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O vice-ministro da Comunicação Social, Miguel de Carvalho «Wadijimbi», reconheceu, no Huambo, que o fenómeno da liberdade de imprensa no país ainda a duas velocidades, numa clara alusão à divisão por ilhas regionais isoladas, ao se notar ainda muitas restrições no interior de Angola.
O governante que falava à margem do acto central nacional do Dia Mundial de Liberdade de Imprensa assinalado no último sábado, 3 de Maio, disse igualmente que essa discrepância resulta de uma série de factores, quer materiais, humanos, como sociais.
«Tudo isso tem muito a haver com o desenvolvimento da comunicação social. Então, esse desenvolvimento desequilibrado, naturalmente faz com que haja, em certas localidades, mais desenvolvimento que outras; da maneira que eu acredito, por exemplo, que a província do Huambo esteja em melhores condições que a província do Kuando-Kubango ou a do Cunene ou Lunda-Sul. Já o Huambo deverá estar ao mesmo nível da Huíla e Benguela. Então, essas diferenças é que fazem com que também haja, se calhar, algumas diferenças, do ponto de vista ainda de alguma exigência que se coloca no domínio do jornalismo.
Por essa razão também, nós, ao compreendermos todas essas situações, temos de tolerar que o grau de exigência que fazemos com os jornalistas na capital, não é a mesma que fazemos em relação aos jornalistas das províncias.
E essas limitações, naturalmente, podem afectar em certa medida que a liberdade real ainda que é exigida possa sofrer uma certa timidez nesta ou naquela localidade»
Enquanto isso, para o Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA), uma vez transportada para o plano mundial a realidade do estado de liberdade de imprensa no país, Angola regista ainda muitos furos abaixo no gráfico comparativo com a situação actual nos outros países, alguns dos quais africanos.
Siona Casimiro, membro fundador do MISA-Angola, é de opinião que devia se fazer um pouco mais de esforço, para se tentar, ao menos, aproximar os níveis de liberdade dos jornalistas em Angola aos padrões universais.
«Quanto ao estado de liberdade de imprensa no meu país, a realidade é aquém do desejável. Digo isso, porque estruturalmente, o nosso país faz parte do grupo dos países da terceira categoria, ou seja, Angola faz parte do grupo de países qualificados como não tendo atingido os padrões exigidos internacionalmente. Isso não significa que estejamos a criticar ou censurar esse ou aquele responsável. Mas, estou apenas a definir; a qualificar o estado desse valor no quadro nacional, em comparação com o quadro mundial. No quadro universal, Angola não faz parte do chamado grupo de países do primeiro mundo, nem do chamado grupo do segundo mundo. Ela está no grupo do terceiro mundo, onde estão aglutinados países onde esse valor precisa ainda de muito incentivo».
Siona Casimiro, que falava em exclusivo à «Voz da América», reconheceu, por outro lado, ter havido uma certa evolução, em relação ao passado recente do país, com a abertura, ainda que ténue, das instituições do Estado e do Governo, face aos apelos ao exercício livre da profissão jornalística.
Números divulgados recentemente, dão conta de que o ano de 2006, foi o mais trágico para os jornalistas do mundo inteiro, com o registo de mais de 150 assassinatos no seio dos profissionais da comunicação social, para além de outros tantos que foram capturados, ameaçados ou agredidos de diversas formas, em nome da liberdade de imprensa.
Fonte:VOA
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