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O ministro do Interior, Leal Monteiro “Ngongo” esteve em vias de ser afastado em Maio, mas a medida foi objecto de “reconsideração”, por efeito directo de uma orientação que levou o PR, José Eduardo dos Santos (JES) a não proceder a afastamentos internos. O fito foi o de manter a coesão do regime. Leal Monteiro “Ngongo” é pouco considerado em círculos influentes do regime. Entre as razões respectivas avulta aquilo que se diz ser o seu apagado passado militar (que o próprio trata de apresentar de forma onírica) e também o exercício do actual cargo (acusado de bloquear e protelar os processos movido por obsessões de controlo).
Há cerca de três meses Leal Monteiro “Ngongo” elogiou ostensivamente JES, a propósito da chamada Batalha do Cuito-Cuanavale, cujo pretenso êxito atribuiu, em termos considerados gongóricos, à “clarividente visão estratégia” do PR. De acordo com conjecturas pertinentes, a prestação de Leal Monteiro “Ngongo”, evitada por outros, visou cativar a simpatia do PR. Mal estar na Polícia A recente demissão do comissário Alfredo Mingas “Panda” do cargo de 2º Comandante-Geral da Polícia para a Intervenção e Segurança, que acumulava com o de comandante interino da Polícia em Luanda, do qual também foi afastado, ocorreu em circunstâncias consideradas reveladoras de mau ambiente na corporação e no sector da segurança. À data da demissão, a que se seguiram outros reajustamentos internos, estavam identificados casos típicos de atrito e tensão no relacionamento pessoal e institucional de titulares da cadeia de comando da Polícia, entre si; a acção do ministro do Interior, Leal Monteiro “Ngongo”, era considerada permissiva e/ou agravante do fenómeno. O mal estar específico entre Alfredo Mingas “Panda” e o Comandante-Geral, Ambrósio de Lemos, era considerado reflexo de uma diferença de mentalidades entre ambos, assim como de descoincidentes entendimentos acerca da missão da Polícia e métodos de actuação (havia também suspeitas do Comandante-Geral de que Alfredo Mingas “Panda” aspirava a substituí-lo). Alfredo Mingas “Panda”, que também era alvo de desconfianças da parte de outro 2º Comandante-Geral, Paulo Almeida, este teoricamente mais qualificado para vir a ocupar o cargo de Comandante-Geral, é um dos mais prestigiados oficiais da Polícia e goza de apoios internos (no regime) que em geral são decisivos. A saber: - Comandou até há pouco e durante muito tempo o destacamento da Polícia angolana em Kinshasa, um dos pilares do sistema de protecção e segurança montado por Angola em torno de Joseph Kabila. - Reportava directamente ao chefe da Casa Militar da PR, General M H Vieira Dias “Kopelipa”, com o qual mantinha relações amistosas. As alegadas ambições de Alfredo Mingas “Panda” ao cargo de Comandante-Geral, não obstante Paulo Almeida estar melhor posicionado para o vir a ocupar, eram aparentemente alimentadas pelo precedente da nomeação de José Morgado “Ekwikwi”, que antes disso também fora 2º Comandante-Geral para a Intervenção e Segurança. José Morgado “Ekwikwi” foi afastado do cargo no seguimento da demissão de Fernando Miala, com o qual mantinha estreitas relações de amizade. Não foi recuperado até agora, aparentemente por que não deu mostras de pretender renegar tal amizade (atitude diferente de muitos dos antigos amigos de Miala). Fonte: Africa Monitor
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