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Portugal pode perder influência em Angola para Brasil, diz Alves da Rocha, acadêmico da UCA |
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Escrito por : Cfr. no fim da pág
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27-Ago-2008 |
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Portugal pode perder influência em Angola para o Brasil, afirma o economista angolano Alves da Rocha, professor da Universidade de Católica de Luanda.
Em entrevista à Agência Lusa, o diretor do Centro de Estudos e Investigação Científica (Ceic) da Universidade Católica da Luanda e assessor do Ministério do Planejamento do país africano cita o entendimento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o angolano José Eduardo dos Santos, que facilitou o relacionamento entre Luanda e as empresas brasileiras.
"Em Portugal, há uma má-vontade contra o governo [angolano], contra o MPLA [partido no poder] e contra José Eduardo dos Santos que os outros países aproveitam", afirma o docente, que é também responsável pelo Relatório Econômico de Angola-2007, publicado pelo CEIC no final de junho.
"É verdade que há corrupção em Angola, mas é evidente que há melhorias. Não pode haver resistência a tudo o que fazem o MPLA e José Eduardo dos Santos", prossegue Alves da Rocha, para quem os angolanos "vão começar a procurar mais o Brasil do que Portugal" porque a desconfiança lusa faz com que as relações fiquem comprometidas.
Alves da Rocha diz que Portugal não compreende o que está sendo feito em Angola, lembrando que as obras de reconstrução após o fim da guerra civil "terão um retorno econômico e social, com impacto no país durante pelo menos dez anos".
Segundo o economista, "Portugal vai manter o seu espaço de influência em Angola", mas, para conseguir isso, "precisará do dobro do trabalho em relação aos brasileiros, cuja cultura está cada vez mais presente no país através das novelas, da rede Record e dos artistas".
Alves da Rocha mantém curiosidade em ver o "novo melting pot" de Luanda, cidade que hoje reúne portugueses, brasileiros e chineses.
"O que será Angola daqui a 15 ou 20 anos?", questiona o professor, antevendo que "Nação Crioula", livro de José Eduardo Agualusa, se tornará real.
"É esta nação universalista que vai vingar", acredita Alves da Rocha, "ao encontro dos valores de desenvolvimento, de produtividade, de lucro, mas também de solidariedade".
"Também há uma parte importante da população negra angolana que tem essa cultura universalista e que se revê em valores mais modernos e mais abertos", declara.
Após as eleições angolanas, marcadas para 5 de setembro, a futura legislatura vai corrigir o que já poderia ter sido feito no campo social, acredita o economista, que confia em uma alteração do perfil dos deputados e do poder angolano, no sentido de que "todos têm de perceber a importância de a informação circular e da transparência das organizações".
"Tudo isto faz parte do conceito de capital social", diz Alves da Rocha. O professor não prevê alterações na base da dinâmica angolana de crescimento econômico: "O que pode mudar é o contexto internacional, ao nível da crise alimentar e da variação do preço do petróleo", com influência no equilíbrio macroeconômico do país."Que as pessoas não pensem que tudo isto é uma festa", alerta Alves da Rocha.
F/Lusa
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