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Os Partidos da Oposição Civil (POC) sentem-se afastados na secretaria e não no campo do jogo, disse à imprensa o presidente desta plataforma política, Manuel Fernandes, esgotada que está qualquer hipótese de ainda concorrer nas segundas eleições legislativas marcadas para Setembro próximo.
O presidente do POC disse aos jornalistas que a derrota da sua agremiação política não foi consentida, mas imposta pelo Tribunal Constitucional que não valorizou todo um trabalho e conquista de dezasseis anos de conquistas.
«Quando recebemos o despacho de suprimento do Tribunal Constitucional dizia que havia algumas insuficiências no processo dos POC e nos deram um mapa resumo que dizia que ao nível do círculo nacional, dos 5 mil proponentes à candidatura do circulo nacional havia apenas 4 mil 991 do qual tínhamos que fazer tudo para completar o número. E também disseram que não indicamos claramente à relação nominal dos candidatos ao círculo nacional. Com excepção da provincia de Cabinda disseram-nos que as outras províncias o número de apoiantes não correspondia aquilo que é exigido por lei. Os candidatos aceites ou válidos, porque muitos desses candidatos ou já constavam na lista de outros partidos ou o número de cartões são inválidos.»
Em função disso, fizemos um novo exercício e recolhemos outras assinaturas em toda a extensão do território nacional e recebemos tudo por via e-mail. Da primeira relação somando com o segundo, os números satisfazem o exigido por lei mas, por ironia, o Tribunal Constitucional não se ateve aos dois mapas, lamenta Manuel Fernandes.
«Já na segunda fase apresentamos 5129 no círculo nacional, na província do Bengo 1058, Benguela 1049, Bié 1040, Kuando Kubango 984, no Kuanza-Norte 862, Kuanza-Sul 1154, Cunene 1203, Huambo 990, Huíla 1136, Luanda 1039, Lunda-Norte 1790, Lunda-Sul 1235, Malanje 1045, Moxico 809, Namibe 995, Uíje 1040 e Zaire 1111, estes dados todos foram assumidos pelo Tribunal Constitucional que nós apresentamos.
O que nós vimos para o círculo nacional esta segunda relação de apoiantes que nós enviamos eles apuraram 2776, já na primeira lista, na primeira relação haviam apurado 2904. É claro que somando 2904 mais 2776 dá mais de cinco mil assinaturas. E no acórdão eles dizem que no círculo nacional também não apresentamos o número de candidatos aceitáveis que poderia permitir a candidatura dos POC. Houve muitas falhas do Tribunal Constitucional, isto devido às pressas como trabalharam e, no entanto, não seria difícil eles assumirem a culpa e darem a razão a nós, mas preferiram adoptar a posição musculada penalizando os POC, criando frustrações a milhares e milhares de angolanos que queriam ver participar os POC nas segundas eleições legislativas.»
Para o presidente dos POC, Manuel Fernandes, houve de facto uma grande injustiça pois no que seria normal e de lei, os POC não estariam afastados destas eleições. Os POC vão até continuar a trabalhar para participar das próximas eleições presidenciais e autárquica bem como irão direccionar o voto de Setembro dos seus eleitores.
«Estamos todos unidos e porque somos sete partidos, mas seria utópico dizer que esta situação não mexeu connosco. De facto depois de dezasseis anos de luta, de muito trabalho e claro que nós queríamos experimentar a nossa capacidade, a nossa maturidade junto do eleitorado e este decidir sobre a nossa grandeza, a nossa aceitação ou não, só que não nos foi dada esta oportunidade e ali o constrangimento ainda é maior. Porque nós queríamos que deixassem os angolanos decidirem mas, não é isso que se quer, aqui temos uma democracia filtrada, onde os grandes actores devem ser seleccionados por vontade de alguém.»
Para os POC, não está fácil gerir esta situação, há pressão de todo o seu eleitorado que manifesta uma forte indignação com esta «tragédia» Manuel Fernandes resume assim: «talvez o preço que estamos a pagar pelas posições que nós tomamos, mas, que mais uma vez garantimos que nós vamos continuar.»
Fonte:MultiPress
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