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O primeiro-vice-presidente da Assembleia Nacional, João Lourenço, convidou quarta-feira a população a juntar-se aos esforços do Governo no processo de recolha de armas em posse ilegal de cidadãos, entregando-as voluntariamente ou denunciando aqueles que teimam em guardá-las consigo.
"Lugar da arma é junto da competente autoridade, nos quartéis das Forças Armadas Angolanas, nas unidades da Polícia Nacional e outras permitidas por lei, quando devidamente autorizadas", sublinhou o parlamentar, ao proceder à abertura das jornadas sobre defesa nacional - organizadas pelo Instituto de Defesa Nacional e a Assembleia Nacional.
João Lourenço explicou que a recente medida do Governo, de recolha de armas em posse ilegal do cidadãos, demonstra o seu empenho na garantia da ordem e segurança para os cidadãos durante o período eleitoral, de maneira que cada eleitor exerça o seu direito de voto de forma voluntária, responsável, patriótica e sem sobressalto.
"Todos os cidadãos são assim convidados a juntar-se ao esforço do Governo, entregando voluntariamente a sua arma, caso a possua, ou ainda denunciado aqueles que teimam em querer guardar consigo os instrumentos da violência, da morte e da instabilidade", exortou João Lourenço, que falava em representação do presidente da Assembleia Nacional, Roberto de Almeida.
Entretanto, o parlamentar disse acreditar que a votação acontecerá dentro do maior civismo e espírito patriótico característico dos angolanos, a julgar pela forma exemplar como decorreu o processo de registo eleitoral.
Recordou ainda que o país, após décadas de conflito armado que destruiu vidas humanas e importantes infra-estruturas económicas e sociais, vive hoje em paz e reconciliado, fortemente empenhado na reconstrução nacional e criação das condições básicas para garantia do bem-estar dos cidadãos.
A este respeito, destacou o pragmatismo e sentido de Estado do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na conquista e preservação desta nova realidade de paz e reconciliação nacional, ao ter sabido "interpretar o sentimento dos angolanos de esquecer o passado que nos dividiu e abraçar o presente que nos une e nos faz crescer e prosperar".
Apelou aos sectores da Defesa Nacional a tirarem partido e beneficiar da situação de paz e estabilidade política vigente, sobretudo da cada vez mais clara tendência de crescimento económico que se vem registando nos últimos anos.
Relativamente à situação de paz transnacional, João Lourenço mostrou-se preocupado com a conturbada região dos Grandes Lagos, cuja situação de conflito continua a retardar o desenvolvimento económico e social de países com potencialidades demográficas e de recursos minerais dos maiores do continente.
Exortou os participantes a debruçarem-se sobre a contribuição de Angola nos esforços que a comunidade internacional, sob os auspícios da União Africana e das Nações Unidas, têm vindo a desenvolver, visando a paz definitiva para esta sub-região que, dada à sua proximidade fronteiriça com o país, deve constituir para os angolanos motivo de permanente preocupação.
João Lourenço apontou a emigração ilegal, o garimpo e tráfico de diamantes para além das fronteiras nacionais como as consequências directas da instabilidade nos países limítrofes, as quais devem levar a reflectir sobre o interesse de Angola na resolução pacífica do conflito multinacional que envolve os estados dos Grandes Lagos.
As jornadas, em que participam deputados e outras pessoas interessadas, vai debruçar-se sobre vários temas, nomeadamente os desafios futuros das FAA, conceitos de segurança e defesa nacional, noções de polemologia e introdução à geopolítica e geoestratégia.
As relações civis-militares, economia e defesa nacional, Angola nos contextos regional e internacional e a defesa nacional, as FAA e a Lei Constitucional, encerram o leque de temas destas jornadas, cujo objectivo principal é propiciar ampla informação e espaço de reflexão aos participantes sobre a questão da defesa nacional.
Facultar aos participantes contacto actualizado com a realidade nacional e internacional constitui outro dos principais objectivos, segundo o presidente da Comissão de Defesa Nacional, Segurança e Ordem Interna da Assembleia Nacional, José Domingos Francisco Tuta "Ouro de Angola".
F: Angop
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