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A autoridade tradicional ainda não existe como tal em Angola e todas as referências simpáticas ao exercício deste poder não passam de um simples exercício de retórica. É, no mínimo, a súmula que se pode extrair das intervenções que enriqueceram o primeiro dia do II encontro nacional das autoridades tradicionais, que iniciou hoje, em Luanda. Longe de facilitar a tarefa ao Governo, os sobas exigem poder real, o fim da promiscuidade e da instrumentalização.
O contundente soba do Huambo, Mário Katapi afirma que o poder tradicional em Angola exerce-se no vazio, uma vez que carece de espaço e oportunidades para se realizar. O soba considera que os actos do Governo neste domínio conduziram à implantação de uma certa anarquia nas relações entre as instituições do Estado e o chamado poder tradicional que, segundo ele, não existe ou, se existe, é sob a forma deturpada. Afirma ser o próprio Estado o mentor da "confusão" reinante, porque “ são os administradores que entendem nomear ou exonerar um soba”, em contradição com os hábitos e costumes de cada região”. Assim – prossegue – “ temos sobas nomeados por conveniência e sobas que ascenderam segundo a linhagem”. Para a autoridade tradicional, aqui reside a desvirtualização do poder tradicional em Angola, tal como foi concebido pelos nossos antepassados. O soba grande de Viana e Calumbo discorda do estatuto de funcionário público que é atribuído ao soba, fazendo dele um simples prestador de serviços ao Estado. “ Eu, por exemplo, descendo dos Ngolas e sou soba grande, dou posse a todos os sobas de Luanda, mas não sinto nenhum poder porque não mando em ninguém” – desabafou. Ao encontro, aberto pelo Primeiro-ministro Fernando Dias da Piedade dos Santos “ Nandó”, participam 169 autoridades tradicionais, com categorias de sobas, reis, rainhas e séculos e especialistas nacionais e estrangeiros. Apostolado
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Muito Obrigada.