)”. «É um escândalo de todo o tamanho», comentou o correspondente de RSF, Siona Casimiro, frisando que se trata apenas da sua «reacção preliminar». Fonte: Apostolado
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