| Nebulosidade eleitoral: a estrategia de exclusão na competição, por Filomeno Viera Lopes |
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| Escrito por : Cfr. no fim da pág | |
| 25-Jun-2008 | |
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1. Decreto Presidencial.Soou o tiro da largada? De facto, alguns partidos há muito que ultrapassaram a fase de aquecimento e estão numa corrida infernal. Contudo, o dia 4 de Junho é o marco que define as eleições para o dia 5 de Setembro (90 dias depois). Mas é um marco meramente oficial para limitar os actos dos agentes eleitorais (instituições, partidos, eleitores) e para demarcar todo o seu calendário. Uma data naturalmente estudada por aqueles que controlam a agenda política e que julgam terem todos os elementos para satisfazerem as suas intenções. Por isto, os eleitores conscientes da sua participação no processo eleitoral teriam 30 dias (até ao dia 4 de Julho) para apoiarem os partidos políticos a apresentarem a sua candidatura. São necessárias cerca de 14.000 a 15.400 assinaturas, ou seja, de 5.000 a 5.500 para o círculo nacional e de 500 a 550 para cada círculo provincial eleitoral, devendo o partido ter apoiantes, no mínimo nessa dimensão, em todo o território nacional. Basta que apenas sejam aceites 499 assinaturas numa das províncias para que um partido seja eliminado da corrida, mesmo que apresente 15.399 assinaturas válidas. “Estranhamente”, já em 2005, altura em que se aprovou a Lei com este postulado do artigo 62º já se excluía o círculo do Exterior que mais tarde a CIPE, apoiada por um grupo do CNE, entendeu excluir por alegadas faltas de condições para o registo. Um eleitor para as Legislativas pode, de acordo com a omissão na Lei e da interpretação do Presidente da Comissão Nacional Eleitoral, apoiar (assinando) mais que uma candidatura. No fundo, é um direito do eleitor, independentemente de ser dum partido político ou não e não tem que apoiar necessariamente o seu partido. Basta que deseje que certo partido concorra. A grande maioria dos eleitores está apática, esperando vários convites dos partidos. Outros estão sendo influenciados por actos truculentos contra a lei destilados pelos agentes da governação e do partido da situação e abdicam da sua posição de cidadania, mesmo correndo o risco de não verem o partido da sua preferência concorrer. Os partidos que apresentarem as suas candidaturas virão as mesmas serem apreciadas, eventualmente pelo novel Tribunal Constitucional, logo após terminado o prazo de entrega. Mais apreciação, menos rectificação as listas definitivas serão afixadas 42 dias antes das eleições. A partir daí já se saberá quem efectivamente vai à corrida e todos aqueles que não se empenharam no processo de preparação, todos os eleitores que não ajudaram o seu partido a candidatar-se, perderão imediatamente a opção de votar em quem mais confiam e gostam. A largada, de facto, ainda é um mero exercício de preparação sem que as condições do concurso, afinal, estejam todas definidas. No imediato, não se sabe exactamente como é que as tais, cerca 15.000, assinaturas deverão ser suportadas. A Lei Eleitoral e o decreto-lei que lhe corresponde apenas falam que devem ser eleitores, mas não dizem, como no caso dos candidatos à deputados, como se justifica essa condição nem a forma de comprovar a respectiva assinatura. Sabendo que o actual poder é useiro e vezeiro em truques e manobras alguns partidos se foram precavendo solicitando aos seus apoiantes cópias quer do BI, quer do cartão de eleitor, facto que tem merecido nâo só polémica, como grosseira ou subtil desinformação, prisões, agressões, ameaças, etc. O mais caricato é que nenhuma entidade envolvida no processo (Assembleia Nacional, Governo e Comissão Nacional Eleitoral, Tribunal Supremo) veio esclarecer a situação até a presente data, pese a insistência de alguns partidos nesse sentido. Alguns outros estão tranquilos como se já conhecessem a “dica”, eventualmente os “escolhidos” para a competição. O Presidente da Comissão Nacional Eleitoral, que também não sabe como se deve proceder, é de opinião que não são necessárias as tais fotocópias, mas adverte que a sua opinião não engaja. Solicitou esclarecimentos ao Tribunal Supremo, mas o seu Presidente diz que está mais preocupado em indicar o seu representante no Tribunal Constitucional para este depois atacar estes problemas. Por exemplo, um eleitor que não sabe escrever perde o direito à subscrição? Ora, um assunto que deveria ser definido em 2005, ainda está por resolver há 15 dias da data limite da entrega de 15.000 assinaturas! Quando não é visível, em rigor, quando vai este Tribunal entrar em funções. Outras indefinições ficaram patentes nas alterações propostas (e a propor) pelo grupo parlamentar do partido da situação nas vésperas do tiro para concurso e após o mesmo: Mudar a composição da CNE e as respectivas comissões provinciais, alterar a data da publicação dos resultados eleitorais, alterar os prazos da entrega pela CIPE dos cadernos eleitorais à CNE e, agora, alterar as eleições para 2 dias. Estamos de facto na democracia do dono da bola (Bonga). Nem já o tempo do jogo é respeitado!!! A FpD já pediu ao Presidente da República para não promulgar tais propostas. Próximo do pleito e quando já está em curso o processo ao invés de se esclarecer os casos omissos, inventam-se questões de última hora para ajustar melhor os interesses dum só partido aos resultados eleitorais pretendidos. Sem regras bem definidas e com mudanças de regras a escassos metros da meta, o processo está obviamente ferido de transparência. Falta de transparência essa que se agrava quando o CNE foi incapaz de dizer simplesmente ao eleitor que ele deve e pode apoiar, por direito, os partidos políticos com a sua assinatura dando, assim, cobertura a toda a controvérsia e violência que se tem observado nesse processo, mostrando ser parte interessada nesta confusão. 3. Ambiente Político Mas isto não é tudo. A pressão camuflada que actualmente se exerce sobre a FpD visando intimidar o seu processo de recolha de assinaturas com o SINFO, a Polícia, os governos provinciais mobilizados e, até, o banditismo de novo tipo mostra por demais evidente que se pretende impedir a apresentação dessa força política ao pleito eleitoral. De resto, o discurso musculado e descabelado dirigido sobretudo à Unita demonstra igualmente que se pretende, que este partido seja “por conveniência de serviço” o único a competir efectivamente com o partido da situação. 4. banditismo de novo tipo 5. Necessária resposta Filomeno Vieira Lopes / Presidente da FpD Fonte: www.fpd-angola.com Marque como favorito Bookmark
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